Parece que são os fatores biológicos sociais que podem influenciar uso da cannabis, como os “genes da curiosidade”

Curiosidade genética pode influenciar uso de cannabis
Um novo estudo publicado em outubro na revista Neuropsychopharmacology trouxe uma perspectiva inovadora sobre o uso recreativo de cannabis.
Pesquisadores da Escola de Medicina de Yale analisaram dados genéticos de mais de 250 mil pessoas e descobriram que a decisão de experimentar a planta pode estar mais ligada à curiosidade inata do que à predisposição ao vício.
O trabalho, intitulado The genetics of Cannabis lifetime use, investigou os fatores biológicos que aumentam a probabilidade de uma pessoa experimentar cannabis ao longo da vida, independentemente de desenvolver dependência.
Os cientistas identificaram uma forte associação entre esse comportamento e o gene CADM2 (Cell Adhesion Molecule 2), já conhecido por influenciar impulsividade positiva e comportamentos exploratórios.
Esse gene, apelidado por neurocientistas como “gene da curiosidade”, codifica uma proteína essencial para a comunicação entre neurônios. Alterações nessa região aumentam a sensibilidade à recompensa e a disposição para experimentar novidades.
Em outras palavras, os mesmos mecanismos que levam alguém a testar novos alimentos ou ideias também podem impulsionar a decisão de experimentar substâncias psicoativas.
Outro ponto relevante do estudo foi a distinção entre uso vitalício (CanLU) e transtorno por uso de cannabis (CanUD). Embora exista uma correlação genética moderada entre ambos, os loci envolvidos são diferentes.
Enquanto a dependência está associada a transtornos psiquiátricos e problemas de saúde, o uso ocasional se relaciona a traços de personalidade exploratórios e até maior escolaridade. Essa descoberta reforça que curiosidade e compulsão seguem caminhos biológicos distintos.
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As implicações são amplas. Para a medicina canabinoide, compreender esses fatores pode ajudar a personalizar tratamentos e reduzir o estigma em torno da planta.
Além disso, políticas públicas podem se beneficiar dessa diferenciação, criando estratégias mais eficazes para prevenção e regulação. Afinal, o estudo mostra que experimentar cannabis não é apenas uma escolha social, mas também uma manifestação da biologia humana.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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