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TDAH: como é ser um ET em um mundo neurotípico



12/07/2025


TDAH como é ser um ET em um mundo neurotípico

TDAH como é ser um ET em um mundo neurotípico

Este texto, na verdade, é uma carta dirigida ao meu eu do passado e a todas as pessoas que diariamente lutam contra isso e ainda não sabem nomear ou definir o que estão passando.

  • Preguiçosa.
  • Lerda.
  • Distraída.
  • Esquecida.
  • Bagunceira.

Aos 18 anos, busquei um psiquiatra que me disse que eu não poderia ter TDAH, porque “ia bem na escola”. Dez anos depois, aos 28, recebi meu diagnóstico formal: Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

O diagnóstico liberta. Faz você parar de se sentir um ET no meio de tanta gente neurotípica. Faz você se abraçar, acolher suas dificuldades e criar estratégias para lidar com elas. A medicação não é uma “muleta” ou “doping”.

Eu finalmente entendi que muitas das minhas aflições, ansiedades e angústias eram frutos da disfunção executiva e que esse era um dos meus maiores desafios.

Mas o que é disfunção executiva?

“A disfunção executiva refere-se a um conjunto de dificuldades que afetam a capacidade de uma pessoa de planejar, priorizar, organizar, iniciar e concluir tarefas, além de gerenciar o tempo, manter a atenção, usar a memória de trabalho, controlar impulsos, etc.”

O tratamento não me tornou uma pessoa com supercapacidade de cumprir tarefas, mas me tornou capaz de finalmente funcionar, planejar, organizar pensamentos e não só iniciar, mas também conseguir finalizar o que comecei. Não estou falando só de remédio, tá? Estou falando também de orientações em terapia, como fazer listas de tarefas e até listas de distrações (incluindo aquelas procrastinações produtivas, sabe? Tipo fazer aquela tarefa mais agradável que só precisamos entregar em um mês e ignorar a que é urgente).

Este não é um texto para autodiagnóstico, ainda mais porque hoje ter TDAH está na “moda”. É um texto para reduzir o estigma e incentivar pessoas a buscarem profissionais para um diagnóstico certeiro e tratamento. Assim podem finalmente se aceitarem e se acolherem: com suas facilidades, dificuldades, déficits cognitivos e hiperfocos.

A aceitação não é passividade. Podemos aceitar uma situação e, ainda assim, buscar melhorias ou mudanças. A diferença está na atitude: em vez de lutar contra a realidade, trabalhamos com ela. Não há tempo a perder tentando ser alguém que não somos.

Sobre as nossas colunas

As colunas publicadas na Cannalize não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem o propósito de estimular o debate sobre cannabis no Brasil e no mundo. Além de de refletir sobre diversos pontos de vista sobre o tema.​

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Raíssa Ximenes

Médica pela Universidade Federal de Alfenas. Prescrevendo Cannabis Medicinal desde 2022, com enfoque em Saúde Mental. Vegetariana, amante da sétima arte, da boa música e de explorar o mundo. @doutorapsicannabis