O GT da cannabis identificou mais de 400 problemas e propôs soluções para tornar o Brasil em uma referência em pesquisas com cannabis no Brasil

Grupo de Trabalho propõe destravar pesquisa com cannabis
Depois de conversar com várias instituições, o GT Cannabis (Grupo de Trabalho de Regulamentação Científica da Cannabis) entregou ontem (14) uma Nota Técnica ao Ministério da Saúde e à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O documento apresenta um amplo diagnóstico sobre os entraves que dificultam o avanço das pesquisas com a cannabis no país e propõe um conjunto de soluções regulatórias e estratégicas para superá-los.
Segundo a chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Beatriz Marti Emygdio, a Nota Técnica serve como subsídio para o processo de regulamentação do cultivo, atualmente em curso no Brasil.
O levantamento envolve universidades federais e estaduais, centros de pesquisa, associações de cannabis medicinal e outros atores estratégicos.
A elaboração do documento foi fruto de um trabalho colaborativo que reuniu representantes de 31 instituições acadêmicas e de pesquisa de todas as regiões do Brasil.
O Nordeste surge como líder em quantidade de centros de pesquisa, seguido pelo Sudeste. Juntas, essas regiões reúnem mais de 60% das instituições e mais de 50% dos profissionais (professores, pesquisadores e pós-graduandos) envolvidos nessa área no Brasil.
As instituições de ciência e tecnologia (as chamadas ICT`s), que incluem universidades e centros de pesquisa, representam aproximadamente 57% do total. Já as associações contribuem com cerca de 17%, enquanto outras instituições, como indústrias, institutos, clínicas, conselhos
municipais e a Polícia Federal, somam as porcentagens restantes.
No total, 132 pesquisadores participaram de uma consulta institucional que identificou nada menos que 481 problemas que impactam diretamente a realização de pesquisas com cannabis em solo nacional.
Esses problemas foram analisados, agrupados e organizados em sete eixos temáticos, que cobriram desde questões burocráticas até limitações técnicas e lacunas regulatórias. Para cada eixo, o GT apresentou soluções acompanhadas de justificativas técnicas.
O diagnóstico do Grupo de Trabalho aponta que os entraves vão desde a demora nos processos de autorização até barreiras para o cultivo e circulação de insumos, como:

Grupo de Trabalho propõe destravar pesquisa com cannabis
A justificativa estratégica presente na Nota Técnica ressalta que as atuais regulamentações da Anvisa, que permitem a importaçõa (RDC 660/22) e a compra nas farmácias (RDC 327/2019), criam ambiguidades que travam a pesquisa.
Como por exemplo, o limite de THC, o uso de nanotecnologia e até vias de administração. O GT argumenta que as limitações aplicadas à produção comercial não podem se transformar em barreiras para o avanço científico.
O documento defende que superar esses desafios regulatórios representa uma oportunidade para o Brasil.
Isso porque as novas regras permitiriam reduzir a dependência tecnológica em setores farmacêutico e agrícola de alto valor agregado. Além de fortalecer um ecossistema integrado de pesquisa, conectando universidades, institutos, associações, agricultores e indústria, criando bases para uma cadeia produtiva inovadora e competitiva, por exemplo.
O GT também defende que um ambiente regulatório claro, previsível e ágil também teria outro efeito benéfico: atrair investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento.Isso pode acelerar a transformação de descobertas científicas em produtos e fomentar parcerias estratégicas entre academia e indústria.
“Essa insegurança jurídica demanda uma regulamentação específica que atenda às necessidades da comunidade científica e posicione o país como referência internacional no campo. As limitações e restrições impostas à produção comercial de cannabis (agrícola e industrial), não podem se traduzir em limitações para o desenvolvimento científico.” Escreveram no relatório.
Além de apresentar soluções para os sete entraves, a Nota Técnica traz recomendações adicionais para consolidar a pesquisa com cannabis como área estratégica nacional:
O GT alerta que a demora na regulamentação e a manutenção das barreiras atuais aprofundam a dependência tecnológica do Brasil, enquanto países como Estados Unidos, China e Canadá acumulam patentes e dominam o mercado global.
Por outro lado, o vigor acadêmico brasileiro, evidenciado pelo crescente número de pesquisas e pela participação de pós-graduandos, cria condições favoráveis para uma virada estratégica.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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