Um dos objetivos do novo núcleo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas é criar um método analítico para a padronização da cannabis

Núcleo busca atuar na padronização da cannabis no Brasil
Com um investimento de 16 milhões por parte do governo de São Paulo, o IPT (O Instituto de Pesquisas Tecnológicas) inaugurou o chamado Nutabes (Núcleo de Tecnologias Avançadas para Bem-Estar e Saúde Aplicados às Ciências da Vida). E entre as linhas de atuação, está o desenvolvimento analítico e o controle de qualidade de produtos à base de cannabis medicinal.
Localizado na Cidade Universitária, em São Paulo, o espaço foi criado para impulsionar pesquisas em saúde humana, animal e ambiental, com um laboratório “multipropósito”. No caso da cannabis, a proposta é oferecer um método de confiança para análises químicas, microbiológicas, de óleos e princípios ativos.
O projeto ainda aguarda aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para começar. Contudo, segundo Amanda Marcante, pesquisadora envolvida no programa, o laboratório já está parcialmente capacitado para padronizar canabinoides e terpenos.
“A ideia é nos capacitar para realizar a caracterização de forma completa, desde a avaliação dos canabinoides, terpenos, microbiológicos até elementos potencialmente tóxicos”, afirma.
Atualmente, as empresas de cannabis medicinal produzem o próprio certificado de análise, onde elas garantem a quantidade de canabinoides, terpenos e informam como a cannabis foi cultivada.
Porém, não há uma padronização. Enquanto algumas marcas informam apenas o teor de CBD (canabidiol) e THC (tetraidrocanabinol), por exemplo, outras também informam a quantidade de terpenos e a qualidade do solo.
E quando falamos em associações, a história se repete, embora nem todas sequer fornecem um certificado de análise. “Pretendemos ser um laboratório acreditado, habilitado, e poder oferecer esse serviço”, diz a Amanda Marcante.
A pesquisadora ainda acrescenta que futuramente o serviço será voltado tanto para a indústria quanto para associações de pacientes, desde que estejam devidamente autorizadas.
“Para esse projeto, existe a possibilidade de participação de associações devidamente autorizadas, com decisão judicial explícita para a produção e fornecimento, estamos em fase de aprovação do projeto na Anvisa”, explica Amanda.

Núcleo busca atuar na padronização da cannabis no Brasil
Além da cannabis, o Núcleo de Tecnologia Avançada também irá trabalhar na construção de outros tipos de tecnologias, como o Xenotransplante. Trata-se da utilização da engenharia genética para viabilizar transplantes de órgãos e tecidos entre diferentes espécies. Como porcos, por exemplo.
Tanto que o núcleo criou até um biotério de suínos (pig facility) de alta tecnologia destinado à criação e manejo de animais geneticamente modificados para os transplantes.
A gerente técnica do Nutabes, Helena Corrêa de Araújo Gomes, destaca que o núcleo foi concebido para acompanhar tendências globais e responder a demandas emergentes. “Com o Nutabes, o IPT amplia sua atuação em áreas de impacto direto na vida da população, como diagnóstico e prevenção de doenças, inovação terapêutica e saúde mental”, afirma.
A atuação em Cannabis medicinal é considerada estratégica, especialmente diante da crescente demanda por produtos seguros e padronizados.
Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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