Levantamento federal mostra redução do consumo entre jovens de 12 a 17 anos, enquanto o uso de cannabis cresce entre adultos no país

Menos adolescentes usam maconha nos EUA
O uso de maconha entre adolescentes voltou a cair nos Estados Unidos. Em 2025, 8,7% dos jovens entre 12 e 17 anos disseram ter consumido cannabis no período de um ano, segundo novos dados da National Survey on Drug Use and Health (NSDUH).
O levantamento é realizado pela Substance Abuse and Mental Health Services Administration (SAMHSA), órgão federal responsável por monitorar indicadores de saúde mental e uso de substâncias nos Estados Unidos.
A redução também aparece quando o recorte considera apenas os 30 dias anteriores à pesquisa. Em 2021, 6,1% dos adolescentes relataram uso de maconha no último mês, cerca de 1,6 milhão de pessoas. Em 2025, a proporção caiu para 5%, ou aproximadamente 1,3 milhão.
O movimento entre adolescentes contrasta com a tendência observada na população adulta.
Leia também: Maconha na adolescência faz mal? O que a ciência diz
Em 2025, 21,2% dos norte-americanos com 12 anos ou mais disseram ter usado cannabis no último ano. Isso representa cerca de 61,6 milhões de pessoas.
A prevalência foi maior entre jovens adultos de 18 a 25 anos, grupo no qual 33,7% relataram consumo. Entre pessoas com 26 anos ou mais, a taxa ficou em 20,6%.
Os dados anteriores da SAMHSA já indicavam essa diferença entre gerações. Em 2024, por exemplo, o aumento do consumo nacional ocorreu principalmente entre adultos mais velhos, enquanto as taxas entre adolescentes permaneceram estáveis.
A tendência chama atenção porque aconteceu durante a expansão da legalização do uso adulto da cannabis nos Estados Unidos.
Durante anos, uma das preocupações apresentadas no debate sobre regulamentação era a possibilidade de que mercados legais aumentassem o consumo entre menores. Até agora, porém, os levantamentos nacionais não identificaram esse crescimento.
A pesquisa Monitoring the Future, financiada pelo National Institute on Drug Abuse (NIDA), também encontrou taxas historicamente baixas ou estáveis entre estudantes em 2025. Entre alunos do último ano do ensino médio, 25,7% relataram uso no último ano, menor índice registrado pelo levantamento desde 1992.
Isso não significa que a legalização tenha provocado a redução. Pesquisas observacionais desse tipo não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito.
Por outro lado, os resultados indicam que a expansão dos mercados regulados para adultos não foi acompanhada pelo aumento generalizado do consumo entre adolescentes previsto por críticos dessas políticas.
O Marijuana Moment destaca que, em 2011, 14,2% dos adolescentes declaravam uso de maconha no último ano, contra 8,7% em 2025. No ano seguinte, Colorado e Washington se tornaram os primeiros estados norte-americanos a aprovar o uso adulto da cannabis.
Entretanto, essa comparação precisa ser interpretada com cautela. A SAMHSA mudou a metodologia da NSDUH durante a pandemia e passou a combinar entrevistas presenciais e pela internet. Segundo a própria agência, dados de 2021 em diante não são diretamente comparáveis aos levantamentos realizados até 2019.
Ainda assim, a queda observada dentro da série comparável mais recente reforça uma tendência encontrada também por outros levantamentos sobre jovens norte-americanos.
A diminuição representa um indicador relevante de saúde pública, mas não altera os cuidados relacionados ao consumo de cannabis durante a adolescência.
Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o cérebro continua em desenvolvimento até aproximadamente os 25 anos. O uso de cannabis durante essa fase, especialmente quando frequente, pode afetar memória, atenção, aprendizagem e outras funções cognitivas. O início precoce também está associado a maior risco de desenvolver transtorno por uso de cannabis.
Os novos números, portanto, não encerram o debate sobre cannabis e juventude. Eles acrescentam uma informação importante: o aumento do acesso legal entre adultos não tem sido acompanhado por uma expansão equivalente do consumo entre adolescentes nos Estados Unidos.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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