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Maioria dos uruguaios compra cannabis na farmácia



28/11/2025


Mesmo com o autocultivo legalizado, a maioria dos consumidores uruguaios cadastrados compra cannabis na farmácia

Maioria dos uruguaios compra cannabis na farmácia

Maioria dos uruguaios compra cannabis na farmácia

Durante uma das palestras da 3ª edição da Expocannabis Brasil, a cofundadora de LATINNABIS e ExpoCannabis Uruguay, Mercedes Ponce, divulgou o crescimento do consumo e do mercado de cannabis no Uruguai antes e depois da legalização.

O país foi o primeiro do mundo a legalizar e regulamentar a cannabis, tanto medicinal quanto recreativa, em 2013, durante o governo de “Pepe” Mujica. O Uruguai também desenvolveu um mercado medicinal e industrial, exportando flores e derivados para países como EUA, Alemanha e Brasil.

Durante a apresentação, que aconteceu ao lado do ex-secretário-geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai, Milton Romani, Mercedes mostrou que, mesmo a cannabis sendo legal até para o autocultivo, a maioria dos cidadãos compra cannabis na farmácia.

Dos mais de 108 mil usuários registrados no país, 80.804 preferem adquirir a cannabis e seus derivados nas drogarias. Já o cultivo doméstico fica em terceiro lugar, com 11.036 cadastrados, perdendo apenas para membros de clubes, que são um total de 16.693 pessoas.

Crescimento e aceitação

Mesmo antes da legalização, o país viu o número de consumidores crescer. Embora o uso por si só nunca tenha sido crime, a demanda aumentava. Em 2001, por exemplo, 3,3% da população já havia experimentado a substância alguma vez na vida, enquanto o uso nos últimos 12 meses era de 1,4%.

Em 2006, esses números subiram para 5,3% e 3,3%, respectivamente, mostrando que, mesmo sem regulamentação, a tendência de aumento já estava presente. Em 2011, o consumo geral chegou a 8,3%, e o uso recente alcançou 5,6%, indicando uma aceitação social cada vez maior.

Leia também: Políticos relatam as dificuldades de regulamentar a cannabis

A legalização, aprovada em 2013, marcou um ponto de inflexão nessa trajetória. Em 2014, apenas um ano após a regulamentação, o consumo geral atingiu 9,3%, enquanto o uso nos últimos 12 meses chegou a 6,6%.

Esse salto, embora não explosivo, demonstra um efeito imediato da nova política, que reduziu barreiras e estigmas, incentivando tanto o consumo experimental quanto o regular.

Aprovação maior

Aceitação que também foi percebida em números ao longo dos anos. Em 2012, apenas 24% da população era a favor, contra 66% contrários. Dez anos depois, a aprovação aumentou para 45%, enquanto a porcentagem de quem discordava caiu para 48%.

O número de pessoas que não opinavam também diminuiu. Em 2012, eles somavam 10% da população, número que caiu para 7%.

Tanto é que só no ano passado, o número de pessoas que haviam utilizado a cannabis, seja de forma medicinal ou recreativa ao menos uma vez na vida, aumentou para 32,9%.

Impacto da regulação

Com base em dados de uma análise crítica do ex-secretário nacional de drogas do Uruguai, Diego Oliveira, Mercedes destacou que a regulamentação aumentou a percepção de risco e o controle de acesso, o que contribuiu para estabilizar o consumo.

Além disso, o país manteve índices de uso problemático estáveis, em torno de 2,1% desde 2011, e registrou aumento na idade de início do consumo, passando para a faixa dos 18 a 20 anos. Esses dados indicam que a legalização não gerou explosão de consumo nem agravou problemas de saúde pública, diferentemente do que muitos críticos temiam.

Por outro lado, Mercedes também lembrou que, apesar dos avanços, o modelo uruguaio enfrenta grandes desafios, como a necessidade de flexibilizar a regulação para ampliar a cobertura do mercado legal, melhorar a acessibilidade nas farmácias e diversificar produtos.

Para ela, também é  preciso aumentar investimentos em pesquisa e atualizar o marco regulatório sobre drogas. No cenário internacional, barreiras de exportação, limitações logísticas e restrições financeiras dificultam a expansão do mercado.

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Tainara Cavalcante

Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.