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Saúde e Ciência

Cientistas detectam cannabis no hálito após uso de comestíveis



01/08/2025


Cientistas detectam cannabis no hálito após uso de comestíveis

Cientistas detectam cannabis no hálito após uso de comestíveis

Recentemente, pesquisadores dos Estados Unidos afirmam ter identificado, pela primeira vez, vestígios de canabinoides no hálito humano após o consumo de produtos comestíveis de maconha.

O estudo, liderado pelo NIST (National Institute of Standards and Technology), representa um marco na ciência forense e pode abrir caminho para novos métodos de detecção de uso recente da substância.

A descoberta é considerada inédita. Até então, testes respiratórios só haviam detectado resíduos de cannabis após o uso por inalação, como cigarros, vaporizadores ou bongs.

Agora, com a confirmação de que canabinoides também aparecem no hálito após a ingestão, cientistas acreditam que poderão desenvolver tecnologias mais precisas e menos invasivas para avaliar a presença da droga no organismo.

Como os pesquisadores fizeram o estudo

O estudo foi publicado no Journal of Breath Research. Segundo os autores, os testes envolveram voluntários que consumiram alimentos contendo THC (tetrahidrocanabinol), o principal composto psicoativo da cannabis.

 Os participantes forneceram amostras de ar exalado antes e depois do uso. Os pesquisadores conseguiram identificar o THC e outros metabólitos canabinoides mesmo quando os consumidores comeram e não fumaram.

A principal inovação está na amostragem e análise do ar exalado. O método utilizou um dispositivo semelhante a um bafômetro, acoplado a filtros específicos.

Em seguida, os pesquisadores examinara, em laboratório com técnicas de espectrometria de massa. O nível de precisão surpreendeu até os próprios cientistas, pois o volume de THC no hálito, após o consumo oral, é extremamente baixo, mas ainda assim detectável.

De acordo com a química forense Kavita Jeerage, que liderou a pesquisa, essa é uma descoberta importante para a ciência e a segurança pública.

Ela explica que o próximo passo é entender quanto tempo esses compostos permanecem no hálito após a ingestão. “Queremos saber se é possível estimar há quanto tempo a pessoa consumiu cannabis com base no que detectamos”, afirmou.

Novas abordagens

Esse dado é crucial para aplicações legais e forenses, especialmente em casos de direção sob efeito de drogas. Atualmente, os testes de sangue e urina não são capazes de indicar com precisão o tempo desde o último uso.

Como o THC pode permanecer no organismo por dias ou até semanas, esses exames muitas vezes falham em diferenciar usuários recentes de pessoas que consumiram a substância dias antes.

Nesse contexto, a identificação de cannabis no hálito se apresenta como uma alternativa promissora. Um teste rápido e confiável poderia ajudar a avaliar a capacidade de um motorista no momento da abordagem, por exemplo.

Isso pode contribuir para políticas mais justas e eficazes no combate à direção sob influência de substâncias.

Entender mais sobre a metabolização da cannabis

Contudo, os pesquisadores alertam que ainda há muito a ser feito. A concentração de THC detectada no hálito é mínima, e os padrões de absorção variam entre indivíduos. Fatores como metabolismo, tipo de alimento, quantidade ingerida e tempo desde o consumo influenciam diretamente os resultados.

Apesar dos desafios, a equipe do NIST acredita que o estudo abre portas para uma nova geração de testes de cannabis

. “É um passo significativo rumo a métodos menos invasivos e mais rápidos de detecção”, declarou Jeerage. Ela também destacou o potencial uso da técnica em ambientes clínicos e laboratórios, além das ruas.

A pesquisa não visa apenas melhorar o policiamento, mas também contribuir para a compreensão científica dos efeitos e da metabolização da maconha. Em tempos de legalização crescente e uso medicinal em expansão, entender como a cannabis se comporta no corpo humano é mais urgente do que nunca.

A confirmação da presença de cannabis no hálito após ingestão reforça a complexidade do tema. E coloca a ciência diante de novos desafios para acompanhar as mudanças na legislação e no comportamento da sociedade.

Com informações do portal Marijuana Moment

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