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Cannabis Medicinal e Alzheimer: avanços e perspectivas



16/08/2025


Cannabis Medicinal e Alzheimer avanços e perspectivas

Cannabis Medicinal e Alzheimer avanços e perspectivas

Durante décadas, a hipótese amiloide dominou a pesquisa científica sobre a Doença de Alzheimer. Essa teoria sugere que o acúmulo de placas da proteína beta-amiloide no cérebro é responsável pela disfunção neural, morte de células cerebrais e neuroinflamação. 

Com base nessa hipótese, surgiram medicamentos capazes de eliminar a proteína beta-amiloide do cérebro, promovendo uma desaceleração na progressão da doença. De acordo com ensaios clínicos, esses tratamentos podem retardar o avanço do Alzheimer em aproximadamente 30%.  

Atualmente, a compreensão da doença está se tornando mais ampla e complexa, o que tem impactado diretamente o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. 

Outras alternativas 

Contudo, uma revisão publicada em 3 de junho de 2025, no periódico Translational Research and Clinical Interventions, destaca essa mudança de paradigma. Por volta de 2015, a maioria das pesquisas sobre medicamentos para o Alzheimer ainda se concentrava exclusivamente na eliminação da proteína amiloide.  

Mas hoje, há uma crescente diversidade de alvos terapêuticos em investigação. Estima-se que cerca de um terço dos medicamentos em desenvolvimento para o Alzheimer sejam compostos reaproveitados ou seja, substâncias já aprovadas para outras indicações, com perfil de segurança e toxicidade previamente estabelecido.  

Isso permite um avanço mais ágil e de menor custo nos estudos clínicos. Entre esses fármacos reaproveitados, destaca-se: 

A Nabilona. Trata-se de uma substância análoga sintética do THC (tetrahidrocanabinol), que interage com os receptores canabinoides do corpo (semelhante ao composto ativo da cannabis). 

Ela foi inicialmente desenvolvida para o controle de náuseas e vômitos em pacientes oncológicos, e está presente ha mais de 30 anos no mercado americano. 

Outro exemplo interessante e a guanfacina, usada no tratamento do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ). Pesquisadores investigam se ela pode oferecer benefícios semelhantes aos observados com a cannabis medicinal, especialmente no que se refere a melhora da atenção e da estabilidade emocional. 

Outros exemplos 

A semaglutida, originalmente indicada para o tratamento do diabetes tipo 2 e para a perda de peso. Seus efeitos anti-inflamatórios e metabólicos motivaram sua inclusão em estudos clínicos como possível tratamento para o comprometimento cognitivo leve, estágio inicial do Alzheimer. 

Outro exemplo e a piromelatina, que atua sobre os receptores de melatonina e serotonina no cérebro, substâncias que regulam o sono. Considerando que um sono reparador aumenta a eliminação de proteínas beta-amiloide, acredita-se que esse medicamento possa ajudar a retardar a progressão da doença. 

O mirodenafil, desenvolvido inicialmente para o tratamento da disfunção erétil, também está sendo testado por seus potenciais efeitos neuroprotetores. Por melhorar o fluxo sanguíneo, pode contribuir para a saúde vascular cerebral, um aspecto cada vez mais valorizado nas pesquisas sobre demência. Atualmente, está sendo avaliada como opção para o manejo de sintomas comportamentais e agitação em pacientes com Alzheimer. 

Atualmente, há 182 ensaios clínicos em andamento relacionados ao tratamento do Alzheimer, abrangendo 138 diferentes medicamentos em avaliação. Desses, 12 estudos têm previsão de conclusão ainda em 2025, o que pode trazer novos horizontes terapêuticos para essa condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. 

Sobre as nossas colunas

As colunas publicadas na Cannalize não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem o propósito de estimular o debate sobre cannabis no Brasil e no mundo. Além de de refletir sobre diversos pontos de vista sobre o tema.​

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Dr. Mario Grieco

Médico, especialista em medicina interna e medicina do trabalho, também é pesquisador de Cannabis Medicinal e Fellowship em Internal Medicine nos EUA, onde viveu por 20 anos, obteve a certificação ECFMG. Além do trabalho como pesquisador, é colaborador do ambulatório do hospital das clínicas na faculdade de medicina da USP e professor do curso de pós-graduação lato sensu em Cannabis Medicinal na Ânima-Inspirali. Foi presidente de seis empresas e atualmente é diretor da clínica Cannabis Care. Considerado um dos 20 líderes mais influentes da América Latina no campo de longevidade, recebeu vários prêmios nos Brasil e nos EUA e publicou seis livros, entre eles "Cannabis Medicinal Baseado em Fatos" e "Cannabis medicinal: fatos ou mitos?"