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CBD faz mal? Médica explica caso de intoxicação em SP



20/08/2025


O caso de intoxicação da adolescente com o CBD, trouxe à tona uma questão pouco explorada. O canabidiol faz mal?

CBD faz mal Médica explica caso de intoxicação em SP

CBD faz mal Médica explica caso de intoxicação em SP Foto meramente ilustrativa

Na última sexta-feira (15), diversos jornais noticiaram a intoxicação de uma adolescente de 16 anos, que precisou ser levada às pressas ao hospital após apresentar arritmia cardíaca e tremores.

O caso, ocorrido em São José do Rio Preto (SP), teria sido provocado pela ingestão de um óleo de CBD (canabidiol) levado por um colega da escola. O jovem confessou ter comprado a substância em um bairro da cidade, junto com cigarros.

A polícia registrou a ocorrência como ato infracional análogo ao tráfico de drogas e lesão corporal. Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que reforçará ações preventivas de conscientização entre os estudantes.

Mas afinal, o canabidiol faz mal? O que pode ter acontecido com a adolescente? Para entender melhor, conversamos com a médica especialista em cannabis medicinal, Raíssa Ximenes.

O canabidiol pode causar riscos?

Segundo a especialista, o CBD tem mostrado potencial terapêutico em diversas condições, mas, como qualquer medicação, pode apresentar efeitos adversos e contraindicações.

“Ele frequentemente é colocado como uma substância inócua, o que não é verdade. Os efeitos adversos podem incluir boca seca, hipotensão, diarreia, alterações de humor, tontura, dor de cabeça, fadiga e sonolência. Em geral, são leves e tendem a diminuir com o tempo”, explica.

A médica suspeita que o óleo consumido pela adolescente continha uma quantidade relevante de THC (tetrahidrocanabinol), composto psicoativo da cannabis. O uso agudo de THC pode causar aumento da frequência cardíaca, seguido de queda da pressão arterial, o que explicaria os tremores. “Em combinação com os cigarros, a hipotensão pode ter sido ainda maior”, acrescenta.

O perigo dos sintéticos

A intoxicação por altas doses de THC costuma ser autolimitada, mas substâncias sintéticas que imitam a cannabis, como K2, K9 ou Spice, podem ser muito mais perigosas, com risco até de morte.

“A confusão terminológica entre ‘maconha’ e ‘maconha sintética’ mascara um perigo mortal e representa uma crise de saúde pública urgente”, alerta a médica.

Essas drogas, produzidas em laboratório, podem ser até cem vezes mais potentes que a maconha. Em São Paulo, quando os casos aumentaram há dois anos, 26% das ocorrências envolviam adolescentes entre 15 e 19 anos, segundo o Boletim Epidemiológico Paulista (Bepa).

Cuidados no uso da cannabis medicinal

Embora muitos considerem a cannabis uma alternativa natural para várias condições, a Dra. Raíssa alerta para a necessidade de cautela no uso tanto do CBD quanto do THC.

  • Gestantes e lactantes devem evitar o uso devido ao risco de contaminantes em produtos não regulamentados. Sem contar que há o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer.
  • Pacientes com doença hepática precisam de monitoramento, já que o CBD pode aumentar enzimas hepáticas.
  • Indivíduos com histórico de transtornos psicóticos devem ter atenção especial ao uso do THC, que pode desencadear ou agravar quadros de psicose.

A importância do acompanhamento médico

A especialista reforça que um médico capacitado deve acompanhar qualquer uso de cannabis medicinal. Isso porque há risco de interações medicamentosas, como no caso de anticoagulantes, além de contraindicações específicas.

Outro ponto de atenção é o uso em adolescentes. Segundo uma pesquisa da Universidade de Vermont (EUA), por exemplo, apontam que a maconha pode afetar o desenvolvimento cerebral nessa faixa etária, especialmente nas áreas ligadas à orientação e tomada de decisões.

“É fundamental que o uso seja monitorado continuamente por um médico”, conclui.

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Tainara Cavalcante

Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.