Segundo o novo diretor da quinta diretoria, o adiamento do cultivo de cannabis é importante para criar uma resolução mais consistente. O atraso pode causar um impacto de R$5 bilhões

Anvisa explica sobre o adiamento do cultivo de cannabis foto: Reprodução/Youtube/ Anvisa
Nesta quarta-feira (8), durante a 16ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o diretor da quinta diretoria, Thiago Campos, falou sobre o pedido de prorrogação do prazo para regulamentar o cultivo de cannabis no Brasil.
A agência solicitou mais 180 dias para concluir o processo, que já foi adiado duas vezes. Se o novo prazo for aceito pelo Judiciário, a regulamentação pode ficar para 2026.
O cultivo da cannabis para fins medicinais e farmacêuticos foi determinado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2024, mas até agora não foi regulamentado.
A demora tem gerado críticas, especialmente a indústria e pesquisadores. Estes aguardam uma definição clara sobre como será feita a produção nacional da planta.
Thiago Campos, que assumiu o cargo de diretor da Anvisa em setembro, explicou que já havia uma proposta de resolução em andamento, mas decidiu pedir mais tempo para analisar melhor o tema.
“Mesmo antes da publicação do plano, a área técnica da Anvisa já havia submetido uma proposta de resolução com o objetivo de atender ao comando judicial”, disse. “Mas próximo ao fim do prazo estabelecido, com a minha posse no cargo, optei por solicitar elementos informacionais que entendi necessários à minha análise sobre o caso.”
Campos enviou uma série de questionamentos às áreas técnicas da agência, buscando entender melhor os impactos da proposta. Entre os pontos levantados estão:
No fim do mês passado, a Anvisa foi parar na mídia mais uma vez. Mas agora por causa de um pedido da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para obter autorização de pesquisas com o cultivo de cannabis.
A solicitação gerou críticas da população justamente pelos órgãos estatais de pesquisa não estarem dentro do plano de cultivo de cannabis em solo nacional.
Sobre a ausência de autorização para pesquisas, a GPCOM (Gerência Geral de Produtos Controlados) explicou que a proposta foi feita para cumprir estritamente o que foi determinado pelo STJ, que não mencionava atividades de pesquisa.
“Embora esta se caracterize como essencial à viabilização da finalidade medicinal, não foi incluída na regulamentação proposta”, informou a área técnica.
A GEMESP (Gerência de Medicamentos Específicos) também destacou que a falta de regulamentação para atividades de pesquisa, como o cultivo da planta, dificulta o acesso a insumos e materiais necessários.
“Entre as principais dificuldades mencionadas pelos pesquisadores, destacam-se a falta de regulamentação adequada da atividade de pesquisa envolvendo a espécie, incluindo o acesso a materiais, insumos e produtos adequadamente caracterizados para fins de pesquisa”, apontou.
A GEMESP ainda alertou que o limite de THC (tetrahidrocanabinol) pode dificultar o desenvolvimento de novos medicamentos.
“Tal limitação pode se apresentar como entrave de grande relevância à pesquisa e ao desenvolvimento de novos medicamentos e produtos de cannabis, incluindo alternativas ao Mevatil”, afirmou.
Por isso, a gerência solicitou um prazo mínimo de 24 meses para que a Anvisa possa fazer as adequações necessárias e colocar a norma em prática. “A elaboração de uma regulamentação abrangente envolve aspectos técnicos complexos que demandam estudos e consultas robustos”, justificou.
Campos também relatou que, desde que assumiu o cargo, realizou duas reuniões importantes: uma com a Embrapa, sobre pesquisa de cultivo, e outra com associações de pacientes.
“Considerei importante ouvi-los para entender. Essa escuta trouxe contribuições relevantes e, somada às manifestações das áreas técnicas, reforçou a necessidade de aprofundar a discussão sobre o tema da pesquisa”, disse.
Thiago Campos também ressaltou a necessidade de ouvir associações de pacientes, que criticaram a falta da inclusão das entidades na discussão sobre o cultivo, uma vez que já praticam o plantio de cannabis.
“Avaliei que, antes de qualquer regulamentação, seria preciso ouvir as entidades que acompanham a realidade dos pacientes. Ouvi-las e reconhecer a sua legitimidade social e o papel que exercem entre a população e o Estado”, disse.
De acordo com levantamento da consultoria Kaya Mind, a regulamentação poderia gerar 226 mil empregos e movimentar R$ 1,1 bilhão ao ano já nos primeiros anos, com potencial de alcançar R$ 4,9 bilhões anuais.
Para Larissa Uchida, CEO da Expocannabis Brasil, maior feira do setor no país, o impacto é imediato, pois como a atual regulamentação atende somente ao setor medicinal, o adiamento atrasa o desenvolvimento de uma indústria nacional estruturada e a ampliação da oferta para os pacientes que precisam do tratamento.
A fala de Uchida evidencia um ponto central: enquanto países vizinhos avançam em seus marcos regulatórios, o Brasil corre o risco de perder competitividade em um setor que une saúde, inovação e sustentabilidade.
O diretor explicou que o pedido de prorrogação foi enviado à AGU (Advocacia-Geral da União) e ainda aguarda decisão, mas que é necessário pela complexidade do tema.
“Entendi ser adequado subsidiar a AGU com a prorrogação do prazo, protocolado no dia 30, propondo a extensão por 180 dias”, afirmou. “Se acolhida, cria condições para o desenvolvimento de iniciativas que priorizem a escuta da sociedade e a construção de uma regulamentação mais consistente.”
Os demais membros da reunião ressaltaram a postura de Campos, como o Diretor da Segunda Diretoria da Anvisa, Daniel Pereira, que ainda fez um apelo ao público:
“Faço um apelo aos órgãos governamentais para que se unam, para que possamos entregar uma proposta de regulamentação que cumpra a decisão judicial.”
Daniela Marreco ainda reforçou que o tema é complexo e envolve não só a Anvisa, mas outros órgãos do governo. “O prazo de extensão cria a oportunidade de criar uma proposta mais consistente, capaz de incorporar as reais necessidades do cultivo da cannabis com finalidade exclusivamente medicinal e farmacêutica.”
Agora, a expectativa é que o Judiciário avalie o pedido da Anvisa. Se aprovado, a agência terá mais tempo para construir uma regulamentação que leve em conta não apenas os aspectos legais, mas também os desafios técnicos, científicos e sociais envolvidos no cultivo da cannabis no Brasil.
A cannabis medicinal só pode ser comprada legalmente no Brasil com receita médica. E o primeiro passo para ter acesso é agendar uma consulta.
Se você precisa de orientação, oferecemos um atendimento especializado que te ajuda desde a escolha do médico prescritor até a compra do produto com a nossa parceira Cannect.
As consultas custam a partir de R$99 e você pode agendar agora mesmo clicando aqui ou baixando o aplicativo. Não adie sua saúde, comece seu tratamento com segurança e acompanhamento profissional.
Tainara Cavalcante
Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.
Inscreva-se grátis na nossa Newsletter!
ASPAEC lança linha de óleos de cannabis medicinal
Gabriel Sampaio fala como o óleo de CBD ajuda em sua rotina
Badauí se junta a artistas que investem em cannabis
Festival Híbrido abre inscrições para salão de arte psicodélica
Universidade brasileira lança estudo com cannabis para TDAH com adolescentes
Justiça autoriza ABRACE a ampliar acesso a flores
Copyright 2019/2023 Cannalize – Todos os direitos reservados
Solicitação de remoção de imagem
Termos e Condições de Uso