Macieira amplia o catálogo de flores da associação com predominância de THC, aroma que lembra torta de maçã e bom rendimento nos primeiros ciclos de cultivo

ASPAEC lança nova strain Macieira para associados
Depois de apresentar genéticas como Bahia, Maracujá e Bubble Gum CBD, a Associação Pauloafonsina de Estudos Canábicos (ASPAEC) amplia o portfólio disponível aos associados com a inflorescência Macieira.
O lançamento acrescenta ao catálogo uma genética selecionada por suas características de cultivo, composição e experiência sensorial.
Para entender a Macieira, a Cannalize conversou com Alexandre, engenheiro-agrônomo responsável pelo cultivo da entidade.
A Macieira é o nome adotado pela ASPAEC para uma genética originada do cruzamento entre Kush Mints #11 e Apple Fritter.

Apple Fritter, uma das strains usada na genética Macieira
O nome faz referência principalmente às características sensoriais percebidas durante os testes. Apple Fritter significa, em tradução livre, “fritura de maçã” e costuma ser associado a aromas doces, ácidos e semelhantes aos de preparações assadas.
Na experiência de Alexandre, essas características também apareceram na flor cultivada pela associação.
“Quando fiz o uso terapêutico pela primeira vez, senti um sabor um pouco azedo, que lembrava maçã. É um perfil exótico. Gostei muito e resolvemos começar os testes.”
Segundo o agrônomo, o aroma mistura notas cítricas e ácidas com uma percepção que lembra massa doce e maçã verde.
Esse relato, porém, ainda é sensorial. Durante a entrevista, a associação não havia concluído uma análise completa dos terpenos da Macieira. Por isso, não é possível afirmar quais compostos aromáticos predominam ou relacioná-los diretamente a efeitos específicos.
As primeiras análises realizadas pela ASPAEC encontraram concentrações próximas de 15% e 20% de THC em diferentes amostras da Macieira.
Uma delas apresentou aproximadamente 14,95%. Outra chegou perto de 20%. Para Alexandre, a variação faz parte da própria dinâmica da planta.
Isto porque flores retiradas de partes diferentes podem receber quantidades distintas de luz. O metabolismo também muda entre pessoas, mesmo quando as plantas compartilham a mesma genética.
“Não existe uma consistência absoluta da quantidade de THC em cada flor. Há o bud de baixo, o do meio e o de cima, além da quantidade de luz que cada um recebeu. A média que encontramos ficou entre 15% e 20%.”
Na prática, esses números posicionam a Macieira entre as flores com predominância de THC. Ainda assim, a concentração isolada não explica toda a experiência.
Canabinoides secundários, terpenos, forma de administração, dose e características individuais também influenciam a resposta. Essa é uma das razões pelas quais a classificação por quimiotipos oferece uma leitura mais precisa do que a divisão tradicional entre sativa e indica.
Leia também: Quimiotipos da cannabis: o fim da era sativa e indica – Cannalize
Pela origem genética, Alexandre classifica a Macieira como uma híbrida de predominância indica. A observação da planta no cultivo, no entanto, sugere um comportamento mais equilibrado.
“Pelos parentais, ela tem predominância indica. Mas, depois de cultivar, acredito que fique próxima de 50% indica e 50% sativa.”
A planta apresenta porte mais alto, folhas relativamente estreitas e flores densas. Ao mesmo tempo, os buds não são excessivamente compactos, característica que pode facilitar a circulação de ar e o manejo em períodos mais úmidos.
Outro ponto considerado pela equipe foi o rendimento. Segundo Alexandre, a Macieira apresentou boa produtividade nos primeiros ciclos e mostrou potencial tanto para a dispensação das flores quanto para a produção de óleos e concentrados.
“Ela tem uma produtividade legal. A estrutura do bud é densa, mas não muito densa. Acreditamos que seja uma boa planta para o cultivo e para a produção dos outros formatos.”
Na comparação com outras variedades já cultivadas pela associação, Alexandre descreve a Macieira como uma flor de efeito mais compatível com o período diurno.
A percepção, contudo, parte de sua experiência individual e não de um estudo clínico ou de uma análise completa dos compostos da planta.
“Para mim, o efeito é um pouco mais diurno e eufórico. Ela não dá aquele efeito de ficar preso ao sofá, mas, ao mesmo tempo, dá uma acalmada.”
A distinção é importante. Relatos ajudam a contextualizar a experiência, mas não permitem prever como todos os pacientes responderão.
É importante lembrar que a reação ao THC pode variar conforme dose, tolerância, metabolismo, condição clínica e combinação com outros medicamentos. Por isso, a escolha de uma flor medicinal precisa considerar a prescrição e o acompanhamento profissional.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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