Combinar ansiolítico e maconha é seguro? Entenda riscos, possíveis interações com clonazepam e porque o THC pode até aumentar a ansiedade.

Ansiolíticos e maconha esta combinação é segura
A combinação entre maconha e ansiolíticos tem despertado o interesse de pessoas que procuram alternativas para o tratamento de ansiedade, insônia ou ataques de pânico.
Entretanto, como ambas as substâncias atuam diretamente no sistema nervoso central, uma a seguinte dúvida: a interação entre ansiolíticos e maconha é segura?
Para responder essa pergunta, nós preparamos um artigo completo com tudo o que você precisa saber sobre o assunto: benefícios, riscos, interações farmacológicas e segurança.
Antes de explicar se a combinação entre ansiolíticos e maconha é segura para o tratamento de ansiedade, vamos entender como cada um dos elementos age em nosso organismo.
Ansiolíticos como Rivotril, conhecido cientificamente por clonazepam, são bastante populares no tratamento das seguintes condições:
Essa classe de medicamentos funciona reduzindo a atividade neural, o que promove a sensação de desaceleração do cérebro.
Isso acontece porque os benzodiazepínicos potencializam os efeitos de um neurotransmissor chamado GABA (ácido gama-aminobutírico).
Entre os efeitos mais conhecidos da medicação, estão: relaxamento muscular, redução de quadros de ansiedade e tensão, além de sedação profunda.
A maconha age a partir do contato do THC (tetra-hidrocanabinol) e do CBD (canabidiol) com os receptores CB1 e CB2, localizados no sistema endocanabinoide, localizado, nesse caso, o cérebro humano.
O THC se conecta com os receptores CB1 localizados nas áreas do cérebro associadas ao humor, memória, coordenação e a percepção sensorial. Por causa disso, podemos dizer que a substância é responsável por:
No entanto, pessoas sensíveis ou que ingeriram doses elevadas de THC, o efeito é justamente ao contrário. Nestas situações, a substância induz ansiedade, paranoia e até ataques de pânico.

A combinação entre ansiolíticos como o Rivotril e a maconha pode sobrecarregar o organismo e ter efeito contrário ao esperado.
Entre os efeitos colaterais mais frequentes, estão: sedação excessiva, intoxicação, aumento da ansiedade e desencadear crise de pânico. Conheça mais sobre esses riscos.
De maneira geral, tanto a cannabis quanto os ansiolíticos atuam como supressores do sistema nervoso central. Em virtude disso, ao serem ingeridos em conjunto, elevam o risco de:
O clonazepam, por si só, pode provocar amnésia, déficit de atenção e desorientação. Quando associado a doses altas de THC, aumentam a chance do paciente sofrer com:
Estudos recentes indicam que componentes da cannabis como, por exemplo, o CBD e CBG, são capazes de afetar a metabolização do clonazepam pelo organismo. Em outras palavras, a interação entre os medicamentos pode acarretar:
De maneira geral, a maconha medicinal é conhecida como um remédio seguro. No entanto, doses elevadas de THC podem provocar ataques de pânico e paranoia, além de intensificar a ansiedade.
Por isso, quando há a combinação de THC com ansiolíticos, há o risco do paciente desenvolver o famoso “efeito rebote”, que consiste em:
Entre os principais efeitos colaterais de um tratamento com maconha ou clonazepam, está a redução dos reflexos. Por conta disso, após a interação entre os medicamentos, o paciente pode sofrer:
O clonazepam, por si só, reduz a atividade cerebral, gerando aquela sensação de relaxamento. Ao interagir com a maconha medicinal, esse efeito é potencializado. Isso significa que o paciente que usa dos medicamentos pode sentir:
Os medicamentos à base de THC podem ampliar a instabilidade mental em pacientes que estão em tratamento psiquiátrico.
A interação com ansiolíticos, potencialmente, máscara sintomas de doenças mais graves.
Por isso, a combinação deve ser bem avaliada em pessoas com: esquizofrenia, transtorno bipolar, histórico de psicose e com níveis elevados de ansiedade.
Por conta dos efeitos colaterais, a combinação de ansiolítico e maconha para o tratamento de ansiedade é contraindicado para os seguintes grupos de risco:
De acordo com publicação no Cannabuff, respeitar uma janela de 8 horas entre o uso dos medicamentos reduz o risco de efeitos colaterais. O risco só não é zero, devido ao ciclo de vida do clonazepam, que varia de 30 a 40 horas após a ingestão.
Um tratamento efetivo e seguro com cannabis passa direto pelo diagnóstico, prescrição e acompanhamento médico. É essencial também que o especialista conheça os efeitos positivos da cannabis medicinal.
Rodrigo Svrcek
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