• 27 de outubro de 2020

Tudo Sobre Maconha: o que é, quais os tipos e legislação

 Tudo Sobre Maconha: o que é, quais os tipos e legislação

Você já se perguntou por que a maconha é uma planta tão polêmica? A erva mais popular do mundo é amada ou odiada pelas pessoas. Enquanto muitos consideram uma dor de cabeça por conta vício no uso recreativo, outros consideram uma bênção por suas propriedades medicinais.

Mas o que de fato é a maconha?

Primeiro que maconha é um nome popular, o nome científico é sativa. Ela faz parte do gênero de plantas cannabis, que aparece em três espécies: sativa, indica e a ruderalis. Pelo uso mais comum da sativa, associamos a palavra maconha a cannabis em geral. Vale ressaltar que há também inúmeros cruzamentos da planta com outras espécies.

A maconha é usada há mais de mil anos para tratar a saúde. Também foi muito utilizada na época industrial, por conta da sua fibra, na fabricação de tecidos, papéis, cordas e até combustíveis. No período colonial, pelo menos aqui no Brasil, a erva era incentivada, tanto que no final do século 19, era recomendada por médicos para tratar bronquite, asma e insônia.

No entanto, em 1930, influenciado pelos Estados Unidos, que havia adotado uma política antidrogas, o uso da maconha começou a ser reprimido. Segundo muitos antropólogos, esta proibição se deu pelo preconceito racial, já que muitos negros haviam desenvolvido o hábito de fumar maconha.

Como ela funciona

No organismo, ela atua graças ao que chamamos de “receptores canabinóides”, que ficam nas membranas celulares que todos os mamíferos têm. Os principais receptores são chamados de CB1 e CB2.  O primeiro é responsável pela absorção dos canabinóides por todo o corpo humano e o segundo, para o sistema nervoso e imune.

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Dos mais de 120 canabinóides já estudados presentes na maconha, os mais famosos são o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), que dentro do sistema endocanabinóide do corpo, podem influenciar na dor, no apetite, na memória, sono e resposta imunológica. Isso, porque eles são semelhantes aos canabinóides produzidos pelo nosso próprio organismo para controlar estas funções.

THC

A maior diferença entre o THC e o CBD é o efeito alucinógeno. O THC é o principal composto usado no uso recreativo, que causa o efeito psicoativo. Isso porque ele ativa o receptor CB1 que consequentemente gera efeitos no cérebro e no sistema nervoso. 

CBD

Já o CBD atua no CB2, ele incentiva os receptores naturais do corpo a produzir os próprios canabinóides, o que ajuda no equilíbrio funcional do nosso organismo. Por isso, o CBD é muito utilizado na fabricação de remédios. Além de diminuir os efeitos do THC, ele não vicia.

É importante lembrar que não precisamos descartar o THC completamente, pois ele também já mostrou ter propriedades positivas na fabricação de medicamentos. Hoje há até remédios  que são utilizadas em conjunto ao CBD, potencializando seu efeito.

Existem outras substâncias na cannabis que possuem benefícios ainda estudados, como terpenos, a nabilona e o dronabinol (sintéticos), o tetrahidrocanabivarina (THCV),o  canabigerol (CBG), entre outros.

Consumo

No Brasil, a maconha ainda é ilegal para o uso recreativo de acordo com a Lei antidrogas de 2006. As penas podem variar de advertências, medidas educativas a prestação de serviço. Não há um parâmetro específico para dizer quantas gramas é considerado consumo próprio, sempre vai depender da interpretação do juiz.

Mas se você pensa que as pessoas só fumam a erva, está enganado. Hoje o uso recreativo é mais responsável e também mais criativo. Os consumidores buscam maximizar os benefícios e diminuir os efeitos negativos. Veja seis exemplos de como as pessoas utilizam ao redor do mundo:

  • Como chá. Assim como no chá de camomila o chá de maconha tem o efeito relaxante e calmante. No entanto, como o THC não é solúvel, é necessário acrescentar algum tipo de gordura, como manteiga.
  • Na comida. Outra maneira de se consumir a cannabis, e que tem se tornado popular, principalmente para pessoas com dores crônicas, é adicioná-la na comida. Muitos fazem manteiga de maconha para acrescentar em qualquer receita. Em alguns países, já há chocolates, pirulitos cookies e até pipoca de maconha.
  • Extrato. Este tipo de consumo é mais usado para tratamento, ele consiste na retirada das substâncias medicinais e é usado oralmente, colocando gotas de baixo da língua ou acrescentando na comida.
  • Vaporizando. Este método é para aqueles que já consumiam os cigarros de maconha, mas agora estão mais conscientes. O segredo, aqui é que a cannabis não entra em combustão, mas é cozida. Isto elimina até 95% da fumaça produzida.
  • Uso tópico. Acredite ou não, mas também é possível fazer pomada com maconha. Ela é geralmente usada para tratar queimaduras, dores musculares, inflamações de atletas e até no tratamento de câncer. Diferente dos outros métodos, este não causa efeitos alucinógenos, apesar de ser rico em THC.
  • Suco. Como se fosse uma bebida detox, o suco de maconha é para aqueles mais preocupados com a saúde, pois é possível aproveitar de todos os seus benefícios terapêuticos sem se preocupar com os níveis de THC, pois, este só é liberado quando aquecido.

Moderação

Mas atenção, apesar de tantos benefícios, o uso abusivo pode trazer consequências ruins. O pensamento que muita gente tem é que, por se tratar de um produto natural, pode ser consumido em grandes quantidades, o que não é verdade. Usada de maneira irresponsável ela pode ser prejudicial a curto e a longo prazo.

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O uso medicinal

Primeiro é importante ressaltar que a maconha não cura doenças. Há grandes estudos médicos e várias indicações para o tratamento de diversas enfermidades, onde é relatado uma melhora significativa nos quadros clínicos. No entanto, infelizmente, não é a cura.

Mesmo a maconha recreativa sendo diferente da maconha medicinal, ela gera efeitos colaterais como qualquer outro remédio, que podem variar de secura na boca, aumento do apetite, palpitações entre outros. Mas os efeitos mudam de acordo com o tipo de medicamento e a dosagem.

Apesar dos estudos sobre a planta serem relativamente novos, já foram descobertos mais de 400 compostos, responsáveis pelos efeitos psicoativos e medicinais. Com isso, sementes da planta são modificadas para conter apenas certos componentes, de acordo com a sua finalidade.

As suas células são geneticamente modificadas e o seu genoma pode ser alterado, fazendo a planta produzir as moléculas desejadas.É possível mudar até para a preferência dos consumidores, aumentando ou abaixando o nível das substâncias para mudar o gosto, o cheiro, a intensidade.

 Como é administrada

A dosagens precisam ser feitas apenas com prescrição médicas, o abuso, salvo de medicamentos à base de canabidiol, pode causar dependência, mesmo na forma de remédio. As dosagens são administradas de acordo com cada doença, as substâncias mais prescritas são:

  • Cannabidiol (CBD). É o componente mais procurado, pois serve para uma série de tratamentos, como Parkinson, Epilepsia, autismo, dores do câncer, dores crônicas e de origem oncológica ou neuropáticas, esclerose múltipla, náusea, vômitos, entre outros.
  • Naxibimols, mais conhecida como Sativex. Mais conhecida para tratar esclerose múltipla, também comprovou eficácia para o tratamento da AIDS. Este foi o primeiro medicamento no mundo aprovado à base de cannabis.
  • Dronabinol ou Marinol. Uma curiosidade, é que ele usado apenas quando outros tipos de medicamentos para vômitos não funcionam. Além de servir no tratamento contra câncer e também para sintomas de anorexia em pacientes com AIDS.
  • Nabilona.  Utilizada para dor neuropática na diabetes, também tem o efeito antiemético.

Legislação

Como importar era a única solução legal, a compra de cannabis medicinal seguia uma série de restrições. Só poderiam comprar pessoas físicas e com receita médica, além da intermediação de autoridades específicas e um termo de responsabilidade.

Depois disso, era preciso preencher um formulário online e aguardar a autorização da ANVISA para poder importar. A licença era concedida por um ano, depois disso, deveria ser atualizada. Com a liberação em dezembro de 2019, basta apenas o receituário médico para poder comprar. No entanto, a medida ainda vai demorar 90 dias para entrar em vigor.

O número de pessoas com pedidos na justiça, tem crescido consideravelmente. Por ser uma importação cara, muitos solicitam o custeio e até a autorização do plantio. Até hoje, 67 famílias conseguiram o direito de plantar a maconha para uso medicinal. Atualmente, mais de 5 mil pessoas tem autorização para importar e o número de pedidos no SUS triplicou entre 2015 e 2018.

 Hoje, tramita na Câmara uma proposta de lei que visa a fabricação no país para baratear os custos, além de distribuir no SUS. Se aprovada, pode ir para o senado e depois, ser sancionada pelo presidente.

 

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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