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Crescimento do mercado brasileiro da cannabis



27/11/2023


Desde que os produtos medicinais de cannabis foram regularizados, o o país tem assistido a um crescimento exponencial do mercado brasileiro. E a tendência é crescer ainda mais

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Crescimento do mercado medicinal da cannabis: Um negócio que pode ir além
Foto: Freepik

Diferente de vários países que passaram a regularizar a cannabis a partir de suplementos ou na forma recreativa, o Brasil decidiu começar através do uso medicinal há oito anos, quando a primeira resolução sobre importação foi aprovada.

Desde então, o número de pacientes só cresce. De acordo com o último relatório da Kaya Mind, só em 2023 cerca de 430 mil pessoas utilizaram a planta como tratamento.

São indivíduos que precisam passar por uma consulta para só então comprar o produto. E em caso de importação, ainda é necessário uma autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

Mas isso parece não ter contido os pacientes. Para se ter uma ideia, desde que aprovaram a importação em 2015, os pedidos anuais para trazer cannabis ao Brasil saltaram de 850 para 219 mil em 2023.

Projeções para o futuro

De acordo com o CEO do marketplace de cannabis medicinal Cannect, Allan Paiotti, o número ainda está longe do potencial que as propriedades medicinais da cannabis podem alcançar.

Segundo um levantamento da empresa, ao considerar os dados do SUS sobre patologias tratáveis com cannabis, os produtos podem beneficiar até 130 milhões de pacientes.

“Eu acho que esse é um mercado que vai chegar a ser bilionário nos próximos três a cinco anos. Essa é a velocidade de aceleração que veremos, quanto mais treinamos e educamos os médicos e falamos com o público, mais aderimos essa terapia de uma maneira estruturada”, ressalta. 

Bilhão que pode vir ainda mais cedo. Ainda de acordo com a Kaya Mind, o mercado brasileiro de cannabis ultrapassou 7% do valor esperado para 2023. E a expectativa é que feche o ano com um rendimento de R$700 milhões.

Um crescimento de 92% em relação ao ano passado, quando os produtos à base de cannabis movimentaram R$364 milhões no Brasil. E a promessa para 2024 é nada menos que R$1 bi.

Aumento da visibilidade

Parte desse aumento pode estar ligado à visibilidade cada vez maior do tema, seja nas redes sociais, nos negócios, na política e até na influência que vem de fora. 

Como o crescimento de associações que defendem a causa. Foi por causa da pressão de pais e pessoas engajadas no tema que a Anvisa permitiu a importação de produtos, por exemplo.

Oito anos depois, as entidades de cannabis já representam mais de um terço dos milhares de pacientes que utilizam a planta como tratamento em todo o país. 

Leia também: Debate sobre o mercado de cannabis precisa ser ampliado?

Segundo Marilene Esperança, presidente da associação AbraRio, os próprios pacientes impulsionam o aumento ao buscar alternativas terapêuticas para problemas que, muitas vezes, os tratamentos convencionais não resolvem.

“Além disso, o valor acessível e o atendimento social às pessoas que não têm condições de arcar com os custos são os diferenciais das associações de pacientes,” acrescenta.

Para Marcelo De Vita Grecco, cofundador da The Green Hub e do CEC (Centro de Excelência Canabinoide), o aumento também pode resultar do crescimento no número de médicos capacitados para indicar a cannabis como tratamento.

“A partir do momento em que os profissionais entenderam a cannabis como um tratamento individual, uma medicina integrativa, mostraram que a cannabis é efetiva. E o resultado foi a adesão de mais pacientes”, disse.

Segundo o empresário, o aumento de produtos autorizados nas farmácias também pode ter impulsionado a segurança dos profissionais de saúde para prescrever cannabis como terapia, junto com os suportes governamentais e a realização de pesquisas.

Mais visibilidade na mídia

O aumento de pessoas engajadas no tema, como políticos, impulsionou  projetos de lei, o que ainda elevou o status da cannabis no país. 

Nos últimos dois anos, 12 estados brasileiros já sancionaram algum tipo de lei sobre o tema, seja para a pesquisa ou distribuição de cannabis via SUS (Sistema Único de Saúde). E outros 11 tramitam propostas semelhantes. 

Os parlamentares discutem amplamente esses projetos em plenário, com participação pública, e os portais de notícias repercutem os debates.

A judicialização e as histórias de pessoas impactadas pelo tratamento também deram grandes passos para mudar a opinião pública.

O co-fundador da The Green Hub também complementa que, se tudo continuar caminhando de forma correta, com mais médicos capacitados e o público cada vez mais instruído sobre o tema, a cannabis pode ser ainda maior no Brasil.

O CEO da Cannect ainda acrescenta que o movimento brasileiro está caminhando de forma saudável. “O acompanhamento dos pacientes a longo prazo tem levado o mercado brasilero crescer um pouco mais saudável e de forma estruturada. Está virando uma referência mundial”, acrescenta. 

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Tainara Cavalcante

Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.