• 31 de julho de 2021

Cannabis e colite ulcerativa, qual a relação? 

 Cannabis e colite ulcerativa, qual a relação? 

Há muito interesse na cannabis medicinal e no CBD para ajudar a controlar uma variedade de doenças e sintomas. Se você ou alguém próximo está lutando contra a colite ulcerosa (UC), já se perguntou se a cannabis poderia ajudar com isso?

É bom entendermos a diferença entre a maconha e o canabidiol (CBD) . Ambos vem de uma planta que é usada tanto  para fins recreativos ou medicinais, chamada Cannabis sativa. 

Essa planta contém dois ingredientes ativos principais: THC e CBD.

É o tetrahidrocanabinol (THC) da cannabis que te dá aquela famosa sensação de estar chapado. Se você comprar produtos que contenham CBD, eles vêm de um primo da cannabis chamado cânhamo.

Não deve haver muita ou nenhuma quantidade de THC no produto de canabidiol comprado. Portanto, o CBD pode causar sensação de cansaço ou deixar a pessoa com a boca seca, mas não causará efeito alucinógenos.

A questão é: ambos ajudam no tratamento de UC?

Alguns pesquisadores e médicos estão explorando a possibilidade da cannabis ajudar de uma forma ou de outra as pessoas com doenças inflamatórias intestinais, incluindo a colite ulcerosa. 

Com base nas evidências até agora, a resposta não é um simples sim ou não.

“Existe uma porcentagem de pacientes que usam cannabis e se sentem melhor”, diz Jaime Kinnucan, MD, gastroenterologista da Universidade de Michigan.

“Seus sintomas, geralmente abdominais ou dor no corpo, diarreia, apetite e náuseas melhoram.” acrescentou ele. 

Provas Limitadas

Mas, de acordo com Kinnucan, isso não significa que usar cannabis é uma boa maneira de tratar a UC. 

Isso acontece porque as pessoas com UC têm inflamação no trato digestivo. Assim como as úlceras, está ligada aos sintomas da colite ulcerativa, incluindo diarréia, dor, cólicas, sangramento e fadiga . 

Sendo assim, o objetivo principal do tratamento é interromper a inflamação.

Algumas evidências em ratos sugerem que a planta cannabis pode ajudar com a inflamação. Isso está ligado a certos receptores que respondem a outros canabinóides que nosso corpo produz naturalmente.

A cannabis também pode retardar o trato digestivo. Mas ainda não está claro se fumar cannabis ou tomá-la em cápsulas combate a inflamação em pessoas com colite ulcerativa.

Durante um pequeno ensaio clínico, os pacientes com essa condição que tomaram cápsulas de canabidiol com uma pequena quantidade de THC durante um período de 10 semanas, não tiveram maior probabilidade de entrar em remissão do que aquelas que tomaram um placebo. 

Fumar dois cigarros de maconha por dia também não diminuiu os sinais de inflamação.

“Se for feito exames de sangue , exames de imagem ou amostras de fezes, o número de pacientes continua o mesmo”, diz Kinnucan. 

“Embora eles possam se sentir melhor, sua carga inflamatória não está melhorando”. acrescentou.

O estudo sobre o canabidiol relatou que o tratamento de 10 semanas melhorou a qualidade de vida. Mas os participantes do estudo também disseram ter sofrido alguns efeitos colaterais, incluindo tontura, dificuldade para prestar atenção, dor de cabeça, náusea e fadiga . 

A tontura foi o motivo mais comum pelo qual as pessoas no estudo de CBD desistiram. O estudo da maconha não relatou efeitos colaterais ou qualidade de vida.

Uma revisão recente dos dois estudos clínicos concluiu que os efeitos da cannabis e do canabidiol em pessoas com UC permanecem incertos. 

Não há evidências de que pode ajudar a colocar as pessoas com UC em remissão.

Mas é muito cedo para dizer se às vezes ajuda de outras maneiras e se é seguro.

Kinnucan diz que é possível que a cannabis possa ajudar alguns pacientes com UC e não outros. Para aqueles que conseguem controlar a condição com medicamentos, ela diz que não há razão para pensar que adicionar cannabis ajudaria. 

Nem sempre é uma boa ideia substituir os medicamentos aprovados por cannabis. Existe o risco de a cannabis esconder os sintomas e encorajar as pessoas a interromper os tratamentos necessários.

“No final do dia, se a esperança é controlar a inflamação, não há dados que sustentem isso”, diz Kinnucan.

Referências

  • Webmd
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Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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