Os desafios para regulamentar a cannabis no SUS são debatidos na Expocannabis 2025. Políticos revelam suas dificuldades na saúde pública.

Políticos relatam as dificuldades de regulamentar a cannabis
Para falar sobre política pública, segurança e cannabis no SUS, quem subiu no palco do último dia da Expocannabis 2025, foram os legisladores, que compartilharam suas experiências e dificuldades sobre o tema.
De partidos com diferentes visões de mundo, os deputados estaduais Eduardo Suplicy (PT-SP), Caio França (PSB-SP), o prefeito de Ribeirão Pires, Gulto Volpi (PL-SP) e a ex-vereadora do Rio de Janeiro Luciana Boiteux (PSOL-RJ), defenderam uma causa em comum: as políticas públicas sobre cannabis medicinal.
Cada um deles compartilhou a sua história. Eduardo Suplicy, por exemplo, contou como a cannabis foi importante para diminuir os seus tremores, melhorar o seu sono e o seu bem-estar de maneira geral. Diagnosticado com Parkinson há dois anos, o político faz o uso da cannabis através de uma associação, por isso, enfatizou a importância das entidades em uma regulamentação sobre o tema.
“Estou com 81 anos, mas espero viver o suficiente para ver a cannabis medicinal inteiramente legalizada. Tenho conversado bastante com o Teixeira (Paulo Teixeira, ministro do Mapa), o Padilha (Alexandre Padilha, Ministro da Saúde) e até com o presidente Lula, pois essa é uma demanda de todos nós”, ressaltou.
Mesmo sem ter uma experiência pessoal com a cannabis medicinal, o deputado Caio França relatou como o tema chegou até ele. Com a demanda de muitas mães que precisavam da cannabis medicinal para seus filhos, ele pensou que uma lei sobre o assunto poderia resolver o problema. Mas não sabia o quanto seria difícil.
“Foram quatro anos e meio para aprovar o projeto e só foi aprovado depois de muita luta. O Governador (Tarcísio) tinha muita pressão para vetar, mas aprovou porque o seu sobrinho tinha Síndrome de Dravet e usava o óleo (…) mas infelizmente limitou o uso”, relatou.
A lei sancionada em São Paulo, contemplou apenas pacientes com epilepsia resistentes a medicamentos, como a Síndrome Lennox Gastout, Sindrome de Dravet e Esclerose Tuberosa. Também limitou a quantidade de THC (tetrahidrocanabinol) utilizada nos medicamentos.
“Hoje, cerca de 600 famílias já têm o acesso à cannabis no SUS, mas o número é muito pouco, comparado com o tamanho do nosso estado”, acrescentou. “Não podemos limitar o tratamento.
O prefeito de Ribeirão Pires também falou sobre a sua experiência com a cannabis. Segundo ele, enquanto muitos políticos não querem se envolver em temas polêmicos, o município mostrou que é possível criar uma política que funcione.
“Quando fui eleito, fizemos um edital para criar uma clínica pública de cannabis. Mostramos na prática que um munincípio pequeno pode fazer acontecer”, comentou.
O projeto é desenvolvido em parceria com a associação Flor da Vida, que já atendeu cerca de 500 pacientes, além de entregar centenas de óleos para famílias carentes.
Luciana Boiteux ressaltou que foi graças a pressões populares que o uso medicinal começou a virar pauta. Mas defendeu que uma política pública precisa se estender para todos e não apenas para uma parte da população. E muito menos se limitar apenas à indústria.
“É muito importante ter uma reparação histórica, que contemple quem mais sofre com a proibição. Essa regulamentação não pode ir apenas para a indústria”, ressaltou.
O deputado Caio França e o prefeito Guto volpi também complementaram que foram as associações que defenderam a cannabis medicinal no início. “A produção industrial não pode excluir as associações”, disse Volpi.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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