• 19 de outubro de 2020

Sistema endocanabinóide: O que é e como funciona

 Sistema endocanabinóide: O que é e como funciona

Você já ouviu falar do Sistema Endocanabinóide? Ele foi descoberto a pouco tempo, mas sempre esteve presente no nosso corpo.

De maneira geral, é o sistema de comunicação entre o cérebro e os processos do organismo.

 Ele permite a coordenação entre as células, o que equilibra vários processos cognitivos e fisiológicos. Como por exemplo, fome, humor, inflamações, memória, estresse e aí vai.

O sistema está por todo o corpo e age de maneiras diferentes, mas o seu principal objetivo é regular sua homeostase.

Para que serve o Sistema Endocanabinóide?

Ele funciona de maneiras diferente em cada região, e para funcionar, precisa de três coisas:

Todas as outras funções do nosso corpo precisam controlar as suas células com bastante cautela para que elas funcionem normalmente.

Por isso, o sistema endocanabinóide se encontra em várias áreas, como nas membranas, no cérebro, e nos órgãos, regulando o comportamento de cada um.

Os endocanabinóides, também chamados de canabinóides endógenos são produzidos naturalmente pelo corpo humano, eles funcionam como um sinalizador que ajuda as outras funções a manter o equilíbrio.

Quando o nosso sistema imunológico precisa de uma febre para “fritar” algum vírus ou bactéria, por exemplo, é a sinalização dos endocanabinóides que faz o corpo voltar a temperatura normal.

O sistema endocanabinóide trabalha em conjunto ao imunológico, assim acontece também em várias outras áreas.

Quando os receptores endocanabinóides são ativados, eles permitem uma série de reações fisiológicas, que influenciam nas inflamações, nas dores, no apetite, na pressão dos olhos, nas sensações, nos controles musculares, na temperatura corporal, energia, metabolismo, entre outros efeitos.

O seu trabalho como regulador envolve: reduzir inflamações, relaxar a musculatura, reduzir a pressão arterial, dilatação dos brônquios, normalizar o fluxo sanguíneo cerebral e até normalizar os nervos estão estimulados demais. 

Novas perspectivas

O sistema endocanabinóide é encontrado em todos os répteis, anfíbios, aves, mamíferos e peixes, exceto insetos.

O seu descobrimento, abriu caminho para um novo olhar dos problemas patológicos e traçou novas estratégias na maneira de tratá-los.

Ele está ligado em quase todos os campos da medicina, até mesmo na área reprodutiva, como explica o Dr. Mauro Maccarrone da Universidade de Teramo, Itália.

Ele elucida que os receptores canabinóides se proliferam na placenta e facilitam a relação entre mãe e filho. Uma falha no sistema pode levar até a um aborto espontâneo.

Quando um bebê nasce, por exemplo, ele recebe bastante endocanabinóides através do leite materno. Por isso, crianças que são amamentadas por mais tempo, ficam menos doentes.

Até mesmo a cólica infantil está relacionada a falta de endocanabinóides.

Problemas no sistema

Quando o nosso corpo falha ao produzir endocanabinóides por alguma razão, pode resultar no desenvolvimento de alguma doença, como fibromialgia, artrite reumatoide, inflamação gastrointestinal, alzeimer, câncer entre outras. 

Essa deficiência é conhecida como Síndrome de Deficiência Clínica de Endocanabinóide. Muitas pessoas nem sabem que sofrem da síndrome.

Quando o sistema não produz o mínimo necessário, a tendência é que os endocanabinóides do corpo se degradem, desencadeando os problemas mencionados acima.

Os endocanabinóides endógenos são responsáveis por regular a serotonina. Quando eles não estão trabalhando direito, os níveis do composto podem subir, o que ocasiona em enxaqueca, ou podem descer demais, o que é a causa da fibromialgia.

Sem nada para sinalizar qual o ponto certo, pode surgir uma infinidade de complicações.

A dependência dos canabinóides para auxiliar no equilíbrio é enorme. Através de experimentos, a Big Pharma provou que os compostos canabinóides podem alterar a progressão de doenças.

O estudo com camundongos alterou geneticamente alguns deles para não terem receptores CB propositalmente. Estes não mamavam e morriam prematuramente.

A relação com a cannabis

A descoberta do Sistema Endocanabinóide é relativamente recente, os primeiros receptores foram percebidos em 1994, logo depois dos canabinóides.

O próprio Químico Raphael Mechoulam quis entender como o THC e o CBD agiam no organismo e nas suas explorações encontrou uma rede dentro do próprio organismo.

Apesar do nosso corpo produzir endocanabinóides, o sistema pode receber suplementos de fora. Estes, por sua vez, podem ser encontrados em algumas plantas, como a cannabis.

Inclusive, o sistema endocanabinóide só foi descoberto, graças aos estudos de cannabis e a sua ação no corpo humano.

Não apenas na cannabis, mas também em uma variedade de plantas ricas em fitocanabinóides, também conhecidos como canabinóides exógenos.

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Os fitocanabinóides, têm uma função parecida com a dos endocanabinóides.

Dentro do nosso organismo eles funcionam com um substituto, imitam a maneira de interagir com os receptores CB1 e CB2 e manter tudo em equilíbrio.  

Já se perguntou por que a cannabis gera efeitos no nosso corpo? A planta tem pelo menos 85 tipos diferentes de fitocanabinóides, os dois mais importantes são o THC e o CBD.

Há estudos que mostram que a introdução de fitocanabinóides induz a produção de endocanabinóides e a criação de novos receptores pelo organismo.

Já as plantas, a ação dos fitocanabinóides não está diretamente ligado ao crescimento e ao desenvolvimento das plantas, mas sim uma proteção contra pragas, doenças e radiações ultravioletas.  

THC

Pesquisas mostram que o THC afeta o CB1 e o CB2 da mesma forma que os endocanabinóides agiriam.

Apesar dos efeitos psicoativos, ele pode ser um forte aliado na luta contra dores, crônicas, náuseas, asma, glaucoma e até contra o câncer.

CBD

O canabidiol não se relaciona com os receptores, mas pode agir como antagonista, agindo indiretamente e bloqueando algumas ações. Diferente do THC ele age fisiologicamente.

O CBD pode reduzir e prevenir náuseas, diabetes, inflamações, estresse pós-traumático, epilepsia, esquizofrenia, artrite reumatoide, doenças cardiovasculares, pode ajudar a inibir o crescimento de tumores e até servir como analgésico.

Como o canabidiol age no cérebro?

Quando ingerimos CBD, ele passa pela corrente sanguínea até chegar ao cérebro. Depois disso, eles interagem com os neurônios, que possuem receptores de canabinóides bem aguçados.

Se há falta de anandamida por exemplo,  um neurotransmissor e considerado canabinóide endógeno que ajuda a acalmar e relaxar, o canabidiol pode funcionar como um reforço.

E a maconha? 

Quando ela é consumida, libera um dos canabinóides mais conhecidos: o Tetrahidrocanabinol ou mais comumente chamado de THC.

É ele que dá a sensação de “barato”, fazendo com que o cérebro libere dopamina, o hormônio que dá a sensação de bem-estar. Ele é parecido com a anandamida, que regula o nosso humor, sono, memória e apetite.

É por isso que a pessoa que consome maconha fica “feliz”, sonolenta, não se lembra de muita coisa ou até com fome.

Uma coisa curiosa é que os efeitos são ambíguos, enquanto alguns sentem sonolência e diminuição da atividade motora, muitos tem uma reação contrária, sentirão euforia e intensificação dos movimentos.

Sempre vai depender do indivíduo e da quantidade que ele ingere.

No cérebro a maconha afeta também o equilíbrio, a coordenação motora, a postura e a noção do tempo, por um curto período em que o indivíduo está fumando.

Por isso, é muito importante que o indivíduo não dirija depois de consumir a maconha.

Entenda melhor a ação da maconha no cérebro aqui

 

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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