• 8 de maio de 2021

Governo critica Cannabis Medicinal em nova cartilha sobre maconha

 Governo critica Cannabis Medicinal em nova cartilha sobre maconha

A cartilha lançada nesta semana acrescenta que não há estudos científicos suficientes para comprovar o uso terapêutico da planta.

O ministério da Família e Direitos Humanos, comandado por Damares Alves, lançou uma cartilha sobre prevenção da maconha. Em um dos pontos, ela critica e até o seu uso medicinal.

A cartilha foi anunciada em uma live do facebook, feita pela secretária nacional da família, Angela Gandra na última terça-feira (01 de dezembro).

“Assim que eu cheguei na secretaria, o que mais me motivou a criar a cartilha foi a carta de uma mãe muito comovente pedindo para salvarmos as nossas crianças das drogas” disse a secretária na live.

Na sua explicação sobre a criação da cartilha, Angela Gandra ainda citou o Projeto de Lei 399/2015, que visa o plantio industrial e farmacêutico da cannabis no Brasil e as “possíveis” consequências.

“Não podemos deixar que plantem uma droga que mata os nossos jovens. (…) Ao invés de liberdade, estaremos aprisionando as pessoas”.

Em agosto, a própria ministra Damares Alves criticou a proposta em uma live. “Não é uso medicinal coisa nenhuma. Temos que cuidar das nossas crianças sem liberar a plantação no Brasil. Quero o melhor, mas que não seja a plantação em massa. Sei exatamente o que está por trás. Não é o uso medicinal’ comentou.

Cannabis medicinal

Desenvolvida pela secretaria nacional da família, cuidados e prevenção às drogas do ministério de Damares Alves e também pela Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (Senapred), do Ministério da Cidadania, a cartilha deixou claro o posicionamento do governo sobre as propriedades terapêuticas da cannabis.

A justificativa dada no documento foi a de que não há evidências de que a cannabis possa ser útil para tratar várias doenças, exceto a epilepsia de difícil controle.

Cartilhas alertando o consumo de drogas lícitas e ilícitas são comuns em todos os governos. Elas são explicativas e fáceis de entender. Também contém imagens e serviços de apoio para dependentes.

O documento da ministra Damares Alves, que contém 31 páginas, alerta sobre os riscos da maconha, bem como a dependência química, acidentes automobilísticos, prejuízo da memória entre outras consequências.

No entanto, a menção da cannabis para fins medicinais foi uma coisa nova. A cartilha ainda acrescenta “é importante salientar que o uso terapêutico dos componentes da maconha ainda é extremamente restrito, contando com pouquíssimas evidências científicas”.

Críticas

O documento também cita o Conselho Federal de Medicina (CFM), que defende a ideia de que há poucas evidências das propriedades medicinais da cannabis.

Na live da última terça-feira, além da secretária nacional da família também participaram também secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), Maurício Cunha, a secretária nacional da Juventude, Emilly Coelho, e o secretário de Cuidados e Prevenção às Drogas, do Ministério da Cidadania, Dr. Quirino Cordeiro Jr.

Maurício Cunha acrescentou que o objetivo da cartilha é poder ser uma fonte de informação, reflexão e conscientização.

“Queremos tirar o tema da invisibilidade. Informando, sensibilizando, mobilizando e convocando toda a sociedade da causa e direitos das crianças e adolescentes.” Acrescentou.

Os participantes criticaram também a atuação da mídia na cobertura da cannabis e o seu “possível efeito” na população.

“Um dos principais fatores relacionados à redução da percepção de risco, é o papel da mídia. A gente pode ver que algumas revistas basicamente tem uma pauta exclusiva voltada para tentar mostrar para a população uma pauta totalmente enganosa que a maconha seria uma das mil maravilhas do mundo”. Disse Quirino.

 Veja a live completa.

 

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Tainara Cavalcante

Jornalista e produtora de conteúdo no Cannalize. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.

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