• 8 de maio de 2021

Canabidiol pode reduzir sintomas de psicose

 Canabidiol pode reduzir sintomas de psicose

Imagem do filme Psicose

A eficácia do famoso CBD, extraído da cannabis, é cientificamente comprovada, e pode ser um grande aliado para o distúrbio.

Não é novidade que o uso excessivo da cannabis recreativa pode resultar em algumas psicoses. há até um nome para isso, Psicose Induzida Pela Cannabis (CIP – sigla em inglês).

 Isso acontece por causa de um elemento da cannabis chamado tetra-tetraidrocanabinol (THC), que é o responsável pela sensação de “brisa” da maconha, que pode desencadear alguns distúrbios mentais quando utilizado de forma exagerada, e potencializada quando combinada com predisposição.

No entanto, há também estudos que sugerem que da mesma forma que o THC induz a sintomas de psicose, o canabidiol (CBD), outra substância da planta que não possui efeitos alucinógenos, pode causar um efeito contrário. 

Ele pode ter o poder de reajustar as atividades cerebrais, o que reduz os sintomas de esquizofrenia e bipolaridade.

Isso acontece porque o perfil farmacológico do canabidiol é semelhante a antipsicóticos. O que pode ser identificado em um exame de imagem de ressonância magnética, onde mostra que o CBD atua diretamente nas áreas relacionadas à psicose.  

Sem contar que o CBD parece não produzir efeitos colaterais significativos, comparados às medicações para os distúrbios.

O recomendável é que se use a substância no início dos sintomas.

Mas o que é psicose?

De maneira geral a psicose é um termo usado para descrever alguns comportamentos atípicos, que não condizem com a realidade. Como alucinações, experiências sensoriais com coisas que não existem, a convicção de ideias não fundamentadas, fala incoerente ou agitação. Geralmente a pessoa não percebe o que o seu comportamento mudou.

Ela pode ter causas múltiplas.  Como a utilização de substâncias, lesões no cérebro, privação do sono, excesso de esforço resultando em doenças da mente, como a esquizofrenia e a bipolaridade já mencionadas.

Ela pode ocorrer por rompimentos cognitivos, como pensamentos desorganizados e dificuldades de organização. Também envolve fatores sociais, como isolamento, e até fatores biológicos.

O tratamento sempre vai depender do tipo de psicose e de cada pessoa. Em casos graves, quando há riscos ao paciente, a internação pode ser necessária.

No entanto, na maioria dos casos, o tratamento é feito com o acompanhamento médico, psiquiátrico e psicológico, com a administração de remédios que geralmente geram efeitos colaterais significativos.

 Evidências

Os estudos sobre a relação entre cannabis e a psicose não são novos, na verdade, são bem antigos. A primeira evidência antipsicótica do CBD apareceu em 1982, quando um estudo entre a interação do CBD e THC foi feito.

Um grupo de pessoas saudáveis ingeriu uma quantidade alta do tetraidrocanabinol e depois de canabidiol para saber se ele bloquearia a ansiedade causada pelo THC. O resultado não foi apenas o bloqueio dos efeitos da substância na ansiedade, mas também nos sintomas psicóticos.

Em 1995, uma paciente com esquizofrenia crônica, participou de um estudo para testar o CBD, depois de passar por vários efeitos adversos dos tratamentos convencionais. Foram apenas 4 semanas para os resultados começarem a aparecer.

De acordo com as avaliações usada para medir o nível do distúrbio, os sintomas psicóticos diminuíram consideravelmente. 

Foi graças a publicação do seu relato de caso que estimulou os ensaios clínicos controlados e randomizados (que envolvem mais de uma especialidade. No caso, médicos e psiquiatras) sobre o tema.

Até hoje, já foram três estudos randomizados sobre essa relação.

Imagem do filme Psicose

Aqui no Brasil, a Universidade Pública de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, conhecida por ser a entidade que mais produz estudos científicos sobre canabidiol no mundo, fez um estudo em ratos de laboratório para medir as reações antipsicóticas da substância em 2010, que é chamada de canabinóide.

O grupo do Professor PhD Antônio Zuardi, comparou os efeitos do haloperidol, um medicamento usado para sintomas psicóticos com o CBD. 

O resultado foi semelhante ao remédio, e sem o seu efeito colateral de catalepsia (reação que deixa os músculos rígidos e sem contrações).  

Outro estudo em 2018, publicado JAMA Psychiatry também mostrou que o canabidiol poderia ter efeitos sobre pessoas com alto risco de psicose. 

Dessa vez, feito em humanos, o ensaio clínico também demonstrou a ação do CBD diretamente na área onde ocorre os distúrbios.

O canabinóide foi testado em 33 pessoas com chances de desenvolver psicose e mais 19 pessoas saudáveis. Eles foram divididos em grupos que receberam o CBD, nada e placebos.

 Na pesquisa também ficou evidente que três áreas do cérebro dos participantes que receberam o CBD, estavam mais ativas que as pessoas que não ingeriram o canabidiol, comparados a pessoas saudáveis.

O resultado foi que o canabinóide ajudou a normalizar as três áreas do cérebro. 

 

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Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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