Relatório aponta benefícios do cultivo de cânhamo no Brasil que pode abranger até 95% do território nacional

Cultivo de cânhamo pode render R$6 bi até 2030
De acordo com um novo estudo realizado pelo Instituto Escolhas, o cultivo de cânhamo Brasil pode alcançar até R$5,76 bilhões de reais até 2030. Além da geração de 80 mil empregos diretos e indiretos.
O estudo ainda mostrou outros benefícios ao meio ambiente, como o resgate de 1,1 milhão de toneladas de CO2 por safra. A cannabis é conhecida por absorver dióxido de carbono de forma mais eficaz até que florestas inteiras.
Além de utilizar três vezes menos água e agrotóxicos que o algodão, por exemplo.
Apesar do avanço na cannabis medicinal, com mais de 672 mil pacientes em 2023 no Brasil, o setor industrial segue travado. O PL 399/2015, que propõe regulamentar o cânhamo, está há quase uma década no Congresso.
Mas no ano passado, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou o cultivo industrial de cannabis no Brasil. Ainda estabeleceu um prazo de seis meses para que a União e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamentassem a prática.
O prazo foi prorrogado e as regras de cultivo estão previstas para setembro. Mas o cultivo já é almejado pelo setor agrícola.
O estudo também aponta que entre 80% e 95% do território brasileiro possui condições climáticas e de solo adequadas ao cultivo de cânhamo. Especialmente para produção de fibras.
O Sul do país, por exemplo, se mostra mais apto para fibras e sementes, enquanto o Nordeste se destaca para o cultivo de flores com alto teor de CBD (canabidiol).
A viabilidade econômica do cultivo é comprovada por simulações realizadas no relatório, que mostram bom retorno financeiro, especialmente na produção de flores, mesmo em cenários conservadores.
O estudo simula diferentes cenários: Na produção de flores, a receita líquida pode variar de R$13.930 a R$82.140 por hectare. Isso a depender do teor de CBD e da eficiência produtiva.
Para sementes, a produtividade média considerada foi de 2,8 toneladas por hectare, com receita líquida estimada em R$ 10.200/ha. Já para fibras, o rendimento projetado é de 6,1 toneladas de biomassa seca por hectare, com receita líquida de até R$ 4.670/ha.
Dessa forma, o cânhamo representa uma oportunidade estratégica para o Brasil. Com políticas públicas adequadas, investimento em pesquisa e um marco regulatório claro, o país pode se tornar um protagonista nesse mercado em expansão, aliando desenvolvimento econômico à sustentabilidade.
Contudo, o relatório técnico mostra que o cânhamo pode beneficiar diversos setores no Brasil. Em 2023, o mercado brasileiro de cannabis medicinal movimentou R$ 699 milhões em produtos, número que cresceu para R$ 853 milhões no ano passado.
Em 2025, a expectativa é ultrapassar R$1 bilhão.
Atualmente, a importação é o principal meio de compra da cannabis para fins medicinais. Segundo dados da Kaya Mind, somente em 2024 mais de 400 empresas enviaram os seus produtos para o Brasil.
Dessa forma, a regulamentação do cultivo poderia impulsionar esse mercado ao reduzir a dependência da importação de insumos e gerar produtos com maior valor agregado.
Além disso, o cânhamo é uma fonte versátil de fibras para a produção de têxteis, papéis especiais e biocompósitos utilizados em setores como construção civil, automotivo e embalagens.
Já as sementes e o óleo de cânhamo são ricos em nutrientes e se destacam no mercado alimentício e de suplementos, especialmente em produtos à base vegetal.
Embora os insumos não medicinais tenham sido vetados pelo STJ na decisão que aprovou o cultivo, os dados são relevantes para uma possível mudança no futuro.
É possível comprar cannabis no Brasil, mas apenas para fins medicinais e com receita. Você pode adquirir através de importações, nas farmácias e até por associações de pacientes.
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Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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