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CBCM: psiquiatra destaca red flags no uso de psicodélicos



10/06/2026


Psiquiatra Maria Isabel Nestarez alerta, no CBCM, para os riscos da prescrição indiscriminada de psicodélicos e canabinoides

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CBCM: psiquiatra destaca red flags no uso de psicodélicos

O avanço das terapias com psicodélicos tem despertado entusiasmo entre médicos, pesquisadores e pacientes. No entanto, em meio às promessas envolvendo substâncias como a psilocibina, especialistas alertam que o uso sem critérios pode trazer riscos importantes à saúde mental.

Durante uma palestra no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM), a médica Maria Isabel Nestarez chamou atenção para as chamadas “red flags” na prescrição de psicodélicos e canabinoides, defendendo uma abordagem mais cuidadosa e baseada em evidências.

Maria Isabel Nestarez

Maria Isabel Nestarez. Foto: Reprodução

Segundo ela, a preocupação surgiu após uma pós-graduação de dois anos em terapia assistida com psicodélicos.

“Eles atentam em relação a isso, que não é uma panaceia. Não é pra sair prescrevendo pra todo mundo”, afirmou.

A médica explicou que o principal problema está na banalização do uso terapêutico dessas substâncias, especialmente sem uma avaliação psiquiátrica adequada. Entre os riscos, ela destacou a possibilidade de desencadear quadros psiquiátricos em pacientes vulneráveis.

“Eu comecei a perceber nos meus pacientes, pra não ter o risco de levar a uma psicose, a uma depressão, uma ansiedade, assim, por besteira”, disse.

Para ela, o debate público ainda se concentra excessivamente nos benefícios dos psicodélicos, enquanto os riscos acabam ficando em segundo plano.

“Todo mundo só fala dos benefícios. Então vamos falar dos riscos.”

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Estudos avançam em depressão, TEPT e ansiedade

Apesar do alerta, Maria Isabel acredita que a ciência avançou significativamente nos últimos anos. Segundo ela, os estudos envolvendo psilocibina já apresentam resultados promissores para diferentes transtornos psiquiátricos.

“Tem vários estudos pra TEPT, que é transtorno de estresse pós-traumático, TOC, depressão, ansiedade.”

Ela citou, inclusive, iniciativas dentro de hospitais universitários voltadas ao tratamento de depressão resistente com psilocibina.

Ainda assim, a médica avalia que existe uma diferença importante entre a produção científica e a aplicação clínica dessas terapias.

“Os estudos estão bem avançados. O que está incipiente ainda é o uso terapêutico na clínica.”

Hoje, o uso de psicodélicos em tratamentos médicos ainda depende de protocolos de pesquisa e aprovações regulatórias específicas, o que limita sua adoção em larga escala.

O futuro da medicina com psicodélicos

Na avaliação da especialista, a consolidação dessas terapias pode acontecer mais rápido do que muitos imaginam. Ela acredita que, nos próximos anos, a psilocibina deve seguir um caminho semelhante ao percorrido pela cannabis medicinal.

“Cinco anos atrás a gente estava falando de cannabis, né? Hoje já é uma realidade.”

Para ela, o avanço dos estudos clínicos será determinante para transformar os psicodélicos em parte da prática médica cotidiana.

“Daqui cinco anos vocês vão ver falando, dando entrevista, falando de psilocibina e prescrevendo.”

Embora o cenário ainda exija cautela, a expectativa é que o desenvolvimento científico e regulatório abra espaço para uma nova geração de tratamentos em saúde mental — desta vez, com protocolos mais claros e maior segurança para médicos e pacientes.

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Lucas Panoni

Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.