Entenda os riscos dos antipsicóticos no autismo, efeitos colaterais e quando o uso é necessário segundo psiquiatria Dr. Jairo Coutinho
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Guia completo sobre riscos dos antipsicóticos no autismo



15/06/2026


Entenda os riscos dos antipsicóticos no autismo, efeitos colaterais e quando o uso é necessário segundo psiquiatria Dr. Jairo Coutinho

pessoa segurando antipsicóticos no autismo

Os antipsicóticos podem causar efeitos colaterais em pacientes com autismo

Antipsicóticos são utilizados no autismo para controlar comportamentos graves, como agressividade e autoagressão.  

 No entanto, a administração do medicamento exige um cuidado especial por parte do médico prescritor e do responsável pelo paciente.  

Isso porque os antipsicóticos apresentam riscos relevantes à saúde como, por exemplo, ganho de peso, sedação, alterações hormonais e possível impacto emocional.  

Por isso, o uso deve ser cuidadosamente monitorado e não substituir as demais terapias em desenvolvimento. 

O que são antipsicóticos e por que são usados no autismo? 

Antipsicóticos como risperidona e aripiprazol são usados não para tratar o autismo em si, mas para controlar sintomas específicos associados à essa condição. Entre os comportamentos mais comuns, estão:  

  • agressividade; 
  • crises intensas (meltdowns);
  • autoagressão; 
  • irritabilidade severa. 

O maior erro é achar que é tratamento do autismo 

O maior erro de quem busca antipsicóticos para autismo, é achar que a medicação foi desenvolvida para tratar o transtorno de espectro autista (TEA). Entretanto, o Dr. Jairo Coutinho reforça que o objetivo do tratamento é outro:  

“Hoje existem basicamente dois medicamentos aprovados, mas eles atuam reduzindo atividade dopaminérgica tentando regular comportamento.”, disse. 

Em resumo, os antipsicóticos: não desenvolvem habilidades, não melhoram comunicação e não tratam a neurodivergência. 

Os principais riscos dos antipsicóticos no autismo 

O uso de antipsicóticos para autismo é uma questão delicada, pois há riscos do medicamento afetar o metabolismo, o funcionamento neurológico, o organismo e comprometer a qualidade de vida do paciente.  

Por isso, decidir quando, como e por quanto tempo tratar autistas com antipsicóticos é uma questão delicada que envolve médicos prescritores e responsáveis pelo paciente. Conheça melhor cada um dos riscos. 

Alterações metabólicas e ganho de peso 

Um dos efeitos colaterais mais comuns de tratar autismo com antipsicóticos é o impacto no metabolismo do paciente, principalmente em crianças e adolescentes.  

Entre os sinais mais comuns dessa alteração, estão o aumento do apetite e ganho acelerado de peso.  

No entanto, em caso de uso prolongado, os antipsicóticos podem acarretar o desenvolvimento de maior resistência à insulina, aumento no colesterol e o risco de doenças cardiovasculares.  

Sedação e redução da vitalidade 

Outro efeito da prescrição de antipsicóticos é a sedação e a redução da vitalidade. Entre os principais impactos à rotina do paciente, estão:  

  • sonolência constante; 
  • sensação de lentidão; 
  • redução geral de energia. 

Apesar de ajudar na redução de crises internas características do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o medicamento pode limitar a interação social, o aprendizado e o desenvolvimento de habilidades.  

Alterações hormonais 

Os antipsicóticos para autismo podem afetar diretamente o funcionamento do nosso sistema endócrino, o responsável por controlar a produção hormonal. Em consequência disso, é muito comum que os pacientes sofram com:  

  • alterações menstruais; 
  • diminuição da libido; 
  • atraso ou alteração na puberdade; 
  • alterações no ciclo hormonal; 
  • impacto no desenvolvimento sexual. 

De acordo com o Dr. Jairo Coutinho, outro efeito do uso de antipsicóticos é o aumento da mama e da lactação, inclusive em homens: 

“A risperidona e outros antipsicóticos podem provocar ganho de peso, alterações hormonais, lactação em homens e essa sensação de zumbificação”, relatou. 

H3 – Efeitos neurológicos 

Por atuarem diretamente no cérebro regulando a liberação de dopamina, os antipsicóticos para autistas podem afetar diretamente o sistema nervoso do paciente. Entre sintomas mais comum dessa interferência, estão:  

  • tremores; 
  • rigidez muscular; 
  • movimentos involuntários. 

Efeito psicológico e emocional 

Por fim, há os efeitos psicológicos e emocionais associados aos antipsicóticos. Mais sutis que os efeitos anteriores, o impacto está ligado à forma como o paciente reage, sente e se relaciona com o seu entorno.  

Essa reação acontece porque o medicamento bloqueia totalmente a ação da dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, motivação, emoção, iniciativa e interesse. Por conta disso, é comum que o portador de Transtorno do Espectro Autista (TEA) passe a demonstrar:  

  • menos reatividade emocional; 
  • menos entusiasmo; 
  • menos iniciativa; 
  • menos expressão. 

Quando o uso de antipsicóticos pode ser necessário para autismo? 

A prescrição de antipsicóticos para autismo é recomendada apenas em situações limites como, por exemplo, crises graves, risco de autoagressão e emergências.  

Para o Dr. Jairo, o uso indiscriminado do medicamento pode acabar limitando a autonomia do paciente do que ajudar no tratamento.  

“Existem situações críticas em que intervenções medicamentosas podem ser necessárias, mas transformar isso em uso contínuo como padrão é problemático”, alertou.  

Contenção X desenvolvimento do paciente autista 

Hoje, na medicina psiquiátrica, há dois tipos e tratamentos para o paciente de TEA. O primeiro tem como foco a contenção das crises. O segundo, tem como objetivo estimular o desenvolvimento da pessoa. Conheça melhor cada um deles: 

Modelo de contenção para autismo 

 O modelo de contenção para autismo tem como objetivo bloquear qualquer comportamento indesejado o mais rápido possível.  

Com o uso de antipsicóticos, o profissional de saúde tentará reduzir sintomas como agressividade e autoagressão para alcançar a estabilidade imediata do paciente.  

O grande problema é que essa técnica, se usada com recorrência em longo prazo, pode travar o desenvolvimento da pessoa e deixá-la anestesiada.  

Modelo para o desenvolvimento do paciente autista 

O modelo voltado para o desenvolvimento do paciente é voltado para compreender o comportamento do paciente e estimular a regulação emocional, além do desenvolvimento da comunicação e da interação social.  

Nesse caso, o médico responsável pelo tratamento cria estratégias e terapias que vão permitir que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista aprenda a perceber os sinais das crises e se autorregular com o passar do tempo.  

Alternativa aos antipsicóticos para autistas? 

Para além da administração de antipsicóticos para a contenção de autistas, é possível adotar acompanhamento multidisciplinar, acompanhamento multidisciplinar, terapias comportamentais, suporte familiar e cannabis medicinal. 

Cannabis medicinal no tratamento de TEA  

cannabis medicinal tem atuação coadjuvante no tratamento de Transtorno do Espectro Autista, agindo diretamente no manejo dos sintomas.  

O CBD é um canabinoide que não é psicoativo, é seguro para o paciente e pode ser usado para modular o comportamento do paciente. O medicamento contribui para reduzir os seguintes sintomas das crises:  

  • agressividade; 
  • ansiedade; 
  • agitação; 
  • autoagressão; 
  • epilepsia. 

 O Transtorno do Espectro Autista pode ser tratado tanto com medicamentos convencionais, como terapias alternativas com ajuda da cannabis medicinal.  

No entanto, é essencial que o paciente tenha suporte familiar adequado e acompanhamento contínuo por parte do médico prescritor.  

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Rodrigo Svrcek