• 27 de junho de 2022

Uso de cannabis medicinal cresce entre pessoas com transtorno do espectro autista

 Uso de cannabis medicinal cresce entre pessoas com transtorno do espectro autista

Que a cannabis é usada para o controle de diversas condições nós já sabemos. Mas você sabia que o seu uso entre pessoas autistas está aumentando cada vez mais?

Com o passar dos anos, pessoas com autismo e suas famílias têm procurado cada vez mais testar o potencial da cannabis e seus derivados para a melhoria de características e comportamentos relacionados à condição. 

A maioria procura uma alternativa aos medicamentos e terapias usadas com mais frequência.

Mesmo que as evidências anedóticas sobre o assunto estejam disponíveis gratuitamente em fontes como fóruns na Internet, mídia social e boca a boca, ainda faltam muitas pesquisas clínicas sobre a segurança e eficácia da cannabis para o autismo e condições relacionadas.

Mas afinal, o que é o autismo?

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição de neurodesenvolvimento caracterizada por uma deficiência em três domínios: 

  • Interação social;
  • Comunicação;
  • Padrões de comportamento. 

O autismo pode variar significativamente em gravidade e tipos de sintomas levando o nome de ‘transtorno do espectro’.

Os sintomas e comportamentos associados a essa condição geralmente aparecem em uma idade precoce, no entanto, o diagnóstico pode ser confirmado em qualquer idade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente um em 160 crianças em todo o mundo tem um ASD, com os meninos tendo entre três e quatro vezes mais probabilidade de serem diagnosticados do que as meninas.

Mesmo que as causas do autismo não sejam totalmente compreendidas, muitos acreditam que ele esteja ligado a uma série de fatores genéticos e ambientais.


O aumento no uso da cannabis medicinal

Mesmo que a cannabis seja usada por muitos para fins medicinais, espirituais e industriais por milhares de anos, nosso relacionamento com a planta foi um pouco prejudicado no último século, com a maioria dos países ao redor do mundo impondo uma proibição estrita sobre o cultivo. 

No entanto, a pesquisa e o acesso à cannabis aumentaram gradativamente nos anos mais recentes, com um número significativo de países desenvolvendo canais legais de acesso à cannabis medicinal.

Pesquisas têm mostrado que vários compostos encontrados na planta, principalmente os canabinóides como CBD e THC podem ser úteis no tratamento e gerenciamento de uma série de condições, como por exemplo:

Evidências da eficácia da cannabis para controle do autismo

Atualmente, não há medicamentos que tratem dos principais sintomas do autismo. 

A maioria dos remédios que existem são usados para tratar os sintomas de comorbidade, como ansiedade ou sintomas de humor e comportamento agressivo.

No entanto, a eficácia desses medicamentos é questionada e pode estar associada a uma série de efeitos colaterais.

Existe uma crescente evidência anedótica que apóia o uso de produtos de cannabis, incluindo o CBD, como um tratamento alternativo.

Nos Estados Unidos, a cannabis medicinal está disponível com receita em 14 estados desde o ano de  2014. No entanto, ainda há pouca pesquisa clínica nessa área.


Um recente estudo foi realizado para avaliar a eficácia de duas soluções canabinóides orais para participantes com transtorno do espectro do autismo (TEA).

O estudo teve como objetivo construir a partir de evidências existentes de disfunção endocanabinóide em modelos animais de ASD e evidências anedóticas para a eficácia da cannabis medicinal em humanos.

Na análise, cerca de 49% dos 45 participantes que receberam a preparação canabinóide de planta inteira deram uma resposta positiva em comparação com 21% de 47 tratados com placebo. 

Este estudo demonstrou, pela primeira vez em um ensaio controlado com placebo, que o tratamento com canabinoides têm o poder de diminuir comportamentos perturbadores frequentemente associados ao autismo. 

Referências

  • Canex

 

Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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