• 24 de junho de 2022

Eleições 2020: Quem são os candidatos que defendem a cannabis?

 Eleições 2020: Quem são os candidatos que defendem a cannabis?

As eleições estão chegando, por isso, apostar em candidatos com os mesmos princípios pode fazer a diferença. Selecionamos alguns candidatos que são favoráveis a cannabis e talvez você nem sabia.

Novembro chegou e com ele as eleições para prefeito e vereador, que foram adiadas por causa da pandemia.

Talvez o horário político obrigatório na televisão, as notícias e até os panfletos na caixa de correio já mostraram que a concorrência é bem grande.

Por isso, escolher alguém aliado aos seus ideais no dia 15 pode fazer toda a diferença. 

Embora prefeitos e vereadores não sejam os mais indicados para interferir em tratamentos na rede pública ou no cultivo da planta, representantes engajados na causa podem influenciar na opinião pública.

Caso André Barros

Em clima de eleição, um candidato a vereador causou polêmica nas redes sociais.  Concorrendo no Rio de Janeiro, André Barros (PSOL-RJ) gravou um vídeo de campanha em meio a uma plantação de maconha.

O vídeo, que está sendo veiculado nas redes sociais desde o dia 27 de outubro, mostra o candidato aproveitando trocadilhos, como “baseado na sua consciência” ou o final do seu número de inscrição, que é 420.

Quem tomou conhecimento do vídeo foi o Ministério Público Eleitoral (MPE), que pediu esclarecimento ao candidato sobre a mensagem.

Segundo o jornal Gazeta do Povo, que teve o acesso ao documento da ação, o promotor eleitoral David Faria argumentou que o político estaria fazendo “alusão à valorização do consumo de drogas”.

No documento, o promotor ainda acrescentou que falar de maconha está dentro da liberdade de expressão, mas o contexto que o candidato utilizou “parece ultrapassar a livre manifestação do pensamento”.

Em entrevista ao portal de notícias, o candidato a vereador disse que não cometeu crime algum. Também ressaltou que a plantação em que estava era legalizada e que já fez vários vídeos semelhantes.

No entanto, segundo um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2011, se manifestar publicamente o pedido da legalização da maconha não é crime.

Quais são os candidatos que defendem a cannabis?

Pensando no caso inusitado do candidato André Barros, selecionamos alguns políticos que também defendem a cannabis.

O político, por exemplo luta pela legalização da maconha no Brasil, e se considera o advogado do uso recreativo.

Ele também foi o autor da representação contra a decisão judicial que tentou proibir a marcha da maconha em 2009 em alguns estados.

Representação que Supremo Federal em 2011 e permitiu que o evento fosse realizado em todo o país.

O Rio de Janeiro, inclusive, junto com São Paulo são os estados com a maior concentração de candidatos alinhados com a pauta.

Quem disputa a prefeitura em São Paulo e que também defende abertamente a erva é Guilherme Boulos, do PSOL.

O militante já disse até que todo o partido defende a descriminalização. Quando concorreu a presidência, o candidato postou em suas redes sociais que se eleito, legalizaria a maconha.

Candidatos de cidades interioranas também entraram na disputa. Quem defende a implementação da cannabis para fins medicinais em Campinas, é o candidato Raul Pardinho, do Partido Socialismo e Liberdade.

Bia Florentino com uma postura antiproibicionista em Rio Claro e Juan Lomardo em Sorocaba. Ambos em São Paulo e pelo mesmo partido.

Eder Carrara Dos Santos do Podemos também concorre em Poá.

Vinculações

 Candidatos com a pauta não estão na luta das urnas sozinhos. Muitos, são vinculados a alguma instituição ou movimento.

Como por exemplo, a Granja Coletiva, que lançou o militante Fernando Profeta Verde pelo PSOL em São Paulo. Apesar do nome do candidato, a candidatura é coletiva.

Outros estão ligados indiretamente, como o professor de educação física, Raul Thame, que concorre pelo Partido Verde.

Ele também é Conselheiro da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (SBEC), entidade que promove pesquisas científicas sobre cannabis e ajuda a orientar profissionais sobre a planta.

O militante é apoiado pelo famoso ativista da cannabis Eduardo Jorge, também do Partido Verde.

Assim como o candidato André Barros do PSOL, Raul Thame também escolheu o número 420. A diferença dos dois está nos primeiros números, que correspondem aos seus partidos.

Segundo um levantamento feito pela jornalista Cecília do Lago, ao todo foram registradas 326 candidaturas com o número 420, em referência a maconha.

 

Mães e mulheres engajadas

Mães de pacientes que utilizam o óleo de cannabis artesanal também não ficaram de fora da disputa.

São mulheres que tiveram as suas vidas transformadas pelo poder terapêutico da cannabis, principalmente mães de crianças com convulsões de difícil controle, que precisavam usar uma infinidade de remédios.

Como por exemplo a Bruna Fernanda, que conseguiu o habeas corpus sozinha para o plantio de cannabis para os seus três filhos autistas. Já contamos a história dela aqui.

Ela se candidatou a vereadora pelo PSOL do Rio, e visa uma lei de incentivo às associações do nicho, caso eleita.

O Rio de Janeiro é o único estado que permite que associações e entidades de pesquisas cultivem a planta para fins medicinais e científicos.

Nayara Mazini também é candidata para ocupar o cargo na Câmara Municipal pelo mesmo partido, mas para a cidade de Marília em São Paulo.

Assim como em Goiânia, onde a cannabis foi incluída na distribuição do SUS, a candidata também pretende incluir o tratamento na rede municipal.

Ambas também representam associações canábicas em suas cidades, voltadas ao apoio de pessoas que lutam pelo habeas corpus.

Na Bahia, outra mãe também está na disputa. Marcela Prest se candidatou para a prefeitura de Feira de Santana, também pelo PSOL.

A candidata que defende tanto o uso medicinal quanto o adulto, disse à revista Época que a sua candidatura é “coletiva”, não apenas centrada no voto.

Ela acrescentou que é preciso trazer à tona, uma nova “concepção política”. Apesar do poder de decisão não estar exatamente nas suas mãos, abrir espaço para a discussão é importante.

Ingryd Rodrigues não é mãe, mas é paciente. Ela usa a cannabis para tratar ansiedade, assim como o seu pai, que também faz o uso do fitofármaco para dores crônicas.

Também criadora do projeto Comunicanábicos, a jornalista se candidatou para o cargo de vereadora em Pedro Leopoldo (MG).

O município é bem conservador, por isso, ela aposta no que é chamado de “candidaturas irmãs”, que nada mais é que a troca de experiência com vários candidatos até de partidos diferentes, mas com o mesmo pensamento antiproibicionista.

Alzira Bombonato, que também está concorrendo pelo Partido Socialismo e Liberdade, concorre pela vaga na câmara municipal de São Paulo e tem a cannabis como pauta principal.

A sua mãe de 95 anos tem Alzheimer, e ela defende tanto o tratamento com a cannabis quanto a atenção à idosos, muitas vezes ignorados pela sociedade.

Outra mulher que também candidatou para a vaga de vereadora em São Paulo é Andreza Do Nascimento Almeida, mais conhecida como Zazá.

A militante concorre pelo Partido dos Trabalhadores, ela também tem uma visão antiproibicionista.

Outros estados

Apesar da maior concentração na região sudoeste, alguns nomes em outros estados também defendem  a causa canábica. Como no Pernambuco, onde o candidato Marco Smoke do Avante que concorre em Recife.

Jocigenes Monteiro Da Silva, mais conhecido como Okki das Olindas, também concorre no estado, mas em Olinda.

Lucas Kitão, que foi o autor do projeto para incluir a cannabis distribuição do Sistema Único de Saúde (SUS), também está concorrendo novamente em Goiânia pelo PSL.

Neto Lobo da Rede, pretende alcançar uma cadeira na câmara municipal em Quixadá, no Ceará.

Em Minas Gerais, quem apostou em uma posição antiproibicionista na campanha foi Tiago Antonio dos Santos, conhecido como Tiago Lirou Jhow.

Pelo PSB, o candidato está concorrendo ao cargo de vereador no município de Ibirité, em BH.

Ainda em Belo Horizonte, Dário Ricardo Braga De Moura também concorre ao cargo de vereador pelo Partido Socialismo e Liberdade.

Ele concorre contra Jorge Gabriel do PT, também defensor da cannabis.

Em Florianópolis, Marcos Sodré também aposta no cargo de vereador. 

Já na Paraíba, Ítalo Guedes do PSOL concorre a prefeitura de João Pessoa. Na Bahia, quem aposta na prefeitura da capital é João Carlos Bacelar Batista pelo PODE. O candidato também já foi deputado.

Ele vai disputar com o candidato do PSOL, Hilton Coelho, que também é a favor da cannabis.

Posição Cannalize

Lembrando que não apoiamos nenhum partido ou candidato. O nosso papel é mostrar que há candidatos defensores da causa canábica em todo o país.

Para entender mais sobre o histórico dos seus candidatos, a Justiça Eleitoral disponibilizou o Divulgacand, que ajuda a elucidar os gastos dos partidos e o passado dos candidatos.

Para entender melhor as propostas, você pode recorrer às redes sociais de cada um.

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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