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Trump avalia a reclassificação da cannabis nos EUA



11/08/2025


O tema da reclassificação da cannabis voltou à tona após um encontro de Donald Trump com grandes companhias do setor

Trump avalia a reclassificação da cannabis nos EUA

Trump avalia a reclassificação da cannabis nos EUA

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que vai avaliar uma mudança significativa na política federal de drogas: a reclassificação da cannabis.

A medida, que está em fase de análise dentro da Casa Branca, pode tirar a cannabis da lista de substâncias mais restritas no país. Atualmente a planta está enquadrada como “Lista I”, a mesma categoria de drogas como heroína e LSD, considerada sem uso médico aceito e com alto potencial de abuso.

A proposta é transferi-la para a categoria “Lista III”, que reconhece potencial medicinal, impõe regras de controle, mas permite pesquisas científicas e o uso em medicamentos aprovados pela agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, a FDA.

Leia também: Produtos de cannabis serão afetados pela taxação do Trump?

Segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal, Trump tratou do assunto em um evento de arrecadação de fundos realizado em seu clube de golfe em Nova Jersey. O encontro, que custou cerca de 1 milhão de dólares por pessoa, reuniu executivos de grandes empresas do setor.

Como por exemplo, Kim Rivers, CEO da Trulieve. Trata-se de uma das maiores companhias de cannabis dos Estados Unidos. Durante a conversa, Rivers defendeu a importância da reclassificação para estimular pesquisas médicas e fortalecer a indústria legalizada. Ainda ressaltou que a medida poderia impulsionar tanto a ciência quanto a economia.

Movimentação do mercado financeiro

O interesse do presidente no tema gerou reação imediata no mercado financeiro. As ações de companhias de cannabis dispararam na Nasdaq assim que a notícia veio à tona. Empresas como Canopy Growth Corp., Tilray, Cronos Group, Aurora Cannabis e Sundial Growers registraram ganhos expressivos, chegando a valorizações superiores a 19% no caso da Canopy.

Esse movimento reflete o otimismo de investidores que veem a reclassificação como uma oportunidade para reduzir barreiras regulatórias, ampliar o acesso a financiamentos e aliviar a pesada carga tributária imposta atualmente a negócios do setor por conta da lei federal.

O processo de reclassificação da cannabis, no entanto, não é simples. Embora Trump tenha afirmado que “precisamos olhar para isso” e confirmado que a Casa Branca recebeu relatórios sobre o tema, a decisão final ainda depende de uma série de etapas internas.

A chefe de gabinete, Susie Wiles, solicitou pareceres de diferentes agências federais, e esses documentos foram reunidos em um relatório do Domestic Policy Council, órgão responsável por aconselhar o presidente em questões domésticas.

Contudo, a recomendação ao presidente será analisada antes de qualquer anúncio oficial, e até o momento não há um cronograma definido para a decisão.

Resultados e consequências

A discussão também carrega um histórico recente. Durante o governo Biden, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos já havia recomendado à DEA (agência antidrogas dos EUA) a mudança da cannabis para a Lista III. Assim, a agência iniciou um processo administrativo para avaliar a medida.

No entanto, essa análise não foi concluída antes da mudança de governo, e agora o assunto volta ao centro do debate político, desta vez sob a gestão de Trump.

Se aprovada, a reclassificação da cannabis terá implicações amplas. Do ponto de vista científico, permitirá mais estudos clínicos e laboratoriais, já que a atual classificação impõe barreiras rígidas para pesquisas.

No campo econômico, a medida poderá dar fôlego a empresas que hoje não podem deduzir despesas operacionais comuns por conta de regras fiscais específicas para negócios ligados a substâncias proibidas, como a seção 280E do Código Tributário dos EUA.

Além disso, a mudança poderá facilitar a aprovação de medicamentos à base de cannabis e criar um ambiente mais favorável para investimentos.

Contradições

Politicamente, a decisão também é sensível. Um levantamento do Pew Research Center em janeiro de 2024 , por exemplo, indica que mais de 80% dos americanos apoiam algum tipo de flexibilização da lei federal em relação à maconha, seja para uso medicinal ou recreativo.

Por outro lado, grupos conservadores e parte da base republicana ainda veem a cannabis como uma ameaça à saúde pública e à segurança, e argumentam que qualquer flexibilização pode aumentar o consumo entre jovens.

Esse equilíbrio entre apoio popular e resistência ideológica torna a decisão estratégica para a campanha eleitoral e para a imagem do presidente.

Um futuro ainda incerto

Enquanto o governo analisa os próximos passos, o mercado segue atento. Analistas afirmam que mesmo um sinal positivo da Casa Branca pode manter a tendência de alta nas ações do setor e atrair novos investidores.

No entanto, lembram que a reclassificação não legaliza automaticamente o uso recreativo em todo o país, nem altera leis estaduais mais restritivas. Ela apenas reduz o nível de restrição federal e abre caminho para mudanças mais profundas no futuro.

Assim, a possível reclassificação da cannabis nos Estados Unidos se apresenta como um ponto de inflexão na política de drogas do país, com potencial para gerar impacto econômico, científico e social.

A medida ainda depende de decisão presidencial, mas já movimenta o mercado, desperta expectativas e reacende o debate sobre o papel da maconha na sociedade e na economia americana.

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Tainara Cavalcante

Jornalista pela Fapcom (Faculdade Paulus de Comunicação) e pós graduada na FAAP (Fundação Armando Alves Penteado) em Jornalismo Digital, atua como produtora de conteúdo no Cannalize, Dr. Cannabis e Cannect. Amante de literatura, fotografia e conteúdo de qualidade.