• 24 de junho de 2022

Níveis de THC em produtos de cannabis têm aumentado nos Estados Unidos

 Níveis de THC em produtos de cannabis têm aumentado nos Estados Unidos

Bom ou ruim? Depois de seis anos que a cannabis foi legalizada em Colorado, houve um avanço na indústria da planta mais rápido do que na ciência, afirmam os especialistas.

Não há dúvidas de que os produtos de cannabis estão evoluindo com o passar dos anos, com novas formas e fórmulas chegando às prateleiras, e os níveis de THC aumentando.

Um relatório sobre este novo cenário e suas implicações, ao qual foi solicitado em 2019 pela Assembleia Geral do Colorado, foi divulgado pelo Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente do Colorado (CDPHE) na segunda-feira  (03/08/20).

O estado de Colorado se juntou a Washington no ano de 2012 para se tornar juntos as duas primeiras jurisdições no planeta a legalizar totalmente o consumo e as vendas de cannabis para os adultos. A partir disso, reguladores de todo o país e do mundo têm observado melhor as experiências desses dois estados e como lidam com muitos obstáculos durante a luta para regularizar a cannabis. 

O relatório tem como foco o THC em vez dos outros canabinóides que geralmente aparecem em concentrações mais baixas na planta. Os dados chegam em uma conclusão de uma série de recomendações direcionadas a educação e redução de danos. 

Apesar de uma atualização do tamanho do mercado e da demanda do Colorado em 2018 ter mostrado que a flor de cannabis pode representar a maioria de todas as vendas de cannabis em todo o estado, muitos produtos a base de plantas, com concentrações mais fortes de THC, também apareceram no mercado legal, conforme as vendas começaram a acontecer em 2014. Esses produtos são os mais diversos, dentre os principais incluem:

  • Líquidos para vaporizadores;
  • Comestíveis;
  • Tinturas;
  • Tópicos;
  • Sprays nasais.

 Depois que as vendas começaram, os adultos têm usado cada vez mais diferentes formas de consumo de cannabis.

Em 2018, o uso de concentrados de dabbing (o ato de ingerir concentrados e óleos) aumentou. Além disso, aqueles que usavam através desse método, fizeram isso com muito mais frequência do que aqueles que relataram fumar, vaporizar ou consumir alimentos com infusão.

Os que usaram cannabis com mais frequência também eram sujeitos a usar mais de uma forma de consumo. 

“Depois de seis anos que a cannabis foi legalizada no varejo de Colorado, é possível perceber que o progresso ocorreu mais rápido na indústria da planta do que na ciência. A quantidade e variedade de produtos de cannabis disponíveis no mercado de varejo são a prova desse rápido avanço ”, concluiu o relatório.

Sabendo que poucos estudos sobre os impactos desses produtos foram feitos. Além disso, houve análise científica sobre a planta e seu consumo durante algumas condições que incluem:

  • Amamentação e gravidez;
  • Efeitos cardiovasculares e respiratórios;
  • Câncer;
  • Efeitos gastrointestinais;
  • Efeitos na saúde reprodutiva.

Os produtos de cannabis não estão apenas se tornando mais diversificados na forma, mas também no percentual de canabinóides. Foi descoberto também que a cannabis vendida nas lojas, geralmente contêm mais THC do que é encontrado nas flores. 

Foi observado que as flores no mercado do estado de Colorado têm em média 19,6% do canabinóide, enquanto algumas lojas de varejo de cannabis contém até 95% do THC em produtos concentrados.  

Além disso, relatos científicos mostram um aumento da concentração de THC acontecendo em todo o mundo e parece estar aumentando com o passar dos anos.

Por que todo esse trabalho em produtos que contêm mais tetraidrocanabinol ?

Uma preocupação é de que a intoxicação vinda do THC pode causar fortes efeitos colaterais, que são piores conforme as doses aumentam . Esses sintomas podem incluir

  • alucinações;
  • paranóia;
  • sentir-se emocionalmente sem resposta.

Um estudo de 2015 mostrou que as pessoas que consumiam produtos contendo mais  tetraidrocanabinol tinham maiores chances de desenvolver o primeiro episódio psicótico em comparação com aqueles que nunca usaram produtos de cannabis

Também foram encontradas evidências de que as pessoas que consomem cannabis com mais de 10% de concentração de tetrahidrocanabinol são mais propensas a serem diagnosticadas com um transtorno psicótico.

Uma revisão feita pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina de 2017 sobre a pesquisa da cannabis, analisou a importância na distinção entre “associação” e “causalidade” entre o uso de cannabis e a esquizofrenia

“As conclusões foram de que há evidências substanciais para apoiar que o uso de cannabis está associado ao desenvolvimento de esquizofrenia e outros transtornos psicóticos. Não que cannabis seja uma causa, mas pode estar associada“, disse Ziva Cooper, Diretora de Pesquisa da Cannabis Research Initiative da UCLA, ao Cannabis Wire em 2019.

Os reguladores do Colorado decidiram em 2016 limitar a concentração máxima de produtos que contém o canabinoide permitida em alimentos com 10 mg de tetrahidrocanadinol por dose, ou 100 mg por produto inteiro.

De acordo com o relatório, “Esta mudança foi solicitada depois que uma preocupação de saúde pública foi levantada devido a relatos de consumo excessivo de THC em adultos e consumo não intencional ou acidental de THC por crianças”. 

“Embora fumar cannabis tenha permanecido o método de consumo mais frequente em 2019, o fumo diminui à medida que o uso de dabing aumenta como o segundo método mais comum de consumo da planta entre estudantes do ensino médio”, segundo as pesquisas..

O relatório foi concluído com recomendações em três áreas de política: educação, pesquisa e vigilância. 

“Nossa capacidade de fazer declarações baseadas em evidências sobre os efeitos à saúde de produtos de cannabis contendo alta concentração de THC é limitada até que mais pesquisas científicas surgem e trazem informações mais claras a respeito. Contudo, a favor da saúde pública, sugerimos o financiamento de pesquisas para responder a essas perguntas ”, conclui o relatório.

Referências 

  • Cannabis Wire
  • Seachat

Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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