Pesquisa publicada na Nature mostra que substâncias diferentes produzem efeitos cerebrais semelhantes — e isso pode mudar a forma como entendemos a mente

Psicodélicos levam o cérebro ao mesmo estado, revela estudo
Durante décadas, cada psicodélico foi tratado como um universo próprio. A psilocibina, o LSD e a ayahuasca carregam histórias, culturas e estruturas químicas distintas.
No entanto, um novo estudo publicado na Nature aponta para algo inesperado. Em vez de efeitos totalmente diferentes, essas substâncias parecem produzir respostas muito semelhantes no cérebro.
Em outras palavras, apesar das diferenças, o resultado final pode ser praticamente o mesmo.
Para entender melhor esse fenômeno, os pesquisadores analisaram centenas de exames de neuroimagem. Assim, foi possível observar com mais precisão o que acontece no cérebro durante a experiência psicodélica.
Os resultados foram consistentes. Em primeiro lugar, houve um aumento significativo da conectividade global. Além disso, regiões que normalmente operam de forma separada passaram a se comunicar com mais intensidade.
Ao mesmo tempo, redes mais rígidas perderam força. Entre elas, a chamada default mode network, ligada à identidade e ao pensamento repetitivo.
Como resultado, o cérebro deixa um padrão previsível e entra em um estado mais fluido e integrado.
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O ponto mais surpreendente do estudo está na convergência dos efeitos. Embora cada substância tenha uma composição química distinta, todas parecem levar o cérebro a uma configuração funcional semelhante.
Esse estado apresenta características claras. Por exemplo:
Portanto, o cérebro entra em um modo mais flexível e aberto a novas conexões.
Tradicionalmente, a farmacologia parte da ideia de que cada substância produz um efeito específico. No entanto, os resultados desse estudo desafiam essa lógica.
Em vez disso, surge uma nova hipótese. O mais importante pode não ser a substância em si, mas o estado cerebral que ela induz.
Consequentemente, a ciência pode precisar rever como classifica e estuda esses compostos.
Se esses achados se confirmarem, os impactos podem ser amplos.
Por um lado, abre-se espaço para focar menos nos sintomas isolados. Por outro, cresce o interesse em estados mentais mais adaptativos.
Além disso, o cérebro passa a ser visto como um sistema dinâmico. Ou seja, suas conexões podem se reorganizar com mais facilidade do que se imaginava.
Ao mesmo tempo, a experiência subjetiva ganha relevância. Assim, o que a pessoa sente passa a importar tanto quanto o efeito biológico.
Em muitos transtornos, o cérebro opera de forma rígida. Por exemplo:
Nesse contexto, a rigidez se torna um problema central.
Por outro lado, os psicodélicos parecem reduzir esse padrão. Como consequência, o cérebro ganha mais liberdade para criar novas conexões. Ainda que esse efeito seja temporário, ele pode abrir espaço para mudanças mais profundas.
Apesar dos avanços, várias perguntas continuam em aberto.
Ainda não se sabe, por exemplo, por que algumas pessoas respondem melhor do que outras. Da mesma forma, os mecanismos que transformam esse estado em benefícios duradouros ainda não são totalmente compreendidos.
Além disso, o contexto da experiência pode influenciar os resultados. Portanto, o ambiente e o momento também importam.
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Mais do que um avanço técnico, o estudo sugere uma mudança de perspectiva.
Em vez de focar apenas nas substâncias, a ciência pode passar a observar padrões de atividade cerebral.
Assim, a atenção se desloca:
A pesquisa publicada na Nature indica que diferentes psicodélicos compartilham um mesmo mecanismo no cérebro.
Com isso, o campo ganha uma nova hipótese para investigar. Em vez de múltiplos caminhos isolados, pode existir um estado comum que conecta essas experiências.
No fim, essa descoberta aponta para uma ideia central. Talvez o futuro da saúde mental dependa menos das substâncias específicas e mais dos estados mentais que conseguimos acessar.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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