A aprovação de um novo medicamento na Alemanha está provocando o que especialistas chamam de a maior revolução na medicina da dor dos últimos 15 anos. Trata-se do Exilby (VER-01), desenvolvido pela empresa farmacêutica europeia Vertanical.
Descubra tudo sobre o Exilby, o primeiro analgésico de Cannabis aprovado para dor crônica. Veja ensaios de Fase 3, bula e eficácia.

O Exilby (VER-01) é o primeiro medicamento à base da cannabis do mundo
A aprovação de um novo medicamento na Alemanha está provocando o que especialistas chamam de um dos marcos regulatórios mais relevantes recentes em terapias não opioides para dor crônica. Trata-se do Exilby (VER-01), desenvolvido pela empresa farmacêutica europeia Vertanical.
O medicamento é primeiro canabinoide full-spectrum aprovado na Europa para dor lombar crônica com componente radicular/neuropático.
Para ajudar você a entender melhor sobre o assunto, a Cannalize preparou um guia embasado em dados clínicos com: ciência fitoquímica da formulação, o desempenho superior contra os opioides nos testes, os impactos econômicos no mercado farmacêutico e como o Brasil se insere neste novo cenário.
Atualmente, de acordo com estudo divulgado pela Universidade John Hopkins, cerca de 30% da população mundial sofre de dores crônicas. Esse percentual é superior ao de pacientes com diabetes, doenças cardiovasculares e câncer somados.
A forma mais comum é a dor lombar crônica, frequentemente acompanhada de um componente neuropático (dor radicular devido a lesões nos nervos).
Os medicamentos atuais para dor crônica não têm conseguido resolver o problema, entre eles:
Proporcionam alívio a longo prazo para apenas cerca de 30% dos pacientes, mas trazem efeitos colaterais devastadores, como a Constipação Induzida por Opioides (OIC), forte depressão respiratória e um risco altíssimo de dependência química e overdose fatal.
Muitas vezes insuficientes para dores neuropáticas severas e causadores de problemas gástricos e renais no longo prazo.
Para tentar resolver esse problema e oferecer um suporte medicinal que respeite o paciente, o Vertanical, liderado pelo médico e fundador Dr. Clemens Fischer, investiu mais de US$ 250 milhões ao longo de sete anos para desenvolver o Exilby VER-01.
O Exilby, diferente dos óleos de CBD artesanais ou dos isolados sintéticos do mercado, é um produto de altíssima biotecnologia botânica.
Ele não tenta isolar um único composto, mas sim transformar o Efeito Entourage em uma medicina farmacêutica rigorosamente padronizada. O que já se sabe da composição do medicamento de acordo com as informações técnicas divulgadas é:
Para que a Vertanical conseguisse aprovar o medicamento nas rigorosas agências europeias, foi necessário executar o maior programa de ensaios clínicos já feito para um fármaco de cannabis.
A análise envolveu cerca de 1.300 pacientes, estudos fase 3 randomizados e controlados, incluindo um estudo duplo-cego versus placebo e um estudo aberto head-to-head versus opioides
O diferencial de ouro dos testes de Fase 3 do Exilby foi o modelo “Head-to-Head” (frente a frente) contra opioides tradicionais. Os resultados foram os seguintes:
Mais importante ainda: ao fim dos ensaios, não houve registro de sintomas de abstinência ou escalada de tolerância, perfil de segurança favorável no período estudado”. Houve apenas eventos adversos como tontura, vertigem e boca seca
O Exilby está posicionado para se tornar o primeiro medicamento Blockbuster de Cannabis do mundo, superando a marca de 1 bilhão de dólares ao ano.
Especialistas estimam um mercado anual superior a US$ 3 bilhões, ofuscando as vendas de outros medicamentos canabinoides famosos, como o Sativex e o Epidiolex.
Europa (2024-2026):
Autorização de comercialização já concedida na Alemanha e na Áustria pelo BfArM. Com a aprovação alemã, o medicamento ganha acesso ao restante da União Europeia via Procedimento de Reconhecimento Mútuo. Submissões para o Reino Unido (MHRA) já estão em andamento.
Estados Unidos:
Historicamente, o FDA americano é extremamente cético com medicamentos botânicos. Contudo, devido à crise dos opioides no país, o FDA concedeu ao Exilby a raríssima Designação de Terapia Inovadora (Breakthrough Therapy Designation).
Ensaios de Fase 3 focados no mercado americano já começaram, com submissão de NDA (New Drug Application) prevista para 2028.
Para o Dr. Guilherme Marques, médico e CMO da Cannect, a aprovação do Exilby® deve ser interpretada menos como uma validação genérica de todos os produtos derivados da cannabis e mais como um marco de maturidade científica e regulatória do setor.
“O ponto central não é apenas a aprovação de um novo produto, mas o caminho percorrido até ela. O VER-01 mostra que um derivado botânico da cannabis pode ser submetido à lógica tradicional do desenvolvimento farmacêutico: padronização da matéria-prima, controle de qualidade, ensaios clínicos randomizados, publicação em periódicos revisados por pares e avaliação por autoridades regulatórias.”, disse.
Segundo ele, os dados disponíveis são relevantes, especialmente pela comparação com opioides:
“O sinal mais consistente do estudo ELEVATE está na melhor tolerabilidade gastrointestinal, com menor risco de constipação, além da ausência de escalada de dose e de sinais de abstinência no período estudado”, contou.
“A superioridade analgésica existe, mas deve ser interpretada com rigor, pois a magnitude média do efeito foi modesta e o estudo comparativo com opioides teve desenho aberto.”, explicou.
Para o cenário brasileiro, Marques avalia que o caso reforça uma mensagem estratégica. “O avanço da medicina canabinoide no Brasil depende de pesquisa clínica, qualidade farmacêutica e responsabilidade regulatória”, afirmou.
“A aprovação do Exilby não deve ser usada para extrapolações apressadas, mas como exemplo de que o setor precisa caminhar cada vez mais em direção à evidência, à rastreabilidade e à segurança do paciente”, finalizou.
Embora o Exilby seja inicialmente comercializado na Europa, pacientes no Brasil já possuem amparo legal para acessá-lo.
Através da RDC 660 da ANVISA, que permite a importação excepcional de produtos à base de cannabis para uso pessoal mediante prescrição e laudo médico, o paciente brasileiro poderá importar o medicamento.
A eventual regularização do medicamento no Brasil dependerá de submissão à Anvisa, enquadramento regulatório e cumprimento dos requisitos sanitários aplicáveis”.
A RDC 1.015/2026 atualiza o marco de produtos de cannabis, mas não autoriza automaticamente um produto específico.
O Exilby é indicado para o tratamento da dor lombar crônica severa associada a dores radiculares (dor neuropática), especialmente para pacientes cujas dores não são bem controladas por analgésicos tradicionais e opioides.
Não. Embora contenha THC, a formulação exata (2,5mg) aliada aos terpenos e outros canabinoides (como o canabigerol ou CBG) modula os receptores de forma que o medicamento não causa intoxicação, euforia incapacitante ou comprometimento cognitivo ou perturbação do estado mental.
Os óleos comuns possuem variações severas de concentração entre lotes e não passaram por ensaios clínicos de Fase 3.
O Exilby é um medicamento de grau farmacêutico validado cientificamente e aprovado por agências governamentais, apresentando resultados padronizados.
Os dados clínicos confirmaram que não. A Constipação Induzida por fármacos não foi observada nos pacientes tratados com o VER-01, representando uma melhoria massiva na qualidade de vida gástrica do paciente.
Na Europa, as vendas iniciam progressivamente entre o final de 2025 e 2026. Nos Estados Unidos, a expectativa de aprovação pelo FDA é para 2028.
No Brasil, o acesso inicial possivelmente dependerá de importação via RDC 660 da ANVISA, e quem sabe em um futuro, integrado aos produtos previstos pela RDC 1.015/2026.
Rodrigo Svrcek
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