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Austrália notifica profissionais por uso indevido da cannabis



15/07/2025


Depois que o número de prescrições de cannabis na Austrália disparou, o governo percebeu que havia algo de errado 

Austrália notifica profissionais por uso indevido da cannabis

Austrália notifica profissionais por uso indevido da cannabis

Neste mês, o órgão de fiscalização dos profissionais de saúde da Austrália notificou mais de 50 prescritores de cannabis medicinal. A justificativa do órgão foi as práticas inadequadas de prescrição e a crescente demanda dos consumidores estão causando danos “significativos” aos pacientes.

Na última semana, a AHPRA  (Australian Health Practitioner Regulation Agency) ainda divulgou novas diretrizes que incentivam os prescritores a colocar o bem-estar do paciente acima dos lucros.

Isso porque as prescrições de cannabis medicinal estão aumentando rapidamente devido às empresas de telessaúde que oferecem um local único para acesso rápido à cannabis medicinal.

Coerção dos pacientes?

O órgão regulador disse que algumas empresas estavam usando “publicidade agressiva e às vezes enganosa, direcionada a pessoas vulneráveis”. Além de questionários online que orientavam os pacientes a dizer “a coisa certa” para justificar a prescrição.

Dessa forma, a AHPRA tomou medidas contra 57 médicos, farmacêuticos e enfermeiros por práticas de prescrição de cannabis medicinal.

“Estamos investigando mais 60 neste exato momento. E para aqueles que optarem por não atender aos nossos requisitos, iremos visitá-los em breve”, disse o presidente-executivo da AHPRA, Justin Untersteiner.

Prescrição excessiva e inadequada

A repressão ocorre depois que uma série de investigações do portal de notícias ABC revelaram que pacientes com histórico de psicose foram hospitalizados após receberem prescrição de cannabis medicinal e um paciente morreu após prescrição inadequada.

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As investigações também revelaram preocupações de médicos que disseram estar sendo tratados como traficantes de drogas e pressionados a prescrever cannabis medicinal pelas empresas de telessaúde.

Embora a AHPRA tenha dito que a maioria dos profissionais faz a coisa certa, a agência descobriu meia dúzia de pessoas que emitiram mais de 10.000 receitas em um período de seis meses. Incluindo uma que emitiu mais de 17.000, ou uma a cada quatro minutos em um dia útil.

O Sr. Untersteiner disse que o regulador tinha sérias preocupações com a segurança dos pacientes devido à prescrição excessiva e inadequada.

“Temos visto pacientes chegando a departamentos de emergência com psicose induzida por cannabis medicinal, e isso pode acontecer principalmente quando há pacientes com problemas de saúde mental preexistentes, abuso de substâncias ou outros problemas semelhantes.

Diretrizes para a prescrição

Outra área que preocupou o órgão é a prescrição em quantidades excessivas ou até várias receitas diferentes para um único paciente, para que ele possa experimentar a que melhor lhe convier. “Mais uma vez, isso é completamente inapropriado”, disse ele.

As novas diretrizes da AHPRA afirmam explicitamente que, exceto pela epilepsia infantil, espasmos musculares e dores associadas à esclerose múltipla, câncer e náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, “há pouca evidência para apoiar o uso de cannabis medicinal”.

De acordo com dados da TGA (Therapeutic Goods Administration), as principais condições para as quais a cannabis medicinal está sendo prescrita incluem insônia, dor crônica e ansiedade.

As diretrizes afirmam que a cannabis medicinal não deve ser prescrita como tratamento de primeira linha e só deve ser usada quando houver indicação clínica comprovada e quando outros tratamentos não funcionaram.

Não é para  todo mundo?

A AHPRA também insiste que os pacientes sejam avaliados cuidadosamente, que registros médicos adequados sejam feitos e que uma estratégia de saída seja desenvolvida para ajudar os pacientes a parar de tomar a medicação.

A maioria dos produtos de cannabis medicinal prescritos na Austrália não são aprovados, o que significa que não foram avaliados pela TGA quanto à segurança, qualidade, desempenho ou eficácia, algo que agora os pacientes devem ser informados durante as consultas.

A maioria dos produtos de cannabis prescritos na Austrália também contém THC (tetrahidrocanabinol). O composto causa efeitos psicoativos e os torna medicamentos da Tabela 8 devido aos riscos de uso indevido, abuso e propriedades potencialmente viciantes.

“Não prescrevemos opioides para todos os pacientes que os solicitam, e com a cannabis medicinal não é diferente. A demanda dos pacientes não é um indicador de necessidade clínica”, disse a Dra. Susan O’Dwyer, presidente do Conselho Médico da Austrália.

A AHPRA e os Conselhos Médico, de Enfermagem e Obstetrícia disseram que estavam trabalhando com outros reguladores, como a TGA, e podem investigar profissionais com altas taxas de prescrição, mesmo sem receber reclamações.

Pacientes e médicos são incentivados a relatar práticas inseguras para ajudar a proteger outras pessoas ligando para a Linha Direta de Notificações da AHPRA.

Sobre a conduta observada pela AHPRA:

  • Vários profissionais emitiram mais de 10.000 receitas para produtos de cannabis medicinal em seis meses.
  • Consultas com duração entre alguns segundos e alguns minutos.
  • Prescrever sem motivo legítimo, inclusive porque o paciente solicitou.
  • Deixar de avaliar completamente a saúde mental do paciente e/ou seu histórico de transtornos por uso de substâncias. Fator que leva a resultados adversos graves, como episódios psicóticos.
  • Não verificar a identidade do paciente, incluindo prescrever medicamentos para menores de 18 anos.
  • Prescrever quantidades excessivas de cannabis medicinal em cada receita.
  • Fornecer múltiplas prescrições para um único paciente.
  • Não verificar os sistemas de monitoramento de prescrições em tempo real e, portanto, não ter conhecimento de outros medicamentos prescritos.
  • Não coordenar o atendimento com outros profissionais que tratam o paciente.
  • Automedicação ou prescrição para familiares.
  • Ter um conflito de interesses ao prescrever apenas o produto fornecido pela empresa à qual o profissional está associado.

Texto traduzido do portal ABC News

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Tainara Cavalcante

Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.