A cannabis no mundo é tratada de formas diferentes. Enquanto alguns lugares é aprovado até o uso recreativo, em outros não é possível utilizar nem a cannabis medicinal

Cannabis no mundo onde é legal e como funciona
O cenário global da cannabis passou por mudanças significativas nas últimas décadas. De uma substância proibida à liberação progressiva, a planta agora ocupa um lugar central em debates sobre saúde pública, economia e liberdade individual.
Hoje, a cannabis legalizada é uma realidade em diversas partes do planeta, tanto para fins medicinais quanto recreativos. No entanto, as regras variam bastante, e entender como cada país regula seu uso é essencial para compreender esse novo panorama.
A seguir, vamos mostrar em quais países a cannabis é liberada, seja para o uso recreativo ou medicinal.
Nos Estados Unidos, a cannabis ainda é ilegal em nível federal. No entanto, mais de 20 estados já legalizaram o uso recreativo.
Entre eles, Califórnia, Colorado e Nova York adotaram legislações que permitem a venda, o cultivo e o consumo da planta com regulamentação específica. Além disso, mais de 35 estados permitem o uso medicinal da cannabis, com prescrições médicas e cadastro dos pacientes.
O Canadá, por sua vez, é um dos exemplos mais consolidados de legalização ampla. Desde 2018, o país permite o uso recreativo da cannabis no mundo de forma pioneira entre os países do G7.
O governo regula a produção e a venda, e os cidadãos podem cultivar até quatro plantas por residência. O uso medicinal já era permitido desde 2001, e a transição para o modelo recreativo ocorreu de forma gradual, com foco na saúde pública e na segurança do consumidor.
Vários países latino-americanos também avançaram na regulação. O Uruguai foi o primeiro país do mundo a legalizar completamente a cannabis, em 2013. O governo controla toda a cadeia produtiva, desde o cultivo até a distribuição. Cidadãos registrados podem comprar cannabis em farmácias, participar de clubes canábicos ou cultivar em casa.
Na Colômbia, o uso medicinal é legal desde 2016, e o país se tornou um polo exportador de derivados de cannabis.
No México, após anos de debate, a Suprema Corte determinou que a proibição da cannabis era inconstitucional, abrindo caminho para uma regulação mais ampla. Porém, o Congresso ainda não aprovou uma legislação definitiva para o uso recreativo.
No Brasil, apenas o uso medicinal da cannabis é autorizado, mediante importação de produtos ou compra nas farmácias por meio de prescrições médicas. O cultivo ainda é restrito a decisões judiciais, principalmente para associações de pacientes e famílias.
Recentemente, o STJ (Suuperiror Tribunal de Justiça) também autorizou a regulamentação do cultivo para a indústria, mas apenas para fins medicinais.
Na Europa, o avanço da legalização ocorre de forma mais cautelosa. Países como Alemanha, Portugal e Suíça têm se destacado por iniciativas recentes.
Em 2024, a Alemanha aprovou uma nova lei que permite o cultivo doméstico e a criação de clubes sociais de cannabis. A venda comercial ainda está em fase de testes, com projetos-piloto em andamento.
Portugal descriminalizou o uso de todas as drogas em 2001, incluindo a cannabis. Isso não significa legalização, mas sim que o porte de pequenas quantidades não gera prisão, e sim encaminhamento para serviços de saúde.
O país também permite o uso medicinal da cannabis, com regulação da Agência Nacional de Medicamentos.
Na Suíça, o governo iniciou programas de estudo com distribuição legal de cannabis para observar os efeitos da legalização. Já a Holanda, conhecida pelos “coffeeshops” de Amsterdã, permite o consumo em estabelecimentos licenciados, embora o cultivo e o fornecimento sigam sem regulamentação clara.
Na maior parte da Ásia, as leis relacionadas à cannabis ainda são bastante rígidas. Países como Indonésia, Japão e Filipinas impõem penas severas, incluindo prisão perpétua ou pena de morte para tráfico.
Por outro lado, alguns países começaram a flexibilizar. A Tailândia surpreendeu o mundo ao se tornar o primeiro país asiático a remover a cannabis da lista de narcóticos.
Inicialmente aprovada apenas para fins medicinais, a legislação tailandesa evoluiu para permitir o cultivo doméstico e o consumo, embora ainda existam debates sobre o uso recreativo em espaços públicos.
Contudo, em junho de 2025, o governo da iniciou um processo para recriminalizar a cannabis no país. Mas apenas para fins recreativos, o uso medicinal continua.
Israel é um caso à parte. O país é referência mundial em pesquisa científica sobre cannabis medicinal e possui uma das legislações mais avançadas da região. Por outro lado, os legisladores ainda não legalizaram o uso recreativo, mas há propostas em discussão.
Na África, a legalização também avança em ritmo desigual. A África do Sul permite o cultivo e consumo pessoal de cannabis, após decisão da Corte Constitucional. Outros países como Zimbábue e Lesoto aprovaram leis que regulam o cultivo para fins medicinais e industriais, especialmente para exportação.
Na Oceania, a Austrália autoriza o uso medicinal da cannabis em âmbito federal, com programas regulados por estados. Já o uso recreativo é permitido apenas no Território da Capital Australiana, onde os adultos podem cultivar e portar pequenas quantidades.
Segundo o World Drug Report 2025, estima-se que 244 milhões de pessoas usaram cannabis ao menos uma vez no último ano. Cerca de 4,6% da população adulta global.
A região com maior prevalência continua sendo a América do Norte, onde 17,4% da população entre 15‑64 anos consumiu cannabis. Tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá.
Ainda assim, o maior produtor de cannabis, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) é o Marrocos, que até aprovou uma lei que regulamenta o uso industrial e medicinal da cannabis em 2021.
Com o avanço das pesquisas científicas, a redução do estigma e o interesse econômico em torno da planta, cada vez mais países analisam formas de regulação. Principalmente quando falamos em uso terapêutico.
O modelo medicinal se consolidou como primeiro passo em muitos lugares, e as experiências com o uso recreativo da cannabis no mundo vêm sendo observadas com atenção.
Atualmente, os países onde a cannabis é legal representam um mosaico de abordagens: alguns com total controle estatal, outros com abertura ao mercado privado, e muitos ainda em fase de testes e pilotos. As diferenças refletem as particularidades culturais, políticas e econômicas de cada região.
Apesar dos avanços, o cenário global ainda enfrenta desigualdades no acesso, sofre com a criminalização seletiva e esbarra em barreiras burocráticas.
O número de países com uso medicinal da cannabis cresce ano a ano, mas a harmonização das leis e o reconhecimento do potencial terapêutico da planta seguem como desafios centrais. A legalização global parece inevitável, mas o caminho ainda será moldado por escolhas políticas, evidências científicas e demandas da sociedade civil.
É possível comprar cannabis no Brasil, mas apenas para fins medicinais e com receita. Você pode adquirir através de importações, nas farmácias e até por associações de pacientes.
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Redação
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