• 28 de fevereiro de 2021

Estudo contradiz a teoria de que a maconha é uma “droga de entrada” entre os consumidores

 Estudo contradiz a teoria de que a maconha é uma “droga de entrada” entre os consumidores

Com certeza você já ouviu falar que a maconha é uma porta de entrada para outras drogas mais pesadas. Mas será que isso é verdade mesmo? 

Os adolescentes dos dois primeiros estados dos Estados Unidos a acabar com a proibição da maconha não parecem mais propensos a se renderem ao uso de substâncias mais fortes, de acordo com o novo estudo.

Isso contradiz os oponentes da legalização que têm sustentado por muito tempo o argumento popular de que a maconha é um caminho para as drogas pesadas. 

A pesquisa publicada na edição de março do Journal of Substance Abuse Treatment examinou dados sobre os adolescentes entre 12 a 17 anos, adultos 18 a 20 anos e também adultos de 21 a 24 anos que vivem em Colorado e Washington, onde os eleitores em 2012 aprovaram medidas que legalizam o uso recreativo da maconha adultos. 

“Um problema de saúde pública, devido a legalização do uso recreativo da maconha, é a ideia de que ela pode ser uma porta de entrada para drogas pesadas entre os adolescentes e jovens, onde o crescimento no uso de maconha levará ao aumento do transtorno por uso de substâncias (SUD) para drogas mais ilícitas,” escreveu os autores do estudo. 

“Este estudo investiga se o SUD para cocaína, opioides e metanfetaminas aumentam após a promulgação da RML em Colorado e Washington para adolescentes e adultos.“

Os pesquisadores concluíram que a legalização recreativa da maconha no Colorado e em Washington “não foi associada a um aumento nas admissões de adolescentes ou adultos para tratamento de SUD para opioides, cocaína e metanfetaminas”, em comparação com as taxas de uso dessa substância em outros estados onde a legalização da maconha não ocorreu. 

”Estudos futuros devem estender essa pesquisa para outros estados, outras substâncias, para idosos e por períodos mais longo, e considerar como os efeitos das políticas de drogas podem diferir em diferentes jurisdições,” escreveram os pesquisadores, baseados na Temple University e na University of Tennessee, em sua conclusão.

Uma ideia frágil que lidera as políticas governamentais

A ideia de que a maconha é uma “droga de entrada“ é contestada há muito tempo. Mas essa crença tem moldado a política governamental. 

Embora o Center for Disease Control reconheça que “a maioria das pessoas que usam maconha não passam a usar outras substâncias mais fortes,” também insiste que mais pesquisas sejam feitas para entender se a maconha é ou não uma ” porta de entrada”. 

Os autores do novo estudo procuraram preencher essa lacuna. 

“Até onde sabemos, este é primeiro estudo a investigar se a RML (legalização da maconha recreativa) nos Estados Unidos levou a um aumento nas admissões de tratamento de SUD (transtorno por uso de substâncias) para drogas ilícitas”,  escreveram eles, conforme citado pela NORML. 

”Descobrimos que a legalização do uso de recreativo da planta em Colorado e Washington não resultou em um aumento nos tratamento de SUD para cocaína, opioides ou metanfetaminas entre adolescente e adultos.”

O vice-diretor da NORML, Paul Armentano, saudou o estudo por atacar um argumento usado com frequência contra os defensores da legalização. 

“Esses dados prejudicam ainda mais as alegações de longa data de que a maconha atua como qualquer tipo de porta para o abuso de outras substâncias controladas, uma alegação que tem alimentado as políticas de maconha com base no proibicionista nos Estados Unidos apesar da falta de evidências,“ disse Armentano em uma declaração ao site High Times na última Sexta-Feira. 

Diferentes pesquisas publicadas no ano passado também podem ajudar a amenizar as preocupações dos pais sobre o que a legalização significa para seus filhos adolescentes. 

O estudo, publicado em Dezembro pelo Journal of Adolescent Health, de que legalizar o uso da maconha entre os adultos não resulta em um aumento no consumo entre os adolescentes. 

Referências

  • High Times
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Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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