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Saúde e Ciência

O que é a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide?



03/12/2025


Reconhecida recentemente pela OMS, a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide ou Síndrome da Cannabis, é um distúrbio gastrointestinal associado ao uso frequente e prolongado de cannabis

O que é a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide

O que é a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide

Em outubro deste ano, a OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu oficialmente a Síndrome da cannabis, ou Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) na Classificação Internacional de Doenças. atribuindo-lhe o código R11.16.

Essa decisão marca um passo importante para a comunidade médica, pois permite que hospitais e pesquisadores registrem os casos de forma padronizada, algo que antes era praticamente impossível. Com isso, será possível mapear a incidência real da doença, identificar padrões e compreender melhor quem está mais vulnerável a essa condição. 

Mas a inclusão não é apenas um detalhe burocrático. Ela representa um alerta global sobre um problema que vem crescendo, especialmente em países onde o uso recreativo e medicinal da cannabis se tornou mais comum.

Agora, médicos têm um código específico para diagnosticar e monitorar a síndrome, o que deve facilitar pesquisas e estratégias de prevenção. Além disso, esse reconhecimento ajuda a reduzir diagnósticos equivocados, que antes levavam pacientes a realizar exames caros e invasivos sem chegar à causa real do problema.

O que é a síndrome da hiperêmese canabinoide?

Também conhecida como CHS, trata-se de um distúrbio gastrointestinal associado ao uso frequente e prolongado de cannabis. Ela provoca crises intensas de náuseas, vômitos persistentes e dor abdominal aguda, que podem durar dias e se repetir várias vezes ao ano.

Em muitos casos, os pacientes acabam indo repetidamente ao pronto-socorro, sem entender a origem do mal-estar. Um sinal curioso, descrito em estudos da Universidade de Washington, é o alívio temporário dos sintomas com banhos muito quentes.

Esse comportamento se tornou uma pista importante para os médicos confirmarem o diagnóstico.

Os sintomas geralmente começam horas ou até um dia após o último consumo da planta.

Embora a síndrome esteja claramente ligada ao uso contínuo de cannabis, a ciência ainda não sabe por que apenas parte dos usuários desenvolve o quadro, mesmo com padrões de consumo semelhantes. Essa falta de explicação reforça a necessidade de mais pesquisas sobre os mecanismos envolvidos.

Condição que  preocupa os especialistas

O avanço da síndrome coincide com a popularização da cannabis e o aumento da potência do THC (tetrahidrocanabinol), seu principal composto psicoativo. Hospitais nos Estados Unidos, por exemplo, relatam um crescimento expressivo de casos nos últimos anos.

Embora a condição não seja fatal na maioria das vezes, ela pode causar complicações sérias, como desidratação grave, distúrbios eletrolíticos e problemas renais, especialmente quando os episódios se repetem e não são tratados adequadamente.

Existe tratamento?

O tratamento pode ser desafiador. Medicamentos tradicionais contra enjoo costumam ter pouca eficácia, obrigando médicos a recorrer a alternativas como Haldol ou pomadas de capsaicina, que ajudam a aliviar a dor abdominal.

No entanto, a única forma comprovada de interromper as crises é suspender totalmente o consumo de cannabis. Essa recomendação, porém, enfrenta resistência, principalmente entre usuários que acreditam que a substância ajuda a controlar náuseas ou que a utilizam com fins terapêuticos.

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Tainara Cavalcante

Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.