A relação do Canadá com a cannabis é bem estabelecida. Com apenas três anos de legalização, a indústria de cannabis vale mais de 8 bilhões de dólares canadenses, cerca de 0,3% do PIB em 2018.
Mas ao contrário do que muitos pensavam, a legalização não transformou todos em “maconheiros”. Os investidores tiveram dificuldades no começo, pois o número de consumidores aumentou de 14% para 17% apenas.
Tanto que foi permitido até que adolescentes de 12 a 17 anos portassem até cinco gramas de cannabis desidratada.
Mas um dos pontos mais importantes da legalização foi a diminuição dos delitos. Segundo um estudo publicado na revista Addiction em agosto, os crimes de drogas caíram mais de 50% tanto entre mulheres quanto em homens.
Os dados são da Pesquisa Uniforme Canadense de Relato de Crime (UCR-2), que levantou informações de janeiro de 2015 até dezembro de 2018 de adolescentes até os 17 anos.
Os crimes diários relacionados à cannabis entre meninas, por exemplo, caíram para 4,56 por dia, uma redução de 64,6%.
Entre os meninos, a redução foi de 57,7%.
Realidade que também poderia ser refletida no Brasil. Segundo um estudo do Ministério da Justiça, o tráfico de drogas é de longe o crime mais recorrente nas penitenciárias, superando roubos e furtos.
Para se ter uma ideia, só em 2019 havia mais de 163 mil presos por tráfico de drogas. Só no ano passado, foram queimadas cerca de 2,4 mil toneladas de maconha.
Apesar do número crescente de prisões, o tráfico de maconha não acaba. Segundo um levantamento feito pela câmara dos deputados em 2016, pelo menos mais de cem hectares da planta são descobertos todos os anos no Brasil, isso desde a década de 1990.
O aumento de encarceramento pode estar relacionado à subjetividade da lei, pois cabe ao juiz julgar se a pessoa é traficante ou usuário.
Comprar de forma legal traria uma queda drástica no tráfico de drogas, uma vez que a maconha é o principal produto ilícito.
Sem contar que segundo o relatório da Prohibition Partners, o Brasil poderia movimentar dois bilhões até 2025.
O valor dos produtos à base de cannabis é estipulado apenas para fins medicinais, sem contar o uso recreativo ou industrial. Segundo a pesquisa, até 2020 mais de 23 mil pacientes utilizavam o método alternativo de tratamento.
A expectativa da empresa de dados e inteligência é que esse número cresça 11 vezes mais, chegando a 262 mil pessoas em quatro anos, isso porque o Brasil é considerado o maior mercado da América Latina.
Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduanda na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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