A aprovação de um novo medicamento na Alemanha está provocando o que especialistas chamam de a maior revolução na medicina da dor dos últimos 15 anos. Trata-se do Exilby (VER-01), desenvolvido pela empresa farmacêutica europeia Vertanical.
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Conheça o Exilby: o primeiro analgésico do mundo à base de cannabis



19/06/2026


Descubra tudo sobre o Exilby, o primeiro analgésico de Cannabis aprovado para dor crônica. Veja ensaios de Fase 3, bula e eficácia.

Frasco com Exilby (VER-01)

O Exilby (VER-01) é o primeiro medicamento à base da cannabis do mundo

A aprovação de um novo medicamento na Alemanha está provocando o que especialistas chamam de a maior revolução na medicina da dor dos últimos 15 anos. Trata-se do Exilby (VER-01), desenvolvido pela empresa farmacêutica europeia Vertanical. 

O medicamento é o primeiro analgésico de prescrição baseado em extrato de planta inteira de Cannabis com ênfase no uso de maior concentração de THC e tem sua eficácia clínica comprovada em ensaios de Fase 3 e aprovação regulatória formal na Alemanha e na Áustria.  

Para ajudar você a entender melhor sobre o assunto, a Cannalize preparou um guia embasado em dados clínicos com: ciência fitoquímica da formulação, o desempenho superior contra os opioides nos testes, os impactos econômicos no mercado farmacêutico e como o Brasil se insere neste novo cenário. 

Por que o Mundo Precisa do Exilby? 

Atualmente, de acordo com estudo divulgado pela Universidade John Hopkins, cerca de 30% da população mundial sofre de dores crônicasEsse percentual é superior ao de pacientes com diabetes, doenças cardiovasculares e câncer somados.  

A forma mais comum é a dor lombar crônica, frequentemente acompanhada de um componente neuropático (dor radicular devido a lesões nos nervos). 

Os medicamentos atuais para dor crônica não têm conseguido resolver o problema, entre eles:   

Opioides (Morfina, Oxicodona, Tramadol) 

 Proporcionam alívio a longo prazo para apenas cerca de 30% dos pacientes, mas trazem efeitos colaterais devastadores, como a Constipação Induzida por Opioides (OIC), forte depressão respiratória e um risco altíssimo de dependência química e overdose fatal. 

Gabapentinoides e AINEs  

Muitas vezes insuficientes para dores neuropáticas severas e causadores de problemas gástricos e renais no longo prazo. 

Para tentar resolver esse problema e oferecer um suporte medicinal que respeite o paciente, o Vertanical, liderado pelo médico e fundador Dr. Clemens Fischer, investiu mais de US$ 250 milhões ao longo de sete anos para desenvolver o Exilby VER-01. 

O que é o Exilby ? 

Exilby,  diferente dos óleos de CBD artesanais ou dos isolados sintéticos do mercado, é um produto de altíssima biotecnologia botânica.  

Ele não tenta isolar um único composto, mas sim transformar o Efeito Entourage em uma medicina farmacêutica rigorosamente padronizada. 

A “bula” técnica do medicamento revela um nível de precisão inédito na medicina canabinoide: 

  • Genética exclusiva: o extrato de espectro completo (full-spectrum) é derivado de uma cepa proprietária chamada Cannabis sativa DKJ127 L.; 
  • Composição canabinoide: cada dose contém uma proporção rígida, incluindo cerca de 2,5mg de THC (Tetrahidrocanabinol), 0,1 mg de CBG (Canabigerol) e 0,02 mg de CBD (Canabidiol); 
  • Terpenos bioativos: A formulação preserva compostos fundamentais como o β-cariofileno (que se liga aos receptores CB2 modulando a dor sem efeito psicoativo) e o α-bisabolol (um potente mediador anti-inflamatório); 
  • Veículo de administração: O remédio é administrado oralmente em forma de gotas líquidas, utilizando óleo de gergelim como veículo transportador, enriquecido com flavonoides antioxidantes e carotenos para garantir a estabilidade a longo prazo. 

Ensaios clínicos de fase 3: Exilby vs. opioides 

Para que a Vertanical conseguisse aprovar o medicamento nas rigorosas agências europeias, foi necessário executar o maior programa de ensaios clínicos já feito para um fármaco de cannabis.  

A análise envolveu cerca de 1.300 pacientes em estudos controlados, randomizados e duplo-cegos. 

O diferencial de ouro dos testes de Fase 3 do Exilby foi o modelo “Head-to-Head” (frente a frente) contra opioides tradicionais. Os resultados foram os seguintes: 

  1. Redução de dor superior: o VER-01 conseguiu aliviar a dor neuropática lombar de forma até duas vezes mais eficaz que os opioides testados.  Uma proporção significativamente maior de pacientes atingiu os limiares de redução de dor de 30% e 50%. 
  2. Qualidade do sono: pacientes relataram melhorias drásticas nas perturbações do sono relacionadas à dor, quebrando o ciclo de “dor-insônia-depressão”. 
  3. Fim da constipação severa: ao contrário dos pacientes no grupo dos opioides, os usuários do VER-01 não sofreram de Constipação Induzida por Opioides (OIC). 
  4. Zero dependência e intoxicação: Pelo fato da dosagem de THC ser otimizada fitoquimicamente, os pacientes não apresentaram intoxicação (o famoso high).  

Mais importante ainda: ao fim dos ensaios, não houve registro de sintomas de abstinência ou escalada de tolerância, provando ser uma medicação de longo prazo extremamente segura. 

O Roadmap regulatório global  

O Exilby está posicionado para se tornar o primeiro medicamento Blockbuster de Cannabis do mundo, superando a marca de 1 bilhão de dólares ao ano.  

Especialistas estimam um mercado anual superior a US$ 3 bilhões, ofuscando as vendas de outros medicamentos canabinoides famosos, como o Sativex e o Epidiolex.  

Linha do tempo regulatória do Exilby 

Europa (2024-2026):  

Autorização de comercialização já concedida na Alemanha e na Áustria pelo BfArM. Com a aprovação alemã, o medicamento ganha acesso ao restante da União Europeia via Procedimento de Reconhecimento Mútuo. Submissões para o Reino Unido (MHRA) já estão em andamento. 

Estados Unidos:  

Historicamente, o FDA americano é extremamente cético com medicamentos botânicos. Contudo, devido à crise dos opioides no país, o FDA concedeu ao Exilby a raríssima Designação de Terapia Inovadora (Breakthrough Therapy Designation) 

Ensaios de Fase 3 focados no mercado americano já começaram, com submissão de NDA (New Drug Application) prevista para 2028.  

H2 – Como o paciente brasileiro poderá ter acesso? 

Embora o Exilby seja inicialmente comercializado na Europa, pacientes no Brasil já possuem amparo legal para acessá-lo.  

Através da RDC 660 da ANVISA, que permite a importação excepcional de produtos à base de cannabis para uso pessoal mediante prescrição e laudo médico, o paciente brasileiro poderá importar o medicamento.  

A médio prazo, espera-se que a Vertanical utilize a via da RDC 1015 para obter a autorização sanitária e vender o medicamento diretamente nas prateleiras das farmácias brasileiras. 

Principais dúvidas sobre o Exilby (VER-01) 

1. Para que serve o Exilby (VER-01)?  

Exilby é indicado para o tratamento da dor lombar crônica severa associada a dores radiculares (dor neuropática), especialmente para pacientes cujas dores não são bem controladas por analgésicos tradicionais e opioides. 

2. O Exilby dá “barato”?  

Não. Embora contenha THC, a formulação exata (2,5mg) aliada aos terpenos e outros canabinoides como o CBG modula os receptores de forma que o medicamento não causa intoxicação, euforia incapacitante ou comprometimento cognitivo relatado em usos recreativos. 

3. Qual a diferença entre o Exilby e os “óleos de CBD” comuns?  

Os óleos comuns possuem variações severas de concentração entre lotes e não passaram por ensaios clínicos de Fase 3. O Exilby é um medicamento de grau farmacêutico validado cientificamente e aprovado por agências governamentais, apresentando resultados padronizados. 

4. O Exilby causa prisão de ventre como a Morfina?  

Os dados clínicos confirmaram que não. A Constipação Induzida por Opioides (OIC) não foi observada nos pacientes tratados com o VER-01, representando uma melhoria massiva na qualidade de vida gástrica do paciente. 

5. Quando o Exilby chega aos EUA e ao Brasil?  

Na Europa, as vendas iniciam progressivamente entre o final de 2025 e 2026. Nos Estados Unidos, a expectativa de aprovação pelo FDA é para 2028.

No Brasil, o acesso inicial dependerá de importação via RDC 660 da ANVISA, logo após o início oficial das vendas no mercado europeu e mediante cadastro da marca na ANVISA. 

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Rodrigo Svrcek