Com a ajuda de minicérebros, os pesquisadores poderão entender como o CBD pode melhorar a função das células cerebrais

Minicérebros ajudam a investigar depressão e efeitos do CBD
Os pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estão apostando em uma tecnologia inovadora: o cultivo de minicérebros em laboratório. Essas estruturas são versões reduzidas e simplificadas do cérebro humano, criadas a partir de células-tronco.
Embora não tenham consciência, elas conseguem reproduzir funções importantes das células cerebrais, o que permite estudar doenças de forma muito mais precisa.
No mês passado, cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego chamaram atenção ao usar grafeno para acelerar o amadurecimento de minicérebros em pesquisas sobre Alzheimer. Inspirados por esse avanço, os brasileiros decidiram aplicar a mesma estratégia em outro campo urgente: a saúde mental.
O Laboratório de Neuroproteômica da Unicamp já conseguiu criar seus próprios neurônios e minicérebros, segundo reportagem do G1. A pesquisa, que deve durar até cinco anos, quer responder perguntas essenciais.
Entre elas estão: como funciona o metabolismo de energia das células; qual é o papel das células da glia, responsáveis por dar suporte aos neurônios; e como essas estruturas são afetadas em pessoas com diagnóstico de depressão.
Outro ponto central do estudo é avaliar de que forma o CBD (canabidiol) pode melhorar a função das células cerebrais. Esse composto, extraído da planta da cannabis, vem sendo estudado em todo o mundo por seus possíveis efeitos ansiolíticos e antidepressivos.
Ao aplicá-lo em minicérebros, os cientistas conseguem observar diretamente como ele interage com os circuitos neuronais e se pode trazer benefícios reais para o tratamento da depressão.
Além disso, os pesquisadores também pretendem investigar como os antidepressivos já disponíveis no mercado se comportam dentro dos minicérebros. Essa comparação pode indicar se o canabidiol atua de forma complementar ou até mais eficiente em determinados aspectos do funcionamento cerebral.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de um bilhão de pessoas convivem com a depressão em diferentes graus. Embora existam medicamentos e terapias, muitos pacientes não respondem bem aos tratamentos convencionais, o que aumenta a necessidade de novas alternativas.
Com os minicérebros, os cientistas conseguem criar um modelo muito mais próximo da realidade humana, sem precisar depender apenas de estudos em animais.
Assim, é possível acelerar a busca por medicamentos inovadores, entender melhor a biologia da doença e, principalmente, abrir espaço para o uso do canabidiol como parte de futuras estratégias de cuidado em saúde mental.
Se os resultados forem positivos, essa pesquisa pode marcar uma virada importante no combate à depressão, oferecendo esperança para milhões de pessoas em todo o mundo.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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