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Estudo descobre método para “medir” psilocibina em cogumelos 



18/08/2025


Método de cromatografia mede psilocibina com precisão, passo essencial para medicamentos seguros e padronizados no futuro

Estudo descobre método para “medir” psilocibina em cogumelos. Foto: Envato

Um estudo publicado na revista ACS Omega, fruto da parceria entre a empresa Biocase Brasil e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), apresentou um método inédito e validado pela Anvisa (RDC 166/2017) para identificar e quantificar psilocibina e psilocina em extratos do cogumelo Psilocybe cubensis.  

A técnica, baseada em cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC-DAD), garante precisão na medição das substâncias — um avanço crucial para que futuros medicamentos à base de psilocibina possam ser seguros e padronizados. 

Mais detalhadamente, os objetivos do estudo incluíam: 

Estabelecer um protocolo de extração e análise simples e de custo relativamente baixo para determinar de forma confiável o conteúdo dessas substâncias;

Permitir a dosagem dessas substâncias em formulações farmacêuticas para uso comercial e clínico, especialmente para aplicação em terapias assistidas por psicodélicos;

Garantir que a metodologia fosse validada de acordo com as diretrizes da RDC No. 166/2017 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Brasil, avaliando parâmetros como limites de detecção e quantificação, exatidão, precisão e recuperação para assegurar a confiabilidade dos resultados;

Assegurar que a quantificação precisa de psilocibina e psilocina(encontradas em média a 2.57% e 0.16% respectivamente no estudo) fosse possível, o que é crucial para sua aplicação segura e eficaz em contextos terapêuticos. 

Psilocibina tem potencial psicoterapêutico 

A psilocibina, substância presente no cogumelo psilocybe cubensis e que exerce efeitos psicotrópicos no corpo, tem se mostrado promissora em terapias inovadoras, como as psicoterapias assistidas. 

Pesquisas do Instituto Alma Viva, vertente de ensino e pesquisa da Biocase Brasil, estudam o uso do cogumelo em pacientes oncológicos com ansiedade existencial e depressão maior, especialmente aquelas que não respondem aos tratamentos tradicionais.  

O instituto chamou atenção ao receber, em junho deste ano, 18 kg de cogumelos psicodélicos para desenvolver os estudos pioneiros. 

Método tem robustez comprovada 

O método HPLC-DAD desenvolvido foi considerado robusto. Esta característica foi avaliada testando a capacidade do método de tolerar pequenas e intencionais variações nas condições de análise, como temperatura, acidez e solubilidade. 

O estudo concluiu que nenhuma das variações impactou significativamente os resultados. Isso indica que as mudanças nas condições do método não alteram de forma considerável os resultados, confirmando a robustez do método para aplicações em condições ambientais típicas. 

Em resumo, enquanto o HPLC-DAD pode ter uma sensibilidade inferior a outras técnicas de cromatografia, a adequação de sua sensibilidade para as faixas de concentração relevantes para o uso medicinal de psilocibina e psilocina, aliadas à sua acessibilidade e menor custo, o tornam um método confiável e eficaz para a identificação e quantificação destas substâncias. 

Como funciona a cromatografia? 

A cromatografia é como uma “corrida” entre moléculas. Imagine que você tem um grupo de pessoas correndo numa pista cheia de obstáculos: umas são mais rápidas, outras ficam presas em certos pontos. No fim, elas cruzam a linha de chegada em momentos diferentes.

Na cromatografia, a “pista” é uma coluna cheia de material especial (fase fixa) e o “vento” que empurra os competidores é um líquido ou gás (fase móvel). As moléculas que interagem pouco com a coluna passam rápido; as que interagem mais demoram para sair. 

Ao medir o tempo que cada molécula leva para “chegar” ao detector e o tamanho do sinal que ela gera, é possível saber qual é a substância e quanto dela está presente. 

No caso do estudo da Biocase e UFCG, foi usada cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC-DAD). 

  • Alta eficiência (HPLC): usa pressões elevadas para empurrar o líquido, separando os componentes com muita rapidez e precisão. 
  • Detector de arranjo de diodos (DAD): analisa como cada substância absorve luz em diferentes comprimentos de onda, ajudando na identificação. 

Esse tipo de técnica é amplamente usado na indústria farmacêutica, na análise de alimentos e no controle de qualidade de medicamentos. 

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Lucas Panoni

Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.