Entenda os riscos dos antipsicóticos no autismo, efeitos colaterais e quando o uso é necessário segundo psiquiatria Dr. Jairo Coutinho
Entenda os riscos dos antipsicóticos no autismo, efeitos colaterais e quando o uso é necessário segundo psiquiatria Dr. Jairo Coutinho

Os antipsicóticos podem causar efeitos colaterais em pacientes com autismo
Antipsicóticos são utilizados no autismo para controlar comportamentos graves, como agressividade e autoagressão.
No entanto, a administração do medicamento exige um cuidado especial por parte do médico prescritor e do responsável pelo paciente.
Isso porque os antipsicóticos apresentam riscos relevantes à saúde como, por exemplo, ganho de peso, sedação, alterações hormonais e possível impacto emocional.
Por isso, o uso deve ser cuidadosamente monitorado e não substituir as demais terapias em desenvolvimento.
Antipsicóticos como risperidona e aripiprazol são usados não para tratar o autismo em si, mas para controlar sintomas específicos associados à essa condição. Entre os comportamentos mais comuns, estão:
O maior erro de quem busca antipsicóticos para autismo, é achar que a medicação foi desenvolvida para tratar o transtorno de espectro autista (TEA). Entretanto, o Dr. Jairo Coutinho reforça que o objetivo do tratamento é outro:
“Hoje existem basicamente dois medicamentos aprovados, mas eles atuam reduzindo atividade dopaminérgica tentando regular comportamento.”, disse.
Em resumo, os antipsicóticos: não desenvolvem habilidades, não melhoram comunicação e não tratam a neurodivergência.
O uso de antipsicóticos para autismo é uma questão delicada, pois há riscos do medicamento afetar o metabolismo, o funcionamento neurológico, o organismo e comprometer a qualidade de vida do paciente.
Por isso, decidir quando, como e por quanto tempo tratar autistas com antipsicóticos é uma questão delicada que envolve médicos prescritores e responsáveis pelo paciente. Conheça melhor cada um dos riscos.
Um dos efeitos colaterais mais comuns de tratar autismo com antipsicóticos é o impacto no metabolismo do paciente, principalmente em crianças e adolescentes.
Entre os sinais mais comuns dessa alteração, estão o aumento do apetite e ganho acelerado de peso.
No entanto, em caso de uso prolongado, os antipsicóticos podem acarretar o desenvolvimento de maior resistência à insulina, aumento no colesterol e o risco de doenças cardiovasculares.
Outro efeito da prescrição de antipsicóticos é a sedação e a redução da vitalidade. Entre os principais impactos à rotina do paciente, estão:
Apesar de ajudar na redução de crises internas características do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o medicamento pode limitar a interação social, o aprendizado e o desenvolvimento de habilidades.
Os antipsicóticos para autismo podem afetar diretamente o funcionamento do nosso sistema endócrino, o responsável por controlar a produção hormonal. Em consequência disso, é muito comum que os pacientes sofram com:
De acordo com o Dr. Jairo Coutinho, outro efeito do uso de antipsicóticos é o aumento da mama e da lactação, inclusive em homens:
“A risperidona e outros antipsicóticos podem provocar ganho de peso, alterações hormonais, lactação em homens e essa sensação de zumbificação”, relatou.
H3 – Efeitos neurológicos
Por atuarem diretamente no cérebro regulando a liberação de dopamina, os antipsicóticos para autistas podem afetar diretamente o sistema nervoso do paciente. Entre sintomas mais comum dessa interferência, estão:
Por fim, há os efeitos psicológicos e emocionais associados aos antipsicóticos. Mais sutis que os efeitos anteriores, o impacto está ligado à forma como o paciente reage, sente e se relaciona com o seu entorno.
Essa reação acontece porque o medicamento bloqueia totalmente a ação da dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, motivação, emoção, iniciativa e interesse. Por conta disso, é comum que o portador de Transtorno do Espectro Autista (TEA) passe a demonstrar:
A prescrição de antipsicóticos para autismo é recomendada apenas em situações limites como, por exemplo, crises graves, risco de autoagressão e emergências.
Para o Dr. Jairo, o uso indiscriminado do medicamento pode acabar limitando a autonomia do paciente do que ajudar no tratamento.
“Existem situações críticas em que intervenções medicamentosas podem ser necessárias, mas transformar isso em uso contínuo como padrão é problemático”, alertou.
Hoje, na medicina psiquiátrica, há dois tipos e tratamentos para o paciente de TEA. O primeiro tem como foco a contenção das crises. O segundo, tem como objetivo estimular o desenvolvimento da pessoa. Conheça melhor cada um deles:
O modelo de contenção para autismo tem como objetivo bloquear qualquer comportamento indesejado o mais rápido possível.
Com o uso de antipsicóticos, o profissional de saúde tentará reduzir sintomas como agressividade e autoagressão para alcançar a estabilidade imediata do paciente.
O grande problema é que essa técnica, se usada com recorrência em longo prazo, pode travar o desenvolvimento da pessoa e deixá-la anestesiada.
O modelo voltado para o desenvolvimento do paciente é voltado para compreender o comportamento do paciente e estimular a regulação emocional, além do desenvolvimento da comunicação e da interação social.
Nesse caso, o médico responsável pelo tratamento cria estratégias e terapias que vão permitir que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista aprenda a perceber os sinais das crises e se autorregular com o passar do tempo.
Para além da administração de antipsicóticos para a contenção de autistas, é possível adotar acompanhamento multidisciplinar, acompanhamento multidisciplinar, terapias comportamentais, suporte familiar e cannabis medicinal.
A cannabis medicinal tem atuação coadjuvante no tratamento de Transtorno do Espectro Autista, agindo diretamente no manejo dos sintomas.
O CBD é um canabinoide que não é psicoativo, é seguro para o paciente e pode ser usado para modular o comportamento do paciente. O medicamento contribui para reduzir os seguintes sintomas das crises:
O Transtorno do Espectro Autista pode ser tratado tanto com medicamentos convencionais, como terapias alternativas com ajuda da cannabis medicinal.
No entanto, é essencial que o paciente tenha suporte familiar adequado e acompanhamento contínuo por parte do médico prescritor.
Rodrigo Svrcek
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