• 20 de outubro de 2020

”Se o mundo decidir não olhar para toda a ciência, já não é ignorância, é negligência”

 ”Se o mundo decidir não olhar para toda a ciência, já não é ignorância, é negligência”

Com o lançamento previsto para o final deste mês um novo documentário se aprofunda na ciência por trás da cannabis como medicamento, desde os pesquisadores que descobriram o poder dos canabinóides até os pacientes que tiveram suas vidas transformadas pela planta. 

O documentário , estará disponível na América do Norte em várias plataformas no dia 25 de agosto (final deste mês). O filme do diretor David Jakubovic mostra líderes do movimento da cannabis medicinal, incluindo cientistas, pacientes e ativistas como Steve DeAngelo, o cofundador do Harbourside Health Center em Oakland, o maior e um dos primeiros dispensários de cannabis medicinal do país.

“O filme tem como foco trazer para o público a ciência real que décadas de desinformação patrocinada pelo governo dos EUA escondem da vista do público”, disse DeAngelo em uma entrevista à imprensa responsável pelo documentário.

No decorrer do filmes é explorado o trabalho do Dr. Raphael Mechoulam , um químico orgânico israelense que em conjunto com outros cientistas foi o primeiro a isolar, descrever e sintetizar o tetrahidrocanabinol (THC) , e hoje é considerado o pai da pesquisa com canabinoides. 

Durante os estudos, ele observa que a cannabis é conhecida por ter propriedades medicinais há décadas, mas o desenvolvimento do poder da planta foi muito prejudicado, até que os pacientes e suas famílias lideraram o caminho.

“Há 37 anos publicamos nossas descobertas sobre o canabidiol (CBD) que bloqueia ataques epilépticos em pacientes. O que aconteceu? Absolutamente nada por trinta anos. Nada aconteceu até que pais desesperados como os deste filme decidiram fazer suas próprias pesquisas e descobriram que o canabidiol encontrado na planta pode ajudar no tratamento de crianças com epilepsia. Mas a epilepsia é apenas uma das muitas doenças que a medicina canábica pode tratar. Se o mundo decidir não olhar para toda a ciência, já não é ignorância, é negligência. ” disse Mechoulam.

Os fatos podem salvar vidas

O filme também acompanha a rotina e jornada de pacientes que precisam lutar para ter acesso a um medicamento que os faça bem e traga alívio a suas dores, assim sendo seus próprio porta-vozes.

 Por exemplo, a adolescente Rylie Maedler , que aos 7 anos foi diagnosticada com uma doença óssea degenerativa rara chamada granuloma de células gigantes agressivo. Como avanço da doença, o resultado foi tumores, que correu os ossos de seu rosto. Após o tratamento com CBD, ela se tornou a única pessoa com a doença em que os ossos se regeneraram.

“Meu desejo é que médicos, educadores e políticos norte-americanos vejam este filme”, disse Maedler, que colabora com os legisladores em seu estado natal, Delaware, para aprovar a Lei de Rylie, um projeto de lei que concede às crianças em condições qualificadas o acesso à cannabis medicinal. Porque eu sou a prova viva de que a cannabis e o CBD têm um lugar na medicina moderna.” concluiu Maedler.

O diretor Jakubovic disse que a criação da CBD Nation o levou a enfrentar o estigma que infelizmente continua a ser associado à cannabis pela maioria, que só serve para distorcer o verdadeiro valor da planta.

“No decorrer deste projeto, percebi que a cannabis está longe de ser uma droga de passagem, para muitos, é na verdade uma porta de saída de medicamentos tradicionais que geram efeitos indesejados ”, disse Jakubovic. 

“E nos Estados Unidos, onde 5% da população consome 75% dos produtos farmacêuticos mundiais, não podemos mais ignorar os fatos. Os fatos podem salvar vidas. ” complementa

O filme estará disponível na América do Norte em plataformas de vídeo e serviços de streaming, incluindo Amazon e iTunes, em 25 de agosto, por meio de um acordo de distribuição com a Gravitas Ventures.

 

Referências

  • High Times
  • cbdu nation film

Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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