• 27 de outubro de 2020

Câncer de mama: causas, sintomas e tratamentos com Cannabis 

 Câncer de mama: causas, sintomas e tratamentos com Cannabis 

Os estudos científicos sobre a relação da cannabis e o câncer de mama ainda são insuficientes, contudo, demonstram agir na raiz do problema.

O câncer de mama é o câncer mais comum entre mulheres no mundo e também o número dois entre mulheres no Brasil.

Só em 2019 foram quase 60 mil casos. Cerca de uma em cada sete mulheres. É também o câncer que mais mata no mundo. 

No entanto, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), a mortalidade no Brasil é baixa, mas desigual do ponto de vista social.

Como em várias outras doenças, o câncer de mama também se apresenta em maioria nas partes mais carentes do país, e até o nível de escolaridade  reforça esse resultado.

Mas afinal, o que é câncer de mama?

Como a maioria dos cânceres, o câncer de mama se desenvolve a partir de alterações genéticas em algumas células, que passam a se dividir descontroladamente. Também chamado de (CID 10 – C50), essa desordem acontece nos tecidos mamários, principalmente em mulheres acima dos 50 anos.

Cerca de 5% a 10% são fatores hereditários, ou seja, possuem determinadas mutações que podem facilitar o crescimento de um possível nódulo.

Hoje em dia, testes genéticos para saber se há esta predisposição, estão cada vez mais populares, por isso, estão mais em conta.

Há vários tipos de câncer de mama, para entender qual o tipo e fazer um diagnóstico, é necessário levar em consideração alguns aspectos, como:

  •         O tamanho;
  •         Se é invasivo;
  •         Avaliação imunoistoquímica (saber se o tumor tem receptores hormonais).
  •         Tipo histológico (o tipo específico do câncer);

O que é um tumor invasivo?

O câncer pode se manifestar de duas maneiras. Se ele não for invasivo, ele estará contido em uma das mamas sem a possibilidade de se espalhar para o corpo.

Neste caso, o nódulo é revestido em uma membrana onde as células ruins ficam contidas lá dentro.

Porém, se o tumor for invasivo (também conhecido como maligno), tende a romper as membranas e células cancerosas e se espalhar em outras áreas do organismo.  

E a avaliação imunoistoquímica?

Este exame é feito para avaliar se o câncer tem algum receptor hormonal, o que pode ser um sinal ruim, caso positivo.

Infelizmente, a maioria dos cânceres de mama possui estes receptores. Número que pode chegar a 70% dos casos.

O problema é que os receptores atraem o hormônio para si, o que ajuda a multiplicar suas células cancerosas e consequentemente, aumentar o tamanho do tumor.

O que é o tipo histológico?

Esta etapa é caracterizada como uma espécie de classificação do câncer. Para entender o tipo histológico é importante considerar todos os fatores mencionados acima, se é invasivo e se tem receptores hormonais para então começar a fazer um tratamento direcionado.

Veja os tipos mais comuns do câncer de mama:

  •         Carcinoma ducta in situ. Este é o mais frequente. Acontece quando afeta os ductos, canais que conduzem o leite.

Ele não costuma ser invasivo, as células cancerosas costumam ficar todos dentro do nódulo, sem se espalhar para as demais partes do corpo e nem para a corrente sanguínea.

No entanto, ele pode ser multifocal. Ou seja, pode haver vários focos de receptores hormonais na mesma mama, o que pode fazê-lo crescer com facilidade e torná-lo invasivo.

  •         Carcinoma ductal invasivo. Esse é o principal tipo de câncer de mama invasivo, atingindo até 85% das pacientes. Assim como o anterior, ele afeta os ductus da mama, cresce e se espalha justamente por causa dos receptores hormonais.

Através das veias e dos vasos linfáticos ele pode se espalhar para outros órgãos ou apenas aumentar o seu tamanho.

  •         Carcinoma lobular in situ. Com uma incidência bem menor, esse tipo de câncer de mama afeta os lobos mamários, as glândulas que produzem leite. Mas apesar de também ser multifocal, ele não tem a capacidade de invadir outros órgãos.
  •         Carcinoma lobular invasivo. Esse é o segundo tipo mais comum. Ele também nasce nas glândulas que produzem leite, mas como o nome sugere, ele pode crescer ou se espalhar. Tende a afetar as duas mamas.
  •         Carcinoma inflamatório. Também chamado de triplo negativo, é a forma mais agressiva de câncer de mama, mas felizmente é raro. Diferente dos outros, ele raramente possui receptores hormonais.

Este também começa nas glândulas mamárias, mas agora, como uma inflamação.  As chances dele se espalhar para o resto do corpo são grandes, pois ele geralmente apresenta uma grande extensão.

  •         Doença de Paget. Ainda mais raro que o inflamatório, ele se forma nos mamilos, e pode afetar os dois ao mesmo tempo. Este tipo de tumor se manifesta com crostas e inflamações, mas também pode ser assintomático.

Sintomas do câncer de mama

Nas fases iniciais, não é muito comum apresentar algum sintoma. No entanto, eles podem variar de acordo com os estágios da doença.

Um nódulo que pode ser sentido com o toque, por exemplo, já pode ser uma lesão grande.

Por isso, é importante fazer exames preventivos na idade adequada, como a mamografia.

Conforme ele avança e ainda não tenha sido percebido, vermelhidão na pele, inchaço ou calor, podem ser sinais de alerta. Como também nódulos nas axilas, alterações no formato dos mamilos e até secreções escuras podem estar relacionados.

Outro sintoma perceptível e que merece atenção é a pele enrugada, como uma casca de laranja. Em estágios avançados, é possível que uma ferida se abra na mama.

 Fatores de Risco

Infográfico
Fatores de Risco do Câncer de Mama

A matéria prima usada na formação do hormônio é o colesterol. Logo se ele estiver alto, a produção do estrógeno também será grande, o que pode intensificar as chances de um possível tumor.

Outro fator que pode influenciar para o crescimento de um nódulo é a obesidade. Como no processo do colesterol, a gordura que fica na mama pode ser convertida em hormônios estrógenos, o que facilita o surgimento.

Também pode aparecer quando há uma menstruação precoce ou menopausa tardia. No primeiro caso, a produção intensificada do hormônio estrógeno precoce pode levar a uma proliferação desordenada das células mamárias, que podem resultar no tumor.

O maior tempo de exposição do hormônio durante a vida também pode contribuir. O segundo caso é bem parecido com o primeiro. Enquanto a menstruação não cessa, o corpo continua produzindo estrógenos.

Outro enorme fator de risco para o desenvolvimento do câncer é a idade. Depois dos 40 anos há uma maior exposição deste hormônio.

Uma forma de diminuir a produção do hormônio estrógeno é a amamentação. A estimulação das glândulas mamárias diminui o seu nível na corrente sanguínea. Por isso, mulheres que nunca tiveram filhos também devem ficar alertas.

Ter um histórico de câncer de mama ou algum tipo de cisto, mesmo que benigno, pode precisar de atenção.

Tratamento com a cannabis

Assim que se descobre o câncer, há vários tratamentos convencionais para seguir e que são extrema importância.  No entanto, neste artigo vamos focar na cannabis, que pode ser usada como um complemento.

Antes de falar sobre a atuação da cannabis para o tratamento do câncer de mama, é preciso entender como a planta atua no nosso organismo.

Todos os seres humanos, e até alguns animais, possuem um sistema chamado Sistema Endocanabinóide, que ajuda a equilibrar a homeostase, ou seja, o equilíbrio de várias funções do corpo, como fome, humor, sistema imunológico, sistema nervoso entre outros.

Eles atuam por substâncias conhecidas como canabinóides, produzidas pelo próprio organismo.  Elas interagem com receptores, espalhados por todo o corpo, que sinalizam quando algo está errado.

Logo, os canabinóides vão na raiz do problema e restauram o equilíbrio de substâncias desreguladas.

No entanto, o nosso corpo pode produzir poucos canabinóides por uma série de motivos. A falta pode resultar em uma série de condições.

Felizmente eles podem ser encontrados em algumas plantas, verduras e flores também. Mais conhecidos como fitocanabinóides, podem exercer uma função bem parecida com os nossos, quando ingeridos.

A cannabis tem mais de 400 canabinóides, que podem servir como uma espécie de reforço para ajudar a regular a homeostase.

Os canabinóides no câncer de mama

Agora vamos voltar ao câncer de mama. Quando uma mulher faz algum tratamento quimioterápico, pode ter diversos efeitos colaterais. Isso porque o tratamento agressivo ataca não apenas as células com o crescimento desenfreado, mas também às células saudáveis.

Por isso que o cabelo tende a cair, por exemplo.

O tratamento também provoca náuseas, dores, fadigas, perda de apetite sono e afeta até o sistema imunológico. Por isso, complementar o tratamento visando o alívio dos sintomas, pode ser uma opção.

Os canabinóides da cannabis podem ser úteis para todos estes efeitos. Diversas pesquisas já mostraram que ele estimula a fome e combate as náuseas, ajuda a dormir, é analgésico e imunomodulador.

É importante ressaltar que as descobertas da cannabis para o tratamento de cânceres são relativamente novas, por isso, apenas estudos em laboratórios e em animais foram feitos até aqui.

Evidências científicas 

Estudos pré-clínicos têm mostrado que os canabinóides possuem um comportamento bem peculiar sobre as células. Para promover o equilíbrio, ele destrói as células ruins ao mesmo tempo que protege as células sadias.

O próprio Instituto Americano do Câncer admitiu que os canabinóides têm o poder de matar as células cancerígenas, além de impedir o crescimento de mais células defeituosas.

Ela atua como um anti-inflamatório, bloqueando o crescimento das células e também ajudando a prevenir o crescimento de vasos sanguíneos que alimentam o tumor.

Apesar de precisar de mais estudos científicos, os relatos dos pacientes são animadores.

A polêmica sobre o assunto nos Estados Unidos, rendeu até um documentário chamado “Maconha Medicinal: cura ou crime?” que mostra a evolução de pacientes que se trataram com a cannabis medicinal.

Contudo, ainda é cedo para tirar conclusões concretas.  

Infográfico
Link da pesquisa

Outra pesquisa também constatou que dosagens maiores podem provocar a morte das células, ou induzir a apoptose, o que significa, um “suicídio” celular. Os canabinóides também auxiliaram na autofagia, que é o processo de degradação da célula.

Em 2018, outro estudo também viu que a cannabis pode ajudar na prevenção de novos tumores, além de impedir a sua invasão para outras partes do corpo.  

Ação através dos receptores

Lembra do Sistema Endocanabinóide? Então, ele possui vários tipos de receptores no nosso organismo, mas os mais conhecidos são chamados de CB1 e CB2.

Os seios não costumam ter muitos receptores, no entanto, um estudo de 2019 mostrou que os tumores têm. Embora cada nódulo tenha características distintas, pesquisadores israelenses descobriram que tumores invasivos tinham bastantes receptores CB2, mais até que os benignos.

A descoberta permite focar em um tratamento antitumoral com a cannabis, direcionando o tratamento para a raiz do problema. Isso porque a cannabis tem as propriedades encontradas nos remédios convencionais.

Além de proteger as células sadias e se livrar das ruins, ela também possui propriedades encontradas em antitumorais, como a indução de autofagia, a inibição de apoptose e ciclo celular, que de maneira bem simples, é evitar que outras mais células se desenvolvam.

Outro estudo de 2012 mostrou que o CBDa, canabinóide precursor do canabidiol (CBD), pode agir através da ativação do receptor CB2 diminuindo a capacidade de migração do câncer de mama, evitando também o seu crescimento.

Outro canabinóide que também chamou a atenção foi o tetra-tetrahidrocanabinol (THC), principal composto que gera os efeitos psíquicos da cannabis.

O canabinóide tem um efeito antiestrogênico, que pode acontecer graça a modulação dos níveis de expressão dos receptores estrogênios, o que de maneira resumida, gera a ação anti proliferativa das células.

Contudo, algumas outras pesquisas também demonstraram que o THC pode piorar o câncer de mama em nódulos que não tem receptores canabinóides e são mais resistentes a apoptose.

Mas como dito antes, todos estes estudos foram feitos em laboratório, com células isoladas, por isso, precisam de mais investigações.

Resultados melhores

Os canabinóides podem ser usados isoladamente, contudo a cannabis é mais potente quando os canabinóides ou até outros componentes da planta, ficam juntos, ao invés de separados em um efeito chamado entourage ou sinergia.

Conhecido como Efeito entourage ou efeito sinergia, é o conceito de que a junção é mais eficaz. O CBD e o THC, por exemplo, podem ter uma ação 10 vezes maior que separados.

A terapia combinada também é outro fator sinérgico que tem dado certo. A cannabis junto aos tratamentos convencionais demonstrou uma melhor capacidade de resposta, segundo um estudo europeu.

Outro ponto para se destacar é que o extrato da cannabis não é tudo. Pacientes que tiveram melhoras significativas também mudaram seus hábitos alimentares e começaram a praticar exercícios físicos, o que contribui e muito para a recuperação.

Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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