Farmácia especializada aposta em pronta entrega e educação para escalar cannabis medicinal no Brasil e destravar acesso de pacientes.

Cannabis Company entra para o mercado apostando na farmácia. Foto: Adriano Sann/ Divulgação
O mercado de cannabis medicinal no Brasil se aproxima de R$ 1 bilhão e segue em expansão. Mas, apesar do crescimento acelerado no número de pacientes e prescrições, um problema ainda persiste: o acesso.
Foi exatamente nessa lacuna que nasceu a Cannabis Company — uma farmácia especializada que aposta em um modelo pouco explorado no país: pronta entrega, atendimento contínuo e integração com médicos.
À frente da operação está Michele Farran, que viu no próprio tratamento uma oportunidade de negócio.
Diagnosticada com artrite reumatoide, Michele enfrentou, como milhares de brasileiros, um caminho fragmentado até conseguir acesso à cannabis medicinal.
Entre burocracias, falta de informação e dificuldades logísticas, o processo era lento — e, em muitos casos, incompatível com a urgência do tratamento.
“Tempo é terapêutico. A pessoa não quer esperar semanas para começar um tratamento”, afirma.
A experiência pessoal revelou uma falha estrutural: o mercado existia, mas o acesso era ineficiente.
A resposta veio em forma de negócio.

Michele Farran, da Cannabis Company. Foto: Adriano Sann/ Divulgação
Até então, o modelo predominante colocava o paciente no centro de um processo complexo: buscar médicos, entender prescrições, encontrar fornecedores e, muitas vezes, aguardar semanas pela importação.
A Cannabis Company nasce com uma proposta diferente:
“O paciente se moldava ao modelo. A gente quer que o modelo se molde ao paciente.”
Na prática, isso significa:
Mais do que uma farmácia, a empresa se posiciona como um hub de acesso à cannabis medicinal.
“A farmácia tradicional começa onde o médico termina. A gente está antes, durante e depois.”
Leia também: Cannabis na farmácia: a nova regulação facilita o acesso?
Em um mercado ainda dominado pela importação, a pronta entrega se torna um diferencial estratégico.
Além de reduzir o tempo de início do tratamento, o modelo resolve gargalos importantes:
Ao centralizar a operação e trabalhar com logística enxuta, a empresa busca equilibrar disponibilidade e custo — um dos maiores desafios do setor.
Hoje, os produtos variam, em média, entre R$ 200 e R$ 2.000.
“Não é um mercado de margens simples. É uma operação que exige eficiência e disciplina.”
Se o acesso ainda é um gargalo, a informação talvez seja um problema ainda maior.
Segundo Michele, muitos pacientes recebem a prescrição sem qualquer orientação prática:
Ao mesmo tempo, a formação médica ainda é limitada.
“Não existe uma especialidade médica em cannabis. Isso cria uma lacuna enorme no mercado.”
Nesse contexto, a Cannabis Company aposta em um modelo baseado em:
A estratégia tem impacto direto na fidelização.
“As pessoas querem ser atendidas como pessoas. Isso é o que mais gera recorrência.”

Michelle Farran em entrevista à Cannalize
O avanço da cannabis medicinal no Brasil acontece em paralelo a um ambiente regulatório ainda em construção.
Para Michele, isso representa uma dualidade:
Ela defende uma evolução baseada em evidências, evitando uma liberalização desorganizada.
“A gente não quer que a cannabis seja vista como algo alternativo. É um medicamento.”
A recente abertura para pesquisas e discussões sobre cultivo controlado é vista como um passo na direção certa — mas ainda inicial.
Diferente de outras empresas que priorizam crescimento acelerado, a Cannabis Company adota uma estratégia mais gradual.
O plano começa com consultores regionais — os chamados “consultores canábicos” — que atuam como ponte entre:
Esse modelo permite:
Só depois vem a segunda etapa: expansão física.
“Antes de crescer, precisamos entender cada mercado.”
A aposta da Cannabis Company reflete uma mudança mais ampla no setor.
A cannabis medicinal deixa de ser um nicho alternativo e passa a se estruturar como parte do sistema de saúde.
Esse movimento envolve:
Mas ainda há desafios importantes:
Para Michele Farran, o mercado brasileiro está entrando em uma nova fase.
Menos sobre crescimento acelerado, e mais sobre estrutura.
“Não adianta crescer rápido sem base. A gente está construindo um mercado.”
Nesse cenário, empresas que conseguirem combinar:
devem liderar a próxima etapa da cannabis medicinal no país.
E, ao que tudo indica, o caminho passa — cada vez mais — pelas farmácias.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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