Do estereótipo cultural ao biohacking de elite: conheça a evolução da relação entre o surf e a cannabis e como o CBD revolucionou a medicina esportiva atual.
Conheça a evolução da relação entre o surf e a cannabis e como o CBD revolucionou a medicina esportiva atual.

A conexão entre o surf e a cannabis é bastante antiga e, nos últimos anos vem passando por uma grande transformação. A relação que nasceu nas praias da Califórnia e do Havaí como um símbolo de rebeldia e estilo de vida alternativo, hoje se encontra no campo da medicina preventiva e da performance.
Para te ajudar a entender onde tudo começou e como a cannabis passou a fazer parte dos cuidados com a saúde, a Cannalize preparou um guia completo sobre essa linha do tempo. Confira!
Entre as décadas de 1970 e 1980, o surf e a cannabis compartilhavam o mesmo status social: ambos eram vistos como atividades marginais, fora dos padrões da sociedade tradicional. Esse estereótipo, inclusive, foi muito reforçado pela indústria norte-americana do cinema nessa época.
Entretanto, mesmo com esse perfil fora dos padrões, os surfistas da época buscavam na cannabis benefícios para a saúde, mesmo que ainda de maneira empírica.
Um bom exemplo, é a descompressão pós atividade física. Depois de passar cinco, seis horas enfrentando águas geladas, correntes fortes e adrenalina constante, a cannabis era utilizada para desacelerar o sistema nervoso.
O uso recreativo da planta também era associado à conexão com a natureza, ou seja, a busca por transcendência e sintonia com o ritmo do oceano.
Apesar do forte estigma e das leis proibitivas da época, a planta já funcionava como um analgésico e relaxante muscular rudimentar para os surfistas que viajavam o mundo atrás da onda perfeita.
A chegada dos anos 2000 marcou uma verdadeira mudança entre o surf e a cannabis, que agora passou a ser medicinal.
A profissionalização do esporte trouxe consigo um mercado bilionário de eventos, o que exigiu que os surfistas se tornassem atletas de elite. Com isso, as rotinas de treinos, descanso e os cuidados com a saúde se tornaram muito mais intensos.
Outro fator que contribuiu para a revolução da relação entre surf e cannabis, foi a descoberta do Sistema Endocanabinoide pela ciência.
A descoberta de que o corpo humano possui receptores específicos (CB1 e CB2) para canabinoides mudou tudo.
A partir de então, os surfistas começaram a perceber que os benefícios da cannabis podiam ser isolados como, por exemplo, o CBD. A novidade permitiu que os atletas buscassem alívio terapêutico sem o efeito de alteração cognitiva (high).
Além do efeito terapêutico, as descobertas sobre o uso medicinal da cannabis abriu um novo mercado.
Aos poucos, foram surgindo marcas de medicamentos, lideradas por surfistas lendários, que ofereciam pomadas texturizadas com CBD e tinturas sublinguais focadas puramente no manejo da dor e na recuperação pós-treino.
Conforme a medicina canábica avançou, a cannabis medicinal passou a se integrar à rotina de treinos e competições dos surfistas da nova geração, cada vez mais preocupados com a alta performance.
Atualmente, a relação entre surf e cannabis medicinal está amparada em três pilares: saúde mental, recuperação física e evidências científicas. Conheça melhor cada um deles:
Participar do circuito mundial de surf ou dropar ondas gigantes em picos como Nazaré em Portugal ou Jaws, no Havaí, exige um controle psicológico imenso.
O medo gera picos extremos de cortisol e adrenalina que, se não forem regulados, podem paralisar o atleta ou exauri-lo rapidamente.
Estudos recentes mostram que doses controladas de CBD atuam nos receptores de serotonina, reduzindo a ansiedade basal e ajudando o surfista a entrar no chamado “Estado de Fluxo”, aquele momento de foco absoluto onde o instinto assume o controle e a mente silencia.
Além disso, o uso noturno melhora a qualidade do sono profundo, fase em que o cérebro processa o aprendizado motor do dia.
Os movimentos repetitivos de remada para pegar uma onda podem gerar hipertensão na coluna lombar e impacto crônico nos tendões dos ombros, também conhecido como manguito rotador.
Antes da descoberta dos efeitos anti-inflamatórios da cannabis medicinal, os atletas dispunham apenas de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como o Ibuprofeno. A grande questão é que, a longo prazo, o remédio poderia causar problemas gástricos e renais.
A alternativa hoje é o CBD, que atua como um anti-inflamatório natural e seguro. Ele bloqueia os mediadores inflamatórios e acelera a regeneração das microlesões musculares.
O uso do medicamento, normalmente, é indicado após treinos pesados, seja através de gotas sublinguais ou de géis tópicos, aplicados diretamente nas articulações sobrecarregadas.
O último pilar da relação entre surf e cannabis está relacionado com a evidência científicas e a mudança das regras antidoping, que passaram por uma verdadeira revolução.
A WADA, a Agência Mundial Antidoping, retirou oficialmente o canabidiol (CBD) da lista de substâncias proibidas.
Isso significa que atletas que competem no circuito mundial da WSL (World Surf League) ou nas Olimpíadas podem utilizar o CBD livremente para se recuperar.
Atenção: Apesar da retirada do CBD da lista de substâncias proibidas da agência antidoping, o THC continua proibido em períodos de competição.
Por isso, os atletas de elite do surf precisam utilizar produtos com a certificação Broad Spectrum (amplo espectro) ou isolados, garantindo níveis de 0,0% de THC para evitar surpresas no exame antidoping.
O CBD não aumenta a força ou a velocidade como um estimulante. Ele atua de forma indireta ao acelerar a recuperação muscular, reduzir dores articulares e controlar a ansiedade.
O que permite que o surfista treine com mais frequência, durma melhor e mantenha a consistência técnica no mar.
Para dores localizadas, os bálsamos e cremes tópicos de CBD são excelentes porque agem diretamente nos receptores da pele.
Para ansiedade, foco e recuperação sistêmica, os óleos sublinguais de Broad Spectrum são os mais recomendados, especialmente para quem compete.
O CBD isolado é 100% permitido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela WADA. Contudo, qualquer produto que contenha vestígios acima do permitido de THC pode gerar uma penalidade por doping.
Rodrigo Svrcek
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