
Cientistas detectam cannabis no hálito após uso de comestíveis
Recentemente, pesquisadores dos Estados Unidos afirmam ter identificado, pela primeira vez, vestígios de canabinoides no hálito humano após o consumo de produtos comestíveis de maconha.
O estudo, liderado pelo NIST (National Institute of Standards and Technology), representa um marco na ciência forense e pode abrir caminho para novos métodos de detecção de uso recente da substância.
A descoberta é considerada inédita. Até então, testes respiratórios só haviam detectado resíduos de cannabis após o uso por inalação, como cigarros, vaporizadores ou bongs.
Agora, com a confirmação de que canabinoides também aparecem no hálito após a ingestão, cientistas acreditam que poderão desenvolver tecnologias mais precisas e menos invasivas para avaliar a presença da droga no organismo.
O estudo foi publicado no Journal of Breath Research. Segundo os autores, os testes envolveram voluntários que consumiram alimentos contendo THC (tetrahidrocanabinol), o principal composto psicoativo da cannabis.
Os participantes forneceram amostras de ar exalado antes e depois do uso. Os pesquisadores conseguiram identificar o THC e outros metabólitos canabinoides mesmo quando os consumidores comeram e não fumaram.
A principal inovação está na amostragem e análise do ar exalado. O método utilizou um dispositivo semelhante a um bafômetro, acoplado a filtros específicos.
Em seguida, os pesquisadores examinara, em laboratório com técnicas de espectrometria de massa. O nível de precisão surpreendeu até os próprios cientistas, pois o volume de THC no hálito, após o consumo oral, é extremamente baixo, mas ainda assim detectável.
De acordo com a química forense Kavita Jeerage, que liderou a pesquisa, essa é uma descoberta importante para a ciência e a segurança pública.
Ela explica que o próximo passo é entender quanto tempo esses compostos permanecem no hálito após a ingestão. “Queremos saber se é possível estimar há quanto tempo a pessoa consumiu cannabis com base no que detectamos”, afirmou.
Esse dado é crucial para aplicações legais e forenses, especialmente em casos de direção sob efeito de drogas. Atualmente, os testes de sangue e urina não são capazes de indicar com precisão o tempo desde o último uso.
Como o THC pode permanecer no organismo por dias ou até semanas, esses exames muitas vezes falham em diferenciar usuários recentes de pessoas que consumiram a substância dias antes.
Nesse contexto, a identificação de cannabis no hálito se apresenta como uma alternativa promissora. Um teste rápido e confiável poderia ajudar a avaliar a capacidade de um motorista no momento da abordagem, por exemplo.
Isso pode contribuir para políticas mais justas e eficazes no combate à direção sob influência de substâncias.
Contudo, os pesquisadores alertam que ainda há muito a ser feito. A concentração de THC detectada no hálito é mínima, e os padrões de absorção variam entre indivíduos. Fatores como metabolismo, tipo de alimento, quantidade ingerida e tempo desde o consumo influenciam diretamente os resultados.
Apesar dos desafios, a equipe do NIST acredita que o estudo abre portas para uma nova geração de testes de cannabis
. “É um passo significativo rumo a métodos menos invasivos e mais rápidos de detecção”, declarou Jeerage. Ela também destacou o potencial uso da técnica em ambientes clínicos e laboratórios, além das ruas.
A pesquisa não visa apenas melhorar o policiamento, mas também contribuir para a compreensão científica dos efeitos e da metabolização da maconha. Em tempos de legalização crescente e uso medicinal em expansão, entender como a cannabis se comporta no corpo humano é mais urgente do que nunca.
A confirmação da presença de cannabis no hálito após ingestão reforça a complexidade do tema. E coloca a ciência diante de novos desafios para acompanhar as mudanças na legislação e no comportamento da sociedade.
Com informações do portal Marijuana Moment
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Redação
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