
Wellington Briques em palestra sobre orgasmo feminino
Uma apresentação realizada durante o Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal trouxe à tona um tema ainda considerado por muitos um tabu: o uso terapêutico da cannabis para melhorar a saúde sexual feminina.
A palestra do médico Wellington Briques, apresentou estudos clínicos e relatos de caso que associam a cannabis à redução da ansiedade, ao aumento da conexão corporal e à melhora da resposta orgástica em mulheres com dificuldades sexuais.
No entanto, o profissional destacou que a cannabis não funciona como um “afrodisíaco universal”. Em vez disso, o foco da abordagem é restaurar funções afetadas por fatores emocionais, físicos e sensoriais que dificultam o prazer e o orgasmo.
Segundo os especialistas, muitas mulheres que enfrentam dificuldade orgástica não sofrem com ausência de desejo sexual. Na prática, o problema costuma envolver ansiedade, excesso de controle mental durante o sexo, desconexão corporal ou presença de dor.
Nesse contexto, a cannabis pode atuar em diferentes frentes.
Primeiramente, a planta ajuda a reduzir a ansiedade antecipatória. Além disso, ela diminui o estado de hipervigilância e o chamado “hipercontrole cognitivo”. Como consequência, a paciente tende a relaxar mais e se sentir emocionalmente segura durante a relação sexual.
Ao mesmo tempo, a cannabis parece ampliar a percepção sensorial e aumentar a presença corporal. Dessa forma, muitas mulheres conseguem se reconectar ao próprio corpo e perceber melhor estímulos agradáveis. Esse efeito chama atenção principalmente em pacientes com ansiedade ou histórico de dor sexual.

Os dados apresentados no congresso indicam que mulheres que utilizam cannabis antes da relação sexual relatam melhora na facilidade para atingir o orgasmo. Além disso, muitas pacientes relatam aumento da intensidade, da frequência e da qualidade da experiência sexual.
Em alguns casos, os estudos também identificaram relatos de múltiplos orgasmos e maior satisfação global.
Outro ponto importante envolve o alívio da dor. Graças às propriedades analgésicas e anti-inflamatórias da cannabis, mulheres com tensão pélvica, dispareunia e desconfortos corporais podem encontrar mais conforto durante a relação sexual.
Consequentemente, a redução da dor remove barreiras físicas e emocionais que dificultam o prazer.
Apesar dos resultados promissores, os especialistas reforçaram a necessidade de mais ensaios clínicos controlados. Afinal, a comunidade científica ainda precisa padronizar dosagens, formulações e protocolos específicos para a saúde sexual feminina.
De acordo com os palestrantes, o grupo com maior potencial de resposta positiva reúne mulheres que mantêm o desejo sexual preservado, mas enfrentam dificuldade para relaxar, se conectar ao corpo e concluir a resposta sexual.
Nesse cenário, mulheres com dificuldade orgástica adquirida aparecem como um dos principais grupos de interesse clínico.
Além disso, especialistas consideram a via oral ou sublingual mais útil em pacientes com ansiedade, hipercontrole emocional e insônia.
Leia também: Para Wellington Briques, THC desafia modelo padrão de medicina
Os especialistas também explicaram quais componentes da cannabis parecem mais relevantes para esse tipo de tratamento.
O THC, em doses baixas, surge como o principal responsável pelos efeitos ligados ao prazer, à sensorialidade, à desinibição e ao orgasmo. Enquanto isso, o CBD atua como modulador. Assim, ele ajuda a reduzir a ansiedade e minimizar possíveis efeitos desagradáveis do THC, como paranoia e desconforto.
Além dos canabinoides, alguns terpenos também ganharam destaque durante a apresentação:
Segundo os especialistas, a prática clínica atual favorece uma medicina personalizada. Portanto, médicos precisam avaliar se a administração deve ocorrer de forma sistêmica ou local, conforme as necessidades de cada paciente.

Outro ponto importante envolve o contexto emocional e relacional. Segundo os especialistas, a cannabis tende a amplificar experiências já desejadas e positivas.
Por isso, fatores como segurança emocional, privacidade, ausência de pressa e boa comunicação com a parceria influenciam diretamente os resultados terapêuticos.
Por outro lado, a cannabis não consegue “criar desejo” em relações desgastadas, contextos aversivos ou situações marcadas por fadiga extrema, excesso de álcool ou desconforto emocional.
Mais do que buscar intoxicação ou desempenho sexual, a abordagem apresentada no congresso propõe o uso racional da cannabis medicinal como ferramenta de qualidade de vida, bem-estar emocional e restauração funcional da saúde sexual feminina.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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