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Congresso discute como cannabis ajuda no orgasmo feminino



29/05/2026


Especialistas discutiram como a cannabis pode ajudar mulheres com dificuldade de atingir o orgasmo, reduzindo ansiedade, dor e desconexão corporal.

Wellington Briques em palestra sobre orgasmo feminino

Wellington Briques em palestra sobre orgasmo feminino

Uma apresentação realizada durante o Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal trouxe à tona um tema ainda considerado por muitos um tabu: o uso terapêutico da cannabis para melhorar a saúde sexual feminina.

A palestra do médico Wellington Briques, apresentou estudos clínicos e relatos de caso que associam a cannabis à redução da ansiedade, ao aumento da conexão corporal e à melhora da resposta orgástica em mulheres com dificuldades sexuais.

No entanto, o profissional destacou que a cannabis não funciona como um “afrodisíaco universal”. Em vez disso, o foco da abordagem é restaurar funções afetadas por fatores emocionais, físicos e sensoriais que dificultam o prazer e o orgasmo.

Ansiedade, hipercontrole e dor estão entre os principais obstáculos

Segundo os especialistas, muitas mulheres que enfrentam dificuldade orgástica não sofrem com ausência de desejo sexual. Na prática, o problema costuma envolver ansiedade, excesso de controle mental durante o sexo, desconexão corporal ou presença de dor.

Nesse contexto, a cannabis pode atuar em diferentes frentes.

Primeiramente, a planta ajuda a reduzir a ansiedade antecipatória. Além disso, ela diminui o estado de hipervigilância e o chamado “hipercontrole cognitivo”. Como consequência, a paciente tende a relaxar mais e se sentir emocionalmente segura durante a relação sexual.

Ao mesmo tempo, a cannabis parece ampliar a percepção sensorial e aumentar a presença corporal. Dessa forma, muitas mulheres conseguem se reconectar ao próprio corpo e perceber melhor estímulos agradáveis. Esse efeito chama atenção principalmente em pacientes com ansiedade ou histórico de dor sexual.

palestra orgasmo feminino

Estudos observam melhora na intensidade e frequência do orgasmo

Os dados apresentados no congresso indicam que mulheres que utilizam cannabis antes da relação sexual relatam melhora na facilidade para atingir o orgasmo. Além disso, muitas pacientes relatam aumento da intensidade, da frequência e da qualidade da experiência sexual.

Em alguns casos, os estudos também identificaram relatos de múltiplos orgasmos e maior satisfação global.

Outro ponto importante envolve o alívio da dor. Graças às propriedades analgésicas e anti-inflamatórias da cannabis, mulheres com tensão pélvica, dispareunia e desconfortos corporais podem encontrar mais conforto durante a relação sexual.

Consequentemente, a redução da dor remove barreiras físicas e emocionais que dificultam o prazer.

Apesar dos resultados promissores, os especialistas reforçaram a necessidade de mais ensaios clínicos controlados. Afinal, a comunidade científica ainda precisa padronizar dosagens, formulações e protocolos específicos para a saúde sexual feminina.

O perfil de paciente que mais pode se beneficiar

De acordo com os palestrantes, o grupo com maior potencial de resposta positiva reúne mulheres que mantêm o desejo sexual preservado, mas enfrentam dificuldade para relaxar, se conectar ao corpo e concluir a resposta sexual.

Nesse cenário, mulheres com dificuldade orgástica adquirida aparecem como um dos principais grupos de interesse clínico.

Além disso, especialistas consideram a via oral ou sublingual mais útil em pacientes com ansiedade, hipercontrole emocional e insônia.

Leia também: Para Wellington Briques, THC desafia modelo padrão de medicina

THC, CBD e terpenos ganham destaque

Os especialistas também explicaram quais componentes da cannabis parecem mais relevantes para esse tipo de tratamento.

O THC, em doses baixas, surge como o principal responsável pelos efeitos ligados ao prazer, à sensorialidade, à desinibição e ao orgasmo. Enquanto isso, o CBD atua como modulador. Assim, ele ajuda a reduzir a ansiedade e minimizar possíveis efeitos desagradáveis do THC, como paranoia e desconforto.

Além dos canabinoides, alguns terpenos também ganharam destaque durante a apresentação:

  • Linalol: associado ao relaxamento e à redução da hipervigilância;
  • Limoneno: relacionado à melhora do humor e à diminuição da ansiedade;
  • Beta-cariofileno: ligado ao conforto corporal e ao efeito analgésico.

Segundo os especialistas, a prática clínica atual favorece uma medicina personalizada. Portanto, médicos precisam avaliar se a administração deve ocorrer de forma sistêmica ou local, conforme as necessidades de cada paciente.

palestra sobre orgasmo feminino

Contexto emocional influencia os efeitos

Outro ponto importante envolve o contexto emocional e relacional. Segundo os especialistas, a cannabis tende a amplificar experiências já desejadas e positivas.

Por isso, fatores como segurança emocional, privacidade, ausência de pressa e boa comunicação com a parceria influenciam diretamente os resultados terapêuticos.

Por outro lado, a cannabis não consegue “criar desejo” em relações desgastadas, contextos aversivos ou situações marcadas por fadiga extrema, excesso de álcool ou desconforto emocional.

Mais do que buscar intoxicação ou desempenho sexual, a abordagem apresentada no congresso propõe o uso racional da cannabis medicinal como ferramenta de qualidade de vida, bem-estar emocional e restauração funcional da saúde sexual feminina.

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Lucas Panoni

Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.