• 27 de outubro de 2020

Canabidiol (CBD): O que é, Efeitos, Benefícios e Consumo – Guia Completo

 Canabidiol (CBD): O que é, Efeitos, Benefícios e Consumo – Guia Completo

A Cannabis é uma planta que possui cerca de 500 compostos químicos, dos quais pelo menos 140 são canabinóides. O CBD é um deles. Mas por que se fala tanto no CBD? O que ele tem de tão diferente para ganhar tanto destaque assim?  

O canabidiol, além do uso em cosméticos e em suplementos alimentares, ficou muito conhecido por auxiliar no tratamento de epilepsia e outras doenças, agindo de forma terapêutica.

Durante o artigo, iremos entender para que serve o CBD, os efeitos causados pelo ativo, como e onde comprar o canabidiol e possíveis benefícios medicinais.

O que é CBD?

A planta cannabis divide-se em cannabis sativa, cannabis ruderalis e cannabis indica. Estas plantas contêm vários tipos de compostos químicos. 

O CBD, também conhecido como canabidiol, é um dos compostos químicos categorizado no grupo dos canabinóides.

O canabidiol é um dos canabinóides mais conhecidos encontrado na planta de cannabis. Ele chega a representar mais de 40% dos extratos da planta.

Diferente do principal canabinoide psicoativo da maconha responsável pelo “barato”, o THC, o canabidiol não produz euforia, mas é capaz de suavizar os efeitos alucinógenos do THC e manter a função terapêutica e medicinal dos compostos. 

Dessa forma, o CBD pode gerar efeitos anti-inflamatórios, analgésicos e muito mais. Por isso, o CBD têm ganhado um espaço bem significativo na mídia, debates, consultórios médicos e laboratórios.

Ele pode ser encontrado em sua forma pura, onde é mais conhecido como “full spectrum”, ou também da forma sintética manipulado em laboratório. 

CBD Full Spectrum x CBD sintético

O CBD full spectrum pode ser extraído da planta cannabis ou do cânhamo de forma natural através da prensa quente, prensa fria, máquina de CO2, álcool cereal ou até mesmo através do butano.

Quando extraído de forma natural, o CBD mantém traços de THC que pode variar dependendo da plantação e termos legais de cada região. 

Um fator que não muda é que é impossível isolar de forma natural o CBD do THC, e é exatamente esse fator que faz com que os canabinóides agindo em conjunto proporcionam os benefícios estudados, testados e implementados (também conhecido como efeito entourage).

O CBD sintético é um desafio para os estudantes e entusiastas. Até o momento, todos os testes feitos com o CBD artificial manipulado em laboratório passou longe de atingir os mesmos resultados do CBD full spectrum num mesmo intervalo de tempo. 

O isolamento do canabidiol quando sintetizado já é o fator que explica parte disso. O resultado e efeitos do “efeito entourage” são proporcionados de forma única.

Ou seja, a combinação do CBD com outros compostos, quando retirados de forma natural, atuam em conjunto.

Já existem estudos que sugerem maior potência e eficácia terapêutica do CBD full spectrum quando comparado ao sintético.

Em suma, é necessário inserir uma quantidade muito maior de CBD sintético para chegar no mesmo resultado que o CBD full spectrum pode gerar.

Um famoso estudo publicado na Frontiers avaliou o tratamento em pacientes que utilizam CBD full spectrum e CBD sintético.

Para os pacientes que utilizaram o óleo de Cannabis puro (full spectrum), a dose relatada para lidar com o tratamento é 4 vezes menor ao CBD sintético.

Ou seja, o CBD no extrato tem o mesmo efeito do CBD sintético, mas requer doses muito menores para exercer estes efeitos, o que acaba também diminuindo os possíveis efeitos colaterais. 

O CBD sintético também ainda não é autorizado pela ANVISA no Brasil.

Para que serve o Canabidiol?

O canabidiol pode auxiliar e muito no tratamento de diversas doenças. Ele age de forma sincrônica com receptores do nosso organismos e dessa forma pode agir no combate a dor e inflamações, nos problemas de saúde mental e no combate a epilepsia e ansiedade.

Também podemos associar o uso do CBD na função de contrapor alguns efeitos do THC. O Canabidiol quando extraído de forma natural, contém traços de THC, e isso é extremamente importante para o uso do medicamento, já que a combinação desses canabinóides potencializam seus próprios efeitos terapêuticos.

O THC usado isoladamente é psicoativo, podendo causar efeitos colaterais não muito desejáveis, como paranóia, alucinações, tontura, entre outros. Agindo de forma conjunta com o canabidiol, seus efeitos medicinais permanecem e os efeitos negativos são suavizados pelo canabidiol.

Por isso, o canabidiol têm função complementar e potencializadora quando age juntamente com outros ativos da Cannabis.

Quais são os efeitos do canabidiol no corpo humano?

O CBD é um canabinóide da planta Cannabis que se parece muito com endocanabinóides produzidos em nossos corpos naturalmente. E é exatamente nesse sistema interno que os canabinóides da planta interagem com nosso corpo.

Existem algumas considerações sobre o fato de algumas doenças e sintomas ruins afetarem o Sistema Endocanabinóide.

Dessa forma, quando canabinóides interagem com receptores do nosso corpo, produzem efeitos capazes de suavizar dores e gerar sensações de auxílio no tratamento de doenças.

O THC é uma das substâncias que possuem afinidade com os receptores CB1 e CB2 e os ativa. Por exemplo, o efeito de “barato” acontece por causa da ativação do CB1 pelo THC. 

Já o Canabidiol possui pouca afinidade com os receptores canabinóides do cérebro, mas é um antagonista deles.

Isso quer dizer que, quando ele se liga aos receptores, ocupa o espaço sem ativá-los, reduzindo efeitos do THC e podendo agir de forma terapêutica contra dores, distúrbios mentais e inflamações.

Qual a sua interação com o Sistema Endocanabinóide?

O canabidiol interage com o corpo através do Sistema Endocanabinoide,um sistema sinalizador que é responsável por regular uma variedade de funções.

O sistema endocanabinóide é constituído por dois recetores canabinóides: tipo 1 (CB1) e tipo 2 (CB2).

O sistema conta com alguns receptores espalhados por todo o organismo e que está envolvido em alguns processos fisiológicos, como o controle de:

  • Dores;
  • Apetite;
  • Humor;
  • Memória; 
  • Resposta imunológica; 
  • Sono.

A composição química do canabinóide é semelhante ao endocanabinóide produzido naturalmente em nosso corpo.

É através do nosso sistema endocanabinóide que recebemos os efeitos dos canabinóides, tanto os terapêuticos, quanto os psicoativos.

Foram identificados canabinóides endógenos que estão relacionados com ações anti-inflamatória e inibitória das convulsões epiléticas. São eles:

  • anandamida (N-araquidonoitenolamina) 
  • 2-araquidonoiglicerol. 

Estes endocanabinóides ligam-se e ativam os receptores CB1 e CB2. Eles funcionam com uma defesa natural do organismo, regulando nosso organismo e sendo produzidos pelo próprio organismo de forma natural.

Receptores Canabinóides 

Existem dois grupos de receptores canabinóides em nosso organismo. Os receptores canabinóides CB1 e os receptores canabinóides CB2.

Os receptores canabinóides CB1 são interligados junto à proteína G, uma das mais abundantes no cérebro.

Estes receptores estão acoplados nas pré-sinapses do sistema nervoso central e periférico. São responsáveis por sensações de bem-estar, memória, concentração, percepção sensorial e temporal e pela coordenação de movimentos.

Os recetores canabinóides CB2 estão nas células imunitárias e nos tecidos periféricos.

Os CB2 estão relacionados com ações anti-inflamatória e imunossupressora e são responsáveis por direcionar a libertação de vários neurotransmissores.

Os canabinóides produzidos internamente e o canabinóides dos quais podemos fazer uso são capazes de se ligarem aos receptores do nosso corpo.

Quando os ativos se ligam aos receptores, esses canabinóides são capazes de produzir uma vasta gama de efeitos fisiológicos, podendo afetar desde pressão do sangue até resposta à dor, memória e apetite.

CBD x THC: quais são as diferenças?

O CBD (canabidiol) e o THC (tetra-hidrocanabinol) são os dois canabinóides mais abundantes na planta cannabis, e os mais estudados também. 

Os dois interagem com o Sistema Endocanabinóide (sistema de sinalização endógena do nosso corpo), mas são capazes de produzir efeitos diferentes.

Confira as principais diferenças entre o CBD e THC:

  • O CBD não é psicoativo

Por ter uma afinidade baixa com nossos receptores CB1 e CB2, o canabidiol não apresenta comportamento psicoativo.

Ele não provoca efeitos alucinógenos e ainda carrega potencial em reduzir o efeito psicoativo do THC. Além disso, o CBD não vicia.

  • O THC é psicoativo

O THC é o canabinoide mais conhecido quando se pensa em consumo recreativo de maconha. Ele é responsável pelo efeito alucinógeno causado ao consumir a maconha.

Este efeito acontece quando associamos o uso da maconha ativando através do THC os receptores CB1 do nosso corpo..

  • O CBD é encontrado de forma abundante na planta de Cânhamo

A composição do cânhamo têm como canabinóide predominante o CBD, tornando-se fonte ideal do canabidiol.

Por definição, a concentração de THC no cânhamo não passa de 0,3%. Desta forma, o cânhamo apresenta muito menos THC do que canabidiol.

  • O THC é encontrado de forma abundante na planta de Cannabis

O THC é abundante na maconha, enquanto o cânhamo tem muito mais CBD do que THC. 

A maconha é geralmente cultivada com o objetivo de maximizar sua concentração de THC. Ela é manipulada com o objetivo específico de aumentar a concentração de THC e produzir efeitos psicoativos mais fortes. 

A concentração de THC na maconha apresenta o mínimo de 3%, porém a média hoje é cerca de 12% de THC.

Outras considerações

Além disso, podemos considerar que a ação do CBD e THC nos endocanabinóides são distintas. 

Na prática, o receptor CB1 é encontrado principalmente nos neurônios e células gliais em várias partes do cérebro. Já o receptor CB2, é encontrado principalmente no sistema imune.

Enquanto os efeitos eufóricos do THC são causados pela sua ativação dos receptores CB1, o CBD tem uma afinidade muito baixa com esses receptores (até 100 vezes menos que o THC) e quando se liga a eles produz pouco ou nenhum efeito. 

Existem algumas evidências de que o canabidiol age em outros sistemas de sinalização cerebral, e que isso pode ser fator relevante para seus efeitos terapêuticos.

Efeito Entourage 

Dentre os componentes químicos presentes na Cannabis, conhecemos alguns grupos , tais como os:

  • Terpenóides: responsáveis pelo cheiro característico da planta;
  • Flavonoides, responsáveis pelo sabor característico e coloração.

Resultado de imagem para efeito entourage

 

É exatamente a combinação desses componentes agindo no corpo humano que produz um efeito conhecido como efeito entourage.

O efeito entourage é um termo original de um pesquisador Israelense chamado Simmom Ben-Shabat. Ele traduz um fenômeno que ocorre no sistema endocanabinóide, a ação de diferentes “ligantes” em conjunto.

O termo é de origem francesa, e em português poderia ser traduzido como “comitiva”.

O efeito que acontece quando existe o consumo dos químicos em conjunto, como uma comitiva, é muito mais eficaz do que se isolarmos um ou dois desses ativos e usarmos numa fórmula. É o famoso “juntos somos mais fortes”. 

O termo “efeito entourage” foi usado para descrever uma interação positiva que ocorre na fisiologia do organismo entre o endocanabinóide “2-AG” e derivados dessa molécula. 

Essa interação pode potencializar os efeitos do endocanabinoide 2-AG em seu receptor, aumentando os efeitos sedativos e analgésicos..

É por isso que os pacientes costumam preferir consumir a forma natural da cannabis para uso terapêutico. 

Benefícios que o CBD pode promover

1.Efeito neuroprotetor do CBD (anticonvulsivantes)

O CBD ganhou relevância nos estudos médicos e discussões na mídia e laboratórios por sua eficácia na redução de convulsões causadas por epilepsia.

O canabidiol é estudado como um potencial neuroprotetor, protegendo células nervosas de se funcionarem fora do ritmo adequado. 

O processo de “exercício” dessas células deve ocorrer naturalmente e de forma moderada, mas é exatamente esse exercício celular em excesso que ocorre na epilepsia, causando os espasmos e convulsões. 

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine descobriu que fazer a ingestão de CBD cortava drasticamente a frequência de convulsões na maioria dos pacientes

O THC também possuem efeito neuroprotetor e esse fator é crucial no tratamento da epilepsia, já que quando utilizado em conjunto com o canabidiol em sua forma natural produz o efeito entourage que falamos a pouco e aumenta a eficácia do tratamento.

Todos esses efeitos causados pelo CBD também podem auxiliar da mesma forma no tratamento de doenças como o Alzheimer, AVC, Parkinson e Esclerose múltipla.

2.Efeito anti-inflamatório do CBD

O CBD parece ter propriedades anti-inflamatórias, demonstrando potencial para o tratamento de diversas doenças inflamatórias. 

Um artigo publicado pelo colunista Graham Averill na revista “Outside” tem como título “ Why athletes are ditching ibuprofen for CBD”, ou seja, “Por que os atletas estão trocando o anti-inflamatótio ibuprofeno pelo CBD”.

Neste artigo, Graham relata experiências de muitos ciclistas e triatletas que têm optado pelo uso do CBD ao invés do anti-inflamatório para o tratamento de dores musculares. 

Esse efeito foi observado tanto com o Canabidiol isolado como em sua forma totalmente natural. Porém, quando foi comparado a eficácia entre as duas formas, concluiu-se que a cepa de cannabis rica em CBD é um anti-inflamatório superior ao CBD isolado. 

A inflamação crônica é um ponto comum entre muitas doenças, como câncer, diabetes, doenças autoimunes, problemas digestivos e problemas hormonais. Como um anti-inflamatório natural, o canabidiol pode ajudar a aliviar e combater a inflamação crônica. 

3.Efeito analgésico do CBD

Aqui temos um fator curioso. O THC é o canabidiol famoso por gerar o efeito analgésico e o CBD, quando de forma isolada, não capaz de possuir efeitos analgésicos.

Porém, quando utilizado em conjunto com o THC, o canabidiol é capaz de potencializar os efeitos do THC no combate a dor.

O CBD e o THC em conjunto são mais eficazes do que o THC isolado no tratamento da dor. Aqui voltamos a ver evidências do efeito entourage.

Na prática, os ativos aumentam a capacidade do usuário em tolerar a dor, servindo de grande valia inclusive para pessoas que precisam passar pela quimioterapia, diagnosticados com fibromialgia, entre outros tratamentos.

4.Efeito anti-psicótico do CBD

A maconha é famosa por produzir efeitos psicóticos. Além disso, sabemos que a maconha é totalmente contraindicada para pessoas que têm predisposição à Síndrome do Pânico, distúrbios mentais e risco de psicose.

Isso ocorre porque a maconha possui um canabidiol chamado THC, responsável por causar esses efeitos alucinógenos. 

Quando olhamos de forma isolada, o canabidiol não produz efeitos alucinógenos e psicoativos.

Esses efeitos alucinógenos são causados pelo THC, enquanto o CBD pode até reduzir esses efeitos. Por isso, já existem casos de pacientes com sintomas psicóticos sendo tratados com canabidiol.

Por isso, é imprescindível a prescrição de um médico que irá dosar os traços de THC e o uso do CBD da forma correta.. Dessa forma, estimula-se o efeito entourage e controla-se o consumo do THC.

5.Efeito anti-tumoral  do CBD

Existem estudos que demonstram a eficácia do CBD em produzir efeitos de redução de tumores, diminuição do crescimento tumoral e inibição da metástase em animais e células.

Em países onde a cannabis é legalizada medicinalmente, canabinóides já são usados para tratamentos para dor, náusea e aumento do apetite em pacientes com câncer e em tratamento de quimioterapia.

As terapias com CBD podem complementar o tratamento do câncer. O CBD pode ajudar as pessoas com câncer por estimular o apetite, aliviar a dor e aliviar náuseas.

Esses efeitos podem ocorrer devido aos efeitos antioxidante e anti-inflamatório do canabidiol.

Porém, estudos realizados tanto com THC como CBD mostram resultados divergentes. Há pesquisas que apontam os canabinóides como supressores dos tumores, outros apontam que a ação anti-inflamatória bloqueia o sistema de resposta do corpo ao câncer.

Dessa forma, o mais correto seria aguardar por novas evidências científicas e consultar um médico ao considerar usar o canabidiol no tratamento de doenças tumorais. 

6.Efeito ansiolítico do CBD

Respostas corporais, como a frequência cardíaca, que indicam estresse e ansiedade, podem ser reduzidos com o uso do canabidiol de forma terapêutica.

Em alguns ensaios clínicos, o CBD reduziu a ansiedade em pacientes com ansiedade social. Esses efeitos parecem ser mediados por alterações na sinalização do receptor 1A de serotonina.

Existe um estudo bem completo sobre a relação entre o CBD e ansiedade. Nele, foram analisados pessoas que têm medo de falar em público, e que se sentiam menos ansiosas e desconfortáveis sobre a fobia depois de tomar CBD.

O CBD é extraído do cânhamo ou da cannabis?

É importante entender a diferença entre o cânhamo e maconha. As duas são plantas do mesmo gênero, a Cannabis Sativa. Logo, o CBD por ser extraído tanto da Cannabis, quanto do Cânhamo. 

O cânhamo é cultivado por suas sementes, fibras e caule. O cultivo da planta garante que a planta não terá galhos e também quase não há flores. Isso ocorre porque o foco do crescimento é apenas o tronco para obtenção de fibras. 

A maconha é cultivada principalmente para a produção de THC, ativo mais famoso da Cannabis por causa de suas propriedades alucinógenas. 

A maconha contém altos níveis de THC e o cânhamo praticamente não apresenta THC em sua composição (no máximo, 0,3%).

Em contrapartida, o Cânhamo contém alto teor de CBD, fazendo com que tenha a partir dela a extração para o uso da cannabis de forma medicinal

Para ser um produto legalizado, o CBD precisa vir de uma fonte com menos de 0,3% de THC, segundo a orientação internacional da UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime).

Como consumir o CBD?

O CBD é comumente encontrado na forma de óleo ou como líquido para ser usado em dispositivos vaporizadores. É desta forma que os pacientes costumam usar o CBD de forma medicinal.

Porém, ele também pode ser encontrado em sprays, suplementos, cápsulas, tinturas, cosméticos, cremes, alimentos e muitos outros para variados fins.

1. Óleo de CBD: O óleo pode deve ser aplicado embaixo da língua sob a língua para uma rápida absorção na dose recomendada pelo médico. Este é o método mais prático;

2. Vaporizador: Através do vaporizador, o calor ajuda a ativar os canabinóides, que ao ser inalado, rapidamente atinge a corrente sanguínea. Esta forma não prejudica o pulmão;

3. Comprimido: Existe a possibilidade de transformar o CBD em comprimido ou cápsulas em laboratório. Sendo assim, para esses casos, o consumo é feito igual como o de qualquer outro remédio e os seus efeitos são um pouco mais lentos;

4. Fumo: Esse é o método mais rápido em seus efeitos pois a substância vai direto para a corrente sanguínea através dos pulmões. Algumas pesquisas apontam que a maneira ideal de usar o CBD é fumando um cigarro feito com misturas de componentes da Cannabis dosados em laboratório, evitando o THC. O problema é a queima de materiais e a inalação da fumaça que acaba sendo prejudicial à saúde pulmonar.

O Canabidiol dá barato?

Não, o canabidiol não dá “barato”. O efeito psicoativo conhecido por “barato” é derivado do canabinoide delta-9-tetrahidrocanabinol, conhecido por THC. Ou seja, O canabidiol é uma das substâncias da erva, mas não causa os efeitos colaterais do THC.

O THC também tem propriedades medicinais, mas o CBD é mais usado para fins terapêuticos justamente por não ser capaz de produzir efeitos psicoativos relacionados à maconha. 

Na prática, alguns produtos utilizados para o consumo do CBD de forma medicinal como o óleo de CBD também não produz efeitos alucinógenos. O óleo de CBD não é psicoativo, por isso, não afetará a sua consciência, percepção ou comportamento. 

O uso do CBD é permitido no Brasil?

Sim. Porém, o canabidiol é classificado no Brasil como um medicamento de uso controlado. Ou seja, a autorização da importação do medicamento está condicionada a uma prescrição médica.

O cultivo da Cannabis sativa é considerado ilegal no Brasil. Logo, o CBD utilizado para fins medicinais deve ser extraído da planta do cânhamo.

Enquanto a planta de Cannabis é rica em THC (canabinóide psicoativo), a planta do cânhamo contém apenas traços de THC, incapazes de gerar qualquer efeito alucinógeno nos pacientes. 

Uma pessoa física pode importar medicamentos e produtos com o canabidiol e THC, desde que seja para uso próprio com fins terapêuticos.

Algumas ONGs são autorizadas a produzir o óleo de CBS no Brasil. Isso deixa o produto mais barato e acessível, mas ainda é bem limitado e burocrático.

Como e onde comprar o CBD no Brasil

Existem quatro formas de conseguir o CBD no Brasil de forma legal:

1. Importação Excepcional

Apenas pessoas com laudos e receitas médicas podem comprar o medicamento. O paciente precisa solicitar a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) uma autorização excepcional através de um formulário.

A ANVISA disponibiliza uma área em seu site exclusiva para importação do CBD com um cadastro para pessoas físicas. O cadastro exige diversos documentos e informações, como:

  • Receita médica;

  • Laudo médico;

  • Declaração de responsabilidade.

Depois que o cadastro é aprovado, a importação pode ser realizada importando a quantidade total de uma vez só ou fracionado. 

A importação pode ser feita por remessa expressa, registro do licenciamento de Importação ou por bagagem acompanhada. Para todos os casos, é sempre necessário apresentar a receita médica e a autorização da ANVISA.

Essa autorização de importação dura um ano e pode ser renovada sempre que necessário.

No Brasil, também já existem ONG’s (organizações não governamentais) que conseguiram na justiça o direito de produção de medicamentos a base de canabidiol e também a venda do óleo.

2. Programa de Acessos

Existem programas de acesso que tornam o CBD disponível para o paciente antes de sua autorização e lançamento comercial no país.

Em alguns casos, também existem programas destinados a conectar pessoas necessitadas sem condições de obter o medicamento com empresas capazes de doar e patrocinar o medicamento para o paciente necessitado.

Alguns opções via programas de acesso:

  1. a) Acesso Compassivo;
  2. b) Acesso Named Patient;
  3. c) Acesso expandido.

3. Compra de medicamentos registrados

 

A terceira forma de conseguir comprar cannabis medicinal no Brasil é através de medicamentos registrados.

 

Existem dois medicamentos registrados e legalizados no Brasil. São eles:

  • Mevatyl: o medicamento é um spray de uso oral composto por THC e CBD. Indicado para tratar os sintomas de pacientes adultos que apresentam espasmos de moderados a graves, por causa da esclerose múltipla, o mevatyl é o primeiro medicamento a base da cannabis liberado para o comércio em farmácias no Brasil. 
  • Epidiolex: o medicamento é uma formulação farmacêutica prescrita de canabidiol derivado de plantas de maconha (CBD) altamente purificado para o tratamento de convulsões associadas à síndrome de Lennox-Gastaut ou à síndrome de Dravet.

Quanto custa o CBD no Brasil

O custo do CBD no Brasil pode variar bastante dependendo do tratamento, doses necessárias e até modo de uso.

Existem variedades que vão desde a venda por seringa, versão líquida em frascos, sprays e em cápsulas.

De modo geral, estima-se que o um tratamento pode custar entre R$1500 (mil e quinhentos reais) a R$5000 (cinco mil reais) por mês. 

Mais recentemente, a regulamentação de produtos à base de maconha no Brasil foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a decisão, produtos feitos com cannabis para uso medicinal podem ser vendidos em farmácias, mediante prescrição médica, e ficam sujeitos à fiscalização da agência.

Contraindicações do CBD

Não é recomendado consumir CBD como terapia médica sem a aprovação de um médico, já que o canabinóide pode gerar:

  • Queda de pressão;
  • Tontura;
  • Sonolência;
  • Boca seca;
  • Inibição do metabolismo.

Por isso, é necessário seguir orientações médicas de dosagem exata para fazer uso do medicamento.

Além disso, os remédios a base de CBD são de forma geral contraindicados para:

  • Pessoas com hipersensibilidade a canabinoides ou a qualquer um dos excipientes da formulação do medicamento; 
  • Com qualquer histórico pessoal ou familiar de esquizofrenia ou de outra doença psicótica; histórico de transtorno de personalidade grave ou outros transtornos psiquiátricos graves; 
  • Mulheres grávidas sem orientação médica.

Conclusão 

O Canabidiol é uma substância que não reproduz os efeitos colaterais da maconha (sua planta de origem de extração). 

Com a descoberta do CBD e das suas várias propriedades terapêuticas, ele acabou se popularizando muito.

O canabidiol pode ajudar pacientes de diversas doenças através da sua potencial ação terapêutica e efeito entourage quando combinado com traços de THC e produzir efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, e auxiliar no tratamento de doenças como fibromialgia e epilepsia, reduzindo os episódios de convulsão.

Com a prescrição de qualquer médico, já é possível usar o CBD e THC desde março de 2016. O número de pacientes cadastrados para importação de canabidiol (CBD) triplicou de lá pra cá.

Porém, apesar de conseguirmos consumir o canabidiol de forma medicinal no Brasil, pudemos ver durante o artigo que os processos e legislação para seu uso é muito burocrático.

A Anvisa prevê a discussão da abertura de uma consulta pública para a liberação do plantio da cannabis com a finalidade de pesquisa e para o uso da indústria farmacêutica.

Isso abriria a possibilidade de entrada do mercado brasileiro que possivelmente diminuiria a burocratização e o preço dos produtos.

Referências

Redação

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