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Endometriose: uma longa jornada, um diagnóstico importante



06/12/2025


Endometriose uma longa jornada, um diagnóstico importante

Endometriose uma longa jornada, um diagnóstico importante

Diálogos da Endometriose:

Dez anos. É muito tempo, né?

“Sua dor é psicológica.”

“Seu ultrassom deu normal.”

“É só uma cólica forte.”

“Toma esse analgésico e relaxa.”

A endometriose é uma doença que afeta 1 em cada 10 pessoas com útero, mas leva de 7 a 10 anos para ser diagnosticada! Pensa só: uma década inteira de dor e invalidação.

A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio (o tecido que reveste o interior do útero e que descama na menstruação) cresce fora do útero.

Esse tecido “fora do lugar” se comporta como o endométrio: ele responde aos hormônios do ciclo menstrual e todo mês “tenta sangrar”. Como esse sangue não tem por onde sair (como a menstruação normal), ele causa inflamação intensa, dor, cicatrizes e aderências (tecidos que grudam um órgão no outro).

A dor pélvica intensa (cólica) é o sintoma número 1. Não é uma cólica normal. É uma dor incapacitante, que muitas vezes não passa com analgésicos comuns e impede a mulher de trabalhar, estudar ou até levantar da cama.

Eis aqui alguns dos sintomas que vão além da “cólica forte”:

  • Dor na Relação Sexual (Dispareunia): Dor profunda durante ou após a penetração. É um sintoma muito comum e que causa um impacto enorme na vida da paciente.
  • Dor Pélvica Crônica: Dor na região pélvica que dura mais de 6 meses, podendo ocorrer mesmo fora do período menstrual.
  • Alterações Intestinais e Urinárias (no período menstrual): Dor para evacuar ou urinar, sangramento nas fezes ou urina, ou diarreia/constipação cíclica. Isso acontece quando os focos da doença estão no intestino ou bexiga.
  • Infertilidade: Estima-se que 30% a 50% das mulheres com endometriose tenham dificuldade para engravidar.
  • Fadiga Crônica: Não é cansaço. É uma exaustão incapacitante. O corpo está gastando toda a sua energia 24/7 para combater uma inflamação que nunca acaba.
  • “Endo Belly” (Barriga de Endo): O inchaço abdominal severo. A paciente acorda “normal” e no fim do dia parece grávida de 6 meses. Isso é causado pela inflamação, gases e, às vezes, pela infiltração da doença no intestino.
  • Dor Lombar e Ciática: A doença pode infiltrar ou inflamar os nervos da pelve, causando uma dor que irradia para as costas e pernas (muitas vezes confundida com hérnia de disco).
  • Sensibilidade Cerebral: A dor crônica muda o cérebro. O sistema nervoso fica sensibilizado. Coisas que não deveriam doer, passam a doer. Isso aumenta a ansiedade, a depressão e a névoa mental.

Com essas informações podemos constatar que a endometriose NÃO é uma doença só da pélvis, mas sim, uma doença inflamatória sistêmica, em que a inflamação crônica afeta o corpo inteiro. 

O tratamento tradicional

Não existe cura, o tratamento foca em gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. As opções são:

  • Medicamentos para Dor: Analgésicos e anti-inflamatórios para crises de dor.
  • Terapia Hormonal: Pílulas anticoncepcionais (de uso contínuo, para não menstruar), DIU hormonal ou outros bloqueadores hormonais, com o objetivo de “desligar” o ciclo menstrual para que os focos da doença não inflamem.
  • Cirurgia (Laparoscopia): Procedimento minimamente invasivo para remover os focos de endometriose e aderências. É reservado para casos mais graves, que não respondem aos hormônios, ou para infertilidade.

E a cannabis nesta história?

A cannabis vem como um tratamento adjuvante (complementar) e atua exatamente nos 3 pilares da doença:

  1. A Dor Crônica: A combinação de THC e CBD é um potente analgésico. O THC age nos receptores de dor no cérebro, enquanto o CBD relaxa a musculatura pélvica (que fica tensa pela dor).
  2. A Inflamação: Este é o ponto-chave. A endometriose é uma doença inflamatória. O CBD (Canabidiol) é um dos anti-inflamatórios mais potentes encontrados na natureza, ajudando a desinflamar o corpo de forma sistêmica.
  3. O Sistema Endocanabinoide: Estudos mostram que o sistema reprodutivo feminino (útero, ovários) é rico em receptores canabinoides (CB1 e CB2). Há teorias de que mulheres com endometriose possam ter uma “deficiência” nesse sistema, e o uso da cannabis ajudaria a reequilibrá-lo.

E ainda pode auxiliar em Sintomas Secundários: O tratamento ajuda muito na ansiedade e insônia causadas pela dor crônica, melhorando a qualidade de vida de forma geral.

A ação dos principais fitocanabinoides na endometriose:

    • THC: Age como um analgésico potente, desligando os sinais de dor no cérebro.
  • CBD (O astro aqui):
    • É um anti-inflamatório sistêmico.
    • Impede que a Anandamida (o canabinoide bom do nosso corpo) seja degradada. Ou seja, o CBD faz seu próprio endocanabinoide funcionar melhor e por mais tempo.
    • Ajuda a dessensibilizar o cérebro que ficou hiper-reativo por causa da dor crônica.

E não para nas gotinhas! Além dos óleos, existem supositórios e óvulos vaginais, que atingem diretamente a região afetada.

Este é um conteúdo informativo. Se você ou alguém próximo sofre desses sintomas, busque um médico para a investigação. 

A inflamação e a dor não esperam 10 anos. Você precisa de qualidade de vida. Agora.

Sobre as nossas colunas

As colunas publicadas na Cannalize não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem o propósito de estimular o debate sobre cannabis no Brasil e no mundo. Além de de refletir sobre diversos pontos de vista sobre o tema.​

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Raíssa Ximenes

Médica pela Universidade Federal de Alfenas. Prescrevendo Cannabis Medicinal desde 2022, com enfoque em Saúde Mental. Vegetariana, amante da sétima arte, da boa música e de explorar o mundo. @doutorapsicannabis