Quarta edição terá cinco espaços de conhecimento e pretende conectar ciência, negócios, cultura, agricultura e políticas públicas.

Coletiva de imprensa expocannabis 2026. Foto: Gabriel Henrique
A quarta edição da Expo Cannabis Brasil será realizada nos dias 20, 21 e 22 de novembro de 2026, na São Paulo Expo. Com o tema “Para Além da Planta”, o evento espera receber entre 47 mil e 50 mil visitantes e ampliar a presença de diferentes setores ligados à cannabis.
A organização apresentou os detalhes da nova edição durante uma coletiva de imprensa realizada no Consulado Geral do Uruguai, em São Paulo. O encontro reuniu representantes da organização, da Embrapa, da consultoria Kaya Mind e de áreas como saúde, pesquisa, agronegócio e medicina veterinária.
Antes da feira, no dia 18 de novembro, a organização também promoverá o Cannabis Business Hub. O encontro será direcionado a investidores, empreendedores e profissionais interessados em estabelecer novas parcerias no setor.
Segundo Larissa Uchida, CEO da Expo Cannabis Brasil, a feira recebeu cerca de 21 mil pessoas em sua primeira edição. Para 2026, a expectativa é mais que dobrar esse público.
“A feira acompanha o crescimento do mercado”, afirmou.
Uma pesquisa realizada pela Kaya Mind indica que aproximadamente 90% dos expositores demonstram satisfação com o evento. Além disso, empresas participantes relatam a realização de novos negócios durante os três dias de programação.
De acordo com a organização, a movimentação econômica diretamente relacionada ao evento chega a aproximadamente US$ 1,2 milhão.
Durante a coletiva, Thiago Cardoso, CEO da Kaya Mind, afirmou que o mercado brasileiro também se aproxima de um novo patamar. A consultoria projeta que as vendas privadas de produtos de cannabis — incluindo importações, farmácias e associações — alcancem R$ 1 bilhão.
A proposta de “Para Além da Planta” busca apresentar aplicações que não se restringem aos medicamentos ou ao uso adulto.
A programação deve abordar o uso de fibras, sementes, caules, flores e raízes em setores como construção civil, indústria têxtil, alimentação, cosméticos, biocombustíveis e recuperação de áreas degradadas.
“Queremos mostrar que, além da planta, existem milhares de pessoas construindo esse mercado”, disse Larissa.
A organização também ampliará de três para cinco os espaços dedicados à educação. A programação contará com Fórum Internacional, Congresso Científico Dr. Elisaldo Carlini, workshops, Arena do Conhecimento e um novo Lounge Literário.
Os debates devem reunir profissionais da saúde, pesquisadores, empreendedores, agricultores, autoridades e representantes da indústria.
Questionada pela Cannalize sobre a responsabilidade de conectar esses diferentes atores, Larissa afirmou que a construção não depende apenas da organização da feira.
“Eu me sinto responsável, mas não sozinha. Essa construção acontece junto com todas as pessoas que estão aqui e também com vocês, profissionais da comunicação”, respondeu.
Segundo ela, os três dias de evento representam apenas a parte mais visível de um trabalho realizado durante todo o ano.
“A Expo Cannabis é apenas a parte visível desse trabalho. Durante todo o ano, continuamos desenvolvendo conexões, promovendo debates e trabalhando para que esse tema avance no Brasil.”
Mercedes Ponce de León, cofundadora da Expo Cannabis Uruguai, destacou que Brasil e Uruguai possuem características complementares. Enquanto o Brasil oferece escala produtiva, mercado e experiência agrícola, o Uruguai reúne mais de uma década de experiência regulatória e industrial.
Para Mercedes, o cânhamo pode assumir um papel central nessa aproximação, devido às possibilidades econômicas e ambientais da cultura.
Em outra pergunta da Cannalize, os participantes foram questionados sobre a relação entre regulamentação e opinião pública.
Para Thiago Cardoso, os dois processos acontecem simultaneamente.
“Acho que as duas coisas acontecem em paralelo. E a imprensa tem um papel extremamente importante nessa transformação”, afirmou.
Segundo o executivo, décadas de cobertura baseada na associação entre cannabis, violência e ilegalidade ajudaram a formar parte da percepção atual da sociedade. Agora, a circulação de informações sobre ciência, saúde, economia e políticas públicas pode ampliar a compreensão sobre o tema.
Ao mesmo tempo, mudanças regulatórias também dependem da maneira como a população interpreta a cannabis.
“Quando pensamos em política, economia e cultura, percebemos que esses três elementos caminham juntos. É difícil dizer qual deles vem primeiro”, concluiu.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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