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Cannabinologia

Maconha faz mal? O que dizem os estudos



20/08/2025


Com vários estigmas, há muitos mitos e exageros em torno da cannabis. Mas o que é verdade e o que é mito? Será que a maconha faz mal?

Maconha faz mal O que dizem os estudos

Maconha faz mal? O que dizem os estudos

Muitas pessoas se perguntam se a maconha faz mal. A resposta não é tão simples, mas diversos estudos científicos, revisões e relatórios já identificaram vários malefícios da maconha.

Especialmente quando o uso é frequente, precoce ou envolve produtos potentes. Neste texto, vamos abordar os principais riscos do uso da cannabis, incluindo se a cannabis causa danos cerebrais, sua relação com esquizofrenia, e quais são os efeitos colaterais da cannabis.

1. Riscos do uso da cannabis e dependência

Assim como outras drogas, a maconha também pode viciar. Contudo, em níveis bem menores que substâncias pesadas, como crack e heroína, por exemplo.

Segundo algumas revisões da literatura publicada no The New England Journal of Medicine, cerca de 9% dos que experimentam maconha se tornam dependentes. E esse número sobe para um em cada seis (≈17 %) para quem inicia na adolescência.

Entre quem usa diariamente, 25% a 50% apresentam sintomas de dependência, como irritabilidade, insônia e ansiedade na abstinência.

Além disso, relatos indicam que o uso regular aumenta o risco de ansiedade, depressão e psicoses, especialmente em pessoas com vulnerabilidade genética. O uso frequente parece antecipar o primeiro surto psicótico em usuários suscetíveis.

Logo, o uso crônico e precoce implica riscos reais à saúde mental.

2. Cannabis causa danos cerebrais?

Pesquisas apontam que a cannabis causa danos cerebrais, especialmente à cognição, memória e atenção, ainda que a extensão desse dano dependa do padrão de uso.

Como por exemplo, uma revisão que mostra que usuários crônicos têm déficits em áreas como aprendizado verbal, memória de curto prazo, atenção e funções executivas. O impacto aumenta com o início precoce e duração do uso.

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Outro estudo de neuroimagem publicado no Brazilian Journal of Psichortherapy, relata alterações cerebrais em usuários de longo prazo. Como redução do volume do hipocampo e amígdala, embora os achados sejam ainda limitados e careçam de conclusões definitivas.

 Outra pesquisa de 2010 também menciona déficits cognitivos persistentes, incluindo problemas com memória e organização da informação, além de controvérsias sobre reversibilidade após abstinência.

Portanto, a evidência sugere que, sim, a cannabis causa danos cerebrais, sobretudo em uso intenso e precoce, mesmo que parte dos efeitos possa melhorar com abstinência. Mas é mentira dizer que mata neurônios.

3. Cannabis causa esquizofrenia?

A relação entre uso de cannabis e esquizofrenia aparece com frequência na literatura médica, embora seja considerada uma causa componente e não suficiente sozinha.

Uma meta-análise indica que a maconha duplica o risco de psicose e pode responder por 8% a 13% dos casos na população. Além disso, há interação com predisposição genética como o polimorfismo do gene COMT.

Outra revisão conclui que os canabinoides podem induzir sintomas similares aos da esquizofrenia em pessoas com vulnerabilidade, e agravá-los em quem já tem transtorno psicótico – especialmente com uso precoce e pesado.

O risco aumenta em usuários frequentes, que iniciaram cedo, mas destaca que muitos usuários regulares não desenvolvem esquizofrenia, sendo necessário haver fatores de predisposição.

Logo, embora a cannabis não cause esquizofrenia em todos, ela aumenta o risco, sobretudo em pessoas com predisposição a ter a doença e com uso intenso.

4. Efeitos colaterais da cannabis

Os efeitos colaterais da cannabis variam conforme dose, frequência e indivíduos. Entre os mais frequentes estão:

  • Em uso agudo: problemas de memória e atenção, tempo de reação alterado, ansiedade, taquicardia e coordenação prejudicada. Especialmente relevante para atividades como dirigir.
  • Há a síndrome de hiperêmese canabinoide, que causa náuseas e vômitos persistentes em usuários crônicos. Ela frequentemente melhora quando o indivíduo para de usar a cannabis, mas pode obrigar idas ao pronto-socorro.
  • Sintomas de abstinência incluem irritabilidade, insônia, alterações de humor, apetite reduzido e ansiedade.

Em suma, a cannabis causa efeitos colaterais físicos e mentais, muitos dos quais persistem além da intoxicação aguda, sobretudo com uso prolongado.

Maconha faz mal O que dizem os estudos

Maconha faz mal? O que dizem os estudos

5. A cannabis pode ser medicinal

Apesar dos malefícios, a cannabis também pode ser uma importante ferramenta para o mundo médico. Isso porque, através de um sistema único, ela pode ajudar em várias condições diferentes, como:

Isso porque ela atua através do Sistema Endocanabinoide, que está presente na maioria das funções do organismo. Ele ajuda a restaurar a homeostase, ou seja, o equilíbrio de várias funções do organismo.

Contudo, é necessário que a cannabis seja prescrita por um médico ou um dentista habilitado, que poderá prescrever o produto ideal para cada condição.

Leia também: Como a cannabis age no corpo: entenda o mecanismo

Conclusão

A maconha faz mal em vários aspectos, sobretudo quando consumida de forma intensa, repetida ou iniciada na adolescência. Dessa forma, podemos ressaltar que:

  1. Os Malefícios da maconha incluem dependência, sintomas psiquiátricos e prejuízos cognitivos.
  2. Os riscos do uso da cannabis são maiores com uso precoce, frequente ou em doses altas.
  3. Cannabis causa danos cerebrais, especialmente na memória, atenção e função executiva, com possível persistência.
  4. Quando falamos sobre cannabis e esquizofrenia, é certo afirmar que ela pode aumentar o risco em pessoas vulneráveis, mas não é a única causa.
  5. Os feitos colaterais da cannabis vão de ansiedade e alterações motoras a distúrbios gástricos e abstinência.
  6. Apesar de tudo, a cananbis também possui efeitos medicinais importantes que podem ajudar não só na causa do problema, mas também a melhorar a qualidade de vida do paciente.

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