Você já ouviu falar sobre a descarboxilação? É um processo muito importante para os consumidores de cannabis, principalmente para aqueles que dependem dos compostos ativos da planta para o uso medicinal.
Descarboxilação é o nome dado ao processo que basicamente altera os canabinóides da cannabis, para melhorar a sua interação com o corpo.
Os ácidos canabinóides, encontrados nos tricomas (auxiliadores na absorção de água) da cannabis crua, são canabinóides inativos, que possuem um anel carboxil (grupo funcional dos ácidos aromáticos) extra ligado à sua cadeia molecular.
Quando descarboxilada, a estrutura molecular desses ácidos canabinóides muda. Durante esse processo, um grupo carboxila é liberado como CO2, com o átomo de hidrogênio.
Isso ocorre para converter o composto anteriormente inativo em uma forma ativa que interage com o corpo de uma maneira completamente diferente.
Uma vez ativados, os canabinóides podem interagir de maneira livre e direta com os receptores do Sistema Endocanabinóide, localizados no cérebro e em todo o corpo.
Essa interação entre eles causa efeitos eufóricos do tetraidrocanabinol, por exemplo.
Sem ser descarboxilado, o THC está presente como THCA, que é uma versão ácida não intoxicante do canabinóide. Portanto, a cannabis que não foi descarboxilada, não terá efeitos eufóricos.
Até agora, existem mais de 100 canabinóides descobertos na cannabis. Para que eles interajam com o corpo da maneira que os consumidores desejam, (na maioria com os efeitos do THC), os canabinóides precisam passar pela reação química da descarboxilação.
É necessária para o consumo de cannabis em comestíveis e tinturas porque ativa a variedade de canabinóides. Mais especificamente, ativa todo e qualquer tetrahydrocannabinol e canabidiol encontrados na planta de cannabis.
Flores de cannabis frescas e não aquecidas contêm ácidos canabinóides, a menos que as flores sejam aquecidas, os compostos permanecem na forma inativa.
Existem alguns benefícios em consumir cannabis crua e ácidos canabinóides não aquecidos, pois contém vitaminas e nutrientes.
O suco de folhas de cannabis e o consumo de brotos crus são populares entre aqueles que procuram aproveitar os ácidos canabinóides. No entanto, isso não causará efeitos eufóricos.
A descarboxilação transforma o THCA em THC e CBDA em CBD, dando aos consumidores acesso aos canabinoides mais procurados.
O THC e o CBD funciona como agonistas parciais (substância capaz de se ligar a um receptor celular e ativá-lo) ou agonistas dos receptores canabinóides do Sistema Endocanabinóide, especificamente os receptores conhecidos como CB1 e CB2.
Esse sistema é uma rede reguladora responsável por controlar muitas das funções do corpo.
Essa interação entre os canabinóides ativados e os receptores de canabinóides, altera a liberação de neurotransmissores no cérebro, produzindo uma série de efeitos.
Os resultados eufóricos do THC, por exemplo, ocorrem porque o canabinoide ativa os receptores CB1 do cérebro.
É por isso que a descarboxilação é uma etapa importante para pacientes com cannabis medicinal que dependem dos efeitos desses compostos ativos.
Ocorre quando pelo menos uma das duas coisas a seguir acontecem:
A descarboxilação parcial, quando a flor seca e envelhece naturalmente durante o processo de cura, e também pode ocorrer quando o material vegetal da maconha é exposto ao calor.
Acontece quando o material de cannabis é deixado a céu aberto, onde inevitavelmente os ácidos canabinóides se converterão em suas formas ativas.
No entanto, é preciso ter cuidado, porque se for deixado em local aberto por muito tempo, ele acabará se degradando.
Secar e curar a flor da cannabis ao longo do tempo, também pode causar a descarboxilação parcial.
Esse processo também pode ser forçado através do aquecendo da cannabis. O material vegetal da planta precisa ser exposto a uma temperatura de pelo menos 220 graus, por cerca de 30 minutos, a fim de garantir a descarboxilação completa.
Isso permitirá que os canabinóides encontrados na cannabis se convertam sem vaporiza-los.
Em caso de comestíveis, o calor interno da própria planta provavelmente não atingirá essa temperatura.
É por isso que muitos aconselham que a flor da cannabis seja descarboxilada antes ser adicionada aos alimentos cozidos.
Quando são expostas a altas temperaturas, descarboxila instantaneamente os canabinóides, como acontece no fumo e na vaporização.
A cannabis ativa o THC e o CBD na fumaça ou no vapor, permitindo que os canabinóides trabalhem rapidamente, e assim que são absorvidos pela inalação.
Depois que a cannabis é descarboxilada, já pode ser consumida de várias maneiras.
Desde que seja usado pouco calor durante todo o processo de descarboxilação, os canabinóides e terpenos serão preservados. Portanto, ainda pode ser fumada e fornecer os efeitos desejados.
Além de fumada ou vaporizada, também pode ser usada para infundir receitas com cannabis ou fazer Cannabutter (manteiga e cannabis).
Lembrando que a cannabis é proibida no Brasil, salvo para uso medicinal mediante a autorização judicial e a importação só pode ser feita com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
No Brasil, a cannabis é aprovada apenas para fins medicinais e só pode ser comprada com receita.
Atualmente, ela pode ser adquirida através de importações, nas farmácias e até por associações de pacientes.
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Referências:
Bruno Oliveira
Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.
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