O novo levantamento da Kaya Mind, mostrou que o mercado de cannabis medicinal cresceu em mais um ano consecutivo. 2026 pode passar de R$1 Bi

Mercado de cannabis medicinal cresce 14% e se aproxima de R$ 1 Bi
De acordo com o novo anuário da Kaya Mind, o mercado brasileiro de cannabis medicinal encerrou 2025 com um faturamento estimado em R$ 970,9 milhões, o maior valor desde que o uso foi aprovado no Brasil, há 10 anos.
Embora o setor não tenha ultrapassado a marca simbólica de R$ 1 bilhão, o crescimento de 14% em relação a 2024 indica amadurecimento e estabilidade. Essa evolução reflete um cenário mais competitivo e regulado, com preços médios em queda e maior acessibilidade para pacientes.
Em 2025, 873 mil brasileiros utilizaram produtos à base de cannabis, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. Esse avanço foi impulsionado pela telemedicina, pela capacitação médica e pela ampliação das vias de acesso.
Hoje, 85% dos municípios do país já registram ao menos um paciente em tratamento, demonstrando que a cannabis medicinal deixou de ser restrita aos grandes centros urbanos e alcançou cidades médias e pequenas.
Além disso, a diversificação das formas farmacêuticas e a regulamentação das farmácias de manipulação, prevista para os próximos meses, devem ampliar ainda mais essa capilaridade.
A interiorização do tratamento é uma tendência clara: municípios com menos de 50 mil habitantes já representam 15% dos pacientes, embora concentrem 30% da população brasileira, sinalizando um potencial de crescimento expressivo.
O mercado brasileiro se estrutura em três principais canais: farmácias, importações e associações. As farmácias oferecem produtos com qualidade regulada, mas ainda enfrentam desafios de diversidade e de preço.
Em contrapartida, as importações garantem uma variedade maior de produtos, com mais de 36 formas farmacêuticas. Contudo, o processo é demorado, burocrático e oneroso.
Já as associações representam a via mais acessível, com preços competitivos e forte atuação social, mas operam sob insegurança jurídica enquanto aguardam regulamentação definitiva do cultivo nacional.
Ainda segundo o anuário, em setembro de 2025, 210 pedidos de autorização sanitária para a venda nas farmácias foram protocolados na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sendo 48 aprovados. No entanto, apenas 38 apresentações estão disponíveis para venda, evidenciando barreiras entre a autorização e a efetiva comercialização.
Paralelamente, as importações seguem em alta: a previsão é de 200 mil pedidos até o fim do ano, apesar das sinalizações da Anvisa sobre possíveis restrições. As associações, por sua vez, somam 315 CNPJs ativos, com destaque para o cultivo nacional. Atualmente, 27 hectares são destinados à produção terapêutica.
O setor vive um momento decisivo. A revisão da RDC 327/19 promete ampliar as vias de administração, permitir prescrições odontológicas e simplificar regras para produtos com baixo teor de THC.
Leia também: Anvisa adia a mudança nas regras da cannabis na farmácia
Além disso, a regulamentação do cultivo nacional, determinada pelo STJ, permanece pendente, mantendo o país dependente de insumos importados e elevando custos para pacientes e para o poder público.
Nos últimos dez anos, os gastos governamentais com fornecimento de cannabis medicinal já somam R$ 377,7 milhões, reforçando a necessidade de políticas nacionais mais claras e eficientes.
As projeções indicam que o mercado deve crescer cerca de 15% ao ano, podendo ultrapassar R$ 1,1 bilhão em 2026.
Esse avanço dependerá da consolidação regulatória, da ampliação do acesso e da diversificação de produtos. A cannabis medicinal já se firmou como uma alternativa terapêutica relevante e tende a ocupar espaço cada vez maior na agenda de saúde pública e na indústria farmacêutica brasileira.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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