Nova proposta da Farm Bill pode restringir gummies e bebidas com THC derivado do cânhamo nos Estados Unidos

Mudanças na lei dos EUA podem afetar gummies com THC
O mercado norte-americano de gummies, bebidas e outros produtos com THC derivado do cânhamo pode enfrentar uma das maiores mudanças desde a aprovação da Farm Bill de 2018.
Isso porque uma nova proposta legislativa aprovada pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos pretende endurecer as regras sobre produtos intoxicantes feitos a partir do cânhamo.
Como resultado, fabricantes de suplementos e itens wellness à base de cannabis podem sofrer impactos diretos.
A medida integra as discussões da Farm Bill de 2026, pacote legislativo que regula setores da agricultura americana. Entre os principais pontos da proposta está a revisão da definição federal de cânhamo, o cânhamo industrial legalizado nos EUA desde 2018.
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Atualmente, a legislação considera legal o cânhamo que possui menos de 0,3% de delta-9 THC em peso seco. Assim, abriu-se espaço para um mercado bilionário de produtos como gummies, bebidas, vapes e flores ricas em canabinoides derivados do cânhamo. Entre eles estão o delta-8 THC e o THCA.
Agora, parlamentares americanos querem adotar uma definição mais ampla de THC. Além do delta-9, a proposta inclui o chamado “total THC”. Na prática, compostos como o THCA também entrariam no cálculo legal da planta e dos produtos derivados.
O ponto que mais preocupa a indústria é a proposta de reduzir drasticamente a quantidade de THC permitida em produtos derivados do cânhamo. Segundo veículos da imprensa americana, produtos com mais de 0,4 mg de THC por embalagem deixariam de ser considerados legais em âmbito federal.
Na prática, a mudança atingiria diretamente o mercado de gummies e bebidas infusionadas. Hoje, esses produtos normalmente possuem doses entre 2,5 mg e 10 mg de THC por unidade. Além disso, empresas comercializam esses itens em diversos estados fora do sistema tradicional de dispensários de cannabis.
Nos últimos anos, o setor cresceu rapidamente nos Estados Unidos. Esse avanço ocorreu principalmente entre empresas de wellness e suplementos alimentares. Muitas delas passaram a vender produtos voltados para relaxamento, sono e bem-estar com canabinoides derivados do cânhamo.
A ofensiva legislativa ocorre em meio à pressão de autoridades estaduais, órgãos reguladores e empresas da cannabis licenciada. Segundo parte do setor, produtos intoxicantes derivados do cânhamo passaram a competir com o mercado regulado sem cumprir as mesmas exigências tributárias e sanitárias.
Além disso, autoridades americanas demonstram preocupação com a venda desses produtos em lojas convencionais e pela internet. Em muitos casos, a fiscalização permanece limitada e o controle de idade varia entre os estados.
Por isso, parlamentares e reguladores defendem regras mais rígidas para o segmento. Ao mesmo tempo, empresas do setor afirmam que mudanças bruscas podem afetar pequenos fabricantes e agricultores ligados ao mercado de cânhamo.
As mudanças podem gerar reflexos em outros mercados, incluindo o Brasil. Nos últimos anos, empresas americanas se tornaram referência global em gummies, bebidas funcionais e produtos wellness com cannabis.
Caso as restrições avancem, fabricantes poderão reformular produtos, reduzir investimentos no segmento ou migrar para mercados regulados de cannabis medicinal e recreativa.
Por outro lado, analistas avaliam que o endurecimento contra o cânhamo intoxicante pode fortalecer o debate sobre uma regulamentação federal mais ampla da cannabis nos Estados Unidos.
Lucas Panoni
Jornalista e produtor de conteúdo na Cannalize. Entusiasta da cultura canábica, artes gráficas, política e meio ambiente. Apaixonado por aprender.
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