Os estudos sobre cannabis para Parkinson são sempre positivos: melhora no humor, na insônia, dos tremores, na rigidez e lucidez dos pacientes.
Carlos Marinho é um ex-militar ultra conservador que mora em Mogi das Cruzes, em São Paulo. Aposentado e evangélico, teve Parkinson já na terceira idade e parou de andar por causa da doença. Pouco tempo depois, já estava usando sonda e fralda devido a doença.
Que há pessoas cada vez mais velhas no mundo é um fato sem tantos problemas. O que talvez implique esta informação, são as doenças que chegam com a idade, como o Mal de Parkinson. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1% da população mundial sofrem com a doença. No Brasil, são mais de 200 mil ocorrências.
E com o aumento dos idosos, o número tende a aumentar. Estima-se que em 2030 mais de 600 mil brasileiros tendem a sofrer da doença. Portanto, você leitor, tem uma grande chance de desenvolver a condição quando for mais velho.
Ela geralmente aparece pela faixa dos 55 anos, mas a prevalência aumenta nos 70. No entanto, cerca de 4% dos pacientes, pode desenvolver a doença ainda antes dos 50 anos.

Cannabis para o tratamento de Parkinson
Parkinson é uma condição que atinge o Sistema Nervoso Central (SIC) e compromete os movimentos. A síndrome é a segunda doença neurodegenerativa que mais causa demência no mundo, a primeira é Alzheimer.
Pra quem não sabe, as doenças neurodegenerativas são caracterizadas pela destruição dos neurônios de maneira irreversível e progressiva. Dependendo da doença, o paciente pode começar a perder as funções motoras, fisiológicas e claro, cognitivas.
A doença não é gerada de uma hora para outra, ela nasce de um processo lento ao longo da vida, mas os seus sintomas só aparecem depois da meia idade.
Ela é ocasionada pela morte de células em uma parte do cérebro chamada de “Substância Negra”, é lá que a produção de um neurotransmissor chamado dopamina acontece. É ele controla a parte motora e também outras funções do nosso corpo.
A dopamina está diretamente ligada a funções essenciais, como fome, humor, memória, recompensa e os movimentos cognitivos. Ela é uma das responsáveis também pelo prazer e bem-estar. Com o neurotransmissor afetado, as atividades podem ser prejudicadas gradativamente.
Eles podem variar de acordo com os pacientes, e por se apresentar de maneira lenta, muitos nem se lembram quando começou. No entanto, geralmente, os primeiros sinais aparecem quando os movimentos começam a ficar lentos e as extremidades das mãos começam a tremer.
Parentes e amigos frequentemente percebem os primeiros sintomas. Entretanto, o próprio paciente pode identificar:
Ao todo, são sintomas motores e não motores, como:

Cannabis para o tratamento de Parkinson
Quando persistem dúvidas sobre o diagnóstico de Parkinson, os médicos realizam uma ultrassonografia transcraniana – exame que detecta alterações de cor na substância negra cerebral. Ou também pela Cintilografia Cerebral, um exame na cabeça para medir a quantidade de dopamina.
O diagnóstico geralmente é uma tarefa difícil, pois os sintomas podem estar relacionados a outras doenças similares. Apesar da maioria dos casos resultar de mutações genéticas, fatores ambientais e predisposições hereditárias também podem desencadear a síndrome.
Como dito antes, ela não tem cura e nem medicamentos para a prevenção. Por isso, o tratamento é direcionado para os alívios dos sintomas e também a redução da progressão da doença.
Por isso, é recomendável criar uma série de hábitos que ajudam a memória e o corpo, como a leitura frequente, acompanhar os jornais e a prática de atividades físicas. No entanto, se perceber os sintomas, é hora de seguir um tratamento, pois apenas as recomendações não bastam. Ele pode ser feito:
Atualmente, um dos remédios mais usados é o Levodopa. Os médicos prescrevem o Prolopa (nome comercial da levodopa+benserazida) para pacientes com disfagia ou que requerem início rápido de ação terapêutica. Também melhora o tremor, a lentidão e a rigidez.
No entanto, nem sempre o tratamento é eficaz. Os remédios podem diminuir com o tempo para uma grande parcela de pacientes, além de gerar efeitos colaterais, como a ampliação dos movimentos involuntários.
De maneira simples, a cannabis pode ser eficaz para a redução dos sintomas de Parkinson, pois ajuda a regular as alterações químicas que acontecem com a reduções dos níveis da dopamina do cérebro. A cannabis tem uma função neuroprotetora, que auxilia tanto nas atividades motoras quanto não motoras.
Apesar da necessidade de estudos mais amplos, o pessoal da terceira idade já aderiu ao método. Basta nos lembrarmos do vídeo de Larry Stmith, que viralizou com mais de 40 bilhões de visualizações em 2016. No vídeo, o paciente que viva com Parkinson há 20 anos, tremia e tinha dificuldades para falar e se locomover.
É só depois de algumas gotas do óleo embaixo da língua que em questão de minutos, os sintomas diminuem. Segundo entrevistas, Smith já havia tentado de tudo, até mesmo a cirurgia, para conter os avanços da doença.
A premiada produção ‘Ride with Larry’ (2013), distribuída internacionalmente como ‘Viajendo com Larry’, documenta como Larry Smith revolucionou seu tratamento do Parkinson utilizando derivados canabinoides sob orientação médica.
Para entender de forma mais detalhada como a cannabis age no organismo, é preciso compreender que o nosso corpo possui um sistema chamado Sistema Endocanabinoide, que através dos endocanabinoides, produzidos por nós mesmos, podem regular várias funções do nosso organismo a nível celular.
Por causa do baixo nível de dopamina, o Parkinson pode causar alterações neuroquímicas neste sistema, que se agravam de acordo com a evolução da doença.
Os pesquisadores identificaram altas concentrações de canabinoides no tecido cerebral, com predominância na substância negra. Por isso, eles podem modular as alterações ocasionadas pela condição.
A cannabis também possui algo parecido, com os endocanabinóides, mas o nome é fitocanabinoide. Quando entram no nosso corpo, eles podem fazer a mesma função, agindo como uma espécie de reforço.
Os fitocanabinoides possuem também propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, que ajudam a restabelecer a função neural. No entanto, ainda faltam pesquisas mais amplas.

Cannabis para o tratamento de Parkinson
Embora o Parkinson não tenha cura, a boa notícia é que há vários tratamentos que ajudam nas dores, um deles, como o nome do artigo sugere, é a cannabis medicinal. Ela ajuda a manter o controle dos sintomas tanto motores quanto não motores. Isso porque as suas propriedades anti-inflamatórias podem ajudar a restabelecer a função neural.
Alguns estudos pré-clínicos sugerem até que dependendo do estágio da doença, o óleo de cannabis pode modular as alterações neuroquímicas que acontecem por causa do baixo nível de dopamina, um tipo de neurônio prejudicado pelo Parkinson.
Os artigos científicos sobre o assunto ainda são limitados e precisam de estudos mais amplos. No entanto, servem de base para mais estudos com pessoas, que também já estão sendo feitos. Sem contar com os relatos, que sempre são positivos. Carlos Marinho por exemplo, bateu o pé durante anos sobre o uso da cannabis.
A sua filha Andreia Rodrigues insistia, pois usava a planta no tratamento das suas filhas, que tinham autismo, paralisia cerebral e epilepsia refratária. Depois que o ex-militar finalmente cedeu, voltou a andar, comer e a usar o banheiro por causa do canabidiol (CBD).
Você deve estar se perguntando: Quantas gotas de canabidiol para o tremor essencial? Bom, isso pode variar. Isso porque a cannabis funciona de maneira única para cada paciente. Por isso, é necessário um acompanhamento médico durante todo o tratamento.
Os pacientes também podem utilizar a cannabis junto com outros medicamentos, como o Prolopa. No entanto, apenas um profissional de saúde pode orientar a substituição de um pelo outro.
Até o Brasil já realizou pesquisas sobre o assunto. Em 2009, o CBD foi testado em seis pacientes com Parkinson, para medir a eficácia do óleo no tratamento da psicose ocasionada pela doença. A pesquisa foi feita pelo Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP). A universidade é conhecida por ser a pioneira em pesquisas sobre canabidiol.
As gotas de canabidiol por dia para Parkinson conseguiram reduzir significadamente as reações psicóticas sem efeitos adversos. O estudo mostrou também uma melhora na ansiedade dos pacientes e concluiu que o CBD pode ser uma importante solução para condições da mente.
Outra pesquisa feita em 2014 também pela USP de Ribeirão Preto, realizou mais ensaios clínicos, dessa vez os pacientes não tinham nenhum tipo de demência. Foram 21 voluntários divididos em três grupo: grupos que receberam cápsulas de CBD com 75mg, outro com 300mg e por fim, um grupo que recebeu o placebo todos os dias.
Mais uma vez, o uso do canabidiol mostrou uma melhora notável no bem estar e nas funcionalidades em relação aos pacientes que utilizaram o placebo. Mesmo com a dosagem mais alta de 300mg, os voluntários não demonstraram qualquer reação adversa.
Segundo o professor José Alexandre Crippa, um dos coordenadores do estudo em entrevista ao G1, ressaltou que o tratamento alternativo pode ser uma opção até para casos mais graves, como quando se manifesta na juventude e pode piorar rapidamente, por exemplo.

Cannabis para o tratamento de Parkinson
Em 2017 mais testes em pessoas com Parkinson foram feitos, dessa vez para testar o canabinoide nas funções motoras. Os pesquisadores do estudo europeu observaram 20 pacientes antes e depois do uso de CBD. Para isso, os cientistas apresentaram questionários e testes sensoriais para medir os avanços.
Os pesquisadores perceberam uma melhora não só nas funções motoras, quanto na diminuição das dores relatada pelos pacientes.
Vários outros estudos em 2017 também relataram outras melhorias, como o auxílio em pacientes que também tinham esclerose múltipla, onde através de questionários os cientistas constataram melhorias no humor, fadiga e até obesidade.
A equipe médica aplicou outro questionário no mesmo ano para 47 pacientes que usaram a cannabis via inalação. Os pacientes acrescentaram ainda uma diminuição das quedas, na rigidez muscular, nos tremores, na insônia, sensação de dor e até uma melhora na depressão.
Neste estudo, também foi utilizado outro canabinoide da planta, o THC (tetra-tetraidrocanabinol), conhecido por suas propriedades psicoativas na maconha. O que por mais que trouxesse benefícios, causou alucinações e confusão mental nos pacientes.
No ano passado(2019), um estudo pré-clínico realizado pela USP de Ribeirão Preto mostrou que tanto a cannabis in natura, quanto os canabinoides isolados, sejam naturais ou sintéticos possuem propriedades para os sintomas motores e não motores de Parkinson, como tremores, rigidez muscular, humor, sono, ansiedade, psicose e qualidade de vida.
É possível comprar canabidiol para Parkinson, mas apenas com receita médica. É o profissional que irá indicar a dosagem correta. Você pode adquirir através de importações, nas farmácias e até por associações de pacientes.
O preço vai variar de acordo com o paciente, se é um produto importado ou vendido nas farmácias e até a concentração indicada. O custo do canabidiol paraParkinson pode ir de R$100 até R$2 mil.
Por isso, caso precise de ajuda, disponibilizamos um atendimento especializado que poderá esclarecer todas as suas dúvidas. Além de auxiliar desde a achar um prescritor até o processo de compra do produto através da nossa parceira Cannect. Clique aqui.
Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
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