• 27 de junho de 2022

O número de pacientes israelenses que usam Cannabis Medicinal chega a 60 mil

 O número de pacientes israelenses que usam Cannabis Medicinal chega a 60 mil

Em 2020, o número de pacientes que usam cannabis em Israel atingiu um recorde, chegando a marca de 60 mil. No entanto, as questões de conformidade para os produtores locais prejudicaram o mercado interno com o aumento das importações para evitar a escassez e atender ao aumento da demanda.

Em Israel, os medicamentos à base de cannabis são legais desde o final da década de 1990, e após a alocação das primeiras licenças domésticas no ano de 2006, o país se tornou um grande centro de pesquisa e desenvolvimento de cannabis.

Atualmente, possui o sistema de cannabis medicinal mais desenvolvido fora da América do Norte, mais de 0,6% da população israelense é registrada como um consumidor de cannabis medicinal. Ao contrário, a Alemanha, o líder europeu em tratamentos à base de cannabis, tem uma taxa de menos de 0,15%.

Antes do ano de 2019, os pacientes conseguiam seus suprimentos através de alguns produtores licenciados, por um custo fixo de menos de 100 euros por mês, independente da quantidade de cannabis que precisavam. No entanto, as reformas regulatórias em 2019 causaram uma escassez e insatisfação no setor. 

Além do surgimento de novos padrões de qualidade para os produtores, que causaram problemas para várias empresas, os pacientes inscritos no novo sistema são obrigados a comprar sua cannabis nas farmácias, que cobram dos clientes por grama, em vez da taxa fixa anterior. Isso quer dizer que os pacientes que precisam de doses mais altas pagam mais caro.

Exportações de cannabis israelense

Depois de anos de discussão em torno das regulamentações que permitiriam os produtores israelenses exportar , este ano, (2020) fez com que Israel se tornasse o maior importador global de cannabis. Pois o governo permitiu que dezenas de lotes da planta, cultivada no exterior, fossem importados para resolver o problema de escassez de produtos domésticos.

Contudo, alguns requisitos de qualidade tanto no país quanto no lá fora significam que Israel será um importador líquido na balança comercial internacional de cannabis por algum tempo. 

Por exemplo, somente um produtor israelense conseguiu uma certificação para ter acesso aos mercados europeus no início deste ano, e ainda não existe uma confirmação de qualquer remessa para seus parceiros na Alemanha ou Dinamarca até agora. Essa mesma empresa conseguiu um acordo para importar pelo menos 100kg do Canadá.

Importações em alta

Atualmente, cerca de meia dúzia de distribuidores importaram mais de 7 toneladas de pelo menos 12 produtores internacionais diferentes, trazendo muitas cepas novas para o mercado, que alguns pacientes dizem ser melhores do que as variedades cultivadas em Israel. 

No entanto, também houve registros de reclamação sobre interrupções na sequência terapêutica, com a chegada de produtos diversos ao mercado.

Conforme a demanda do mercado, estimada pelo governo em 25 toneladas por ano,uma coisa já está clara, as importações para Israel só vão aumentar nos próximos trimestres. Isso quer dizer que pelo menos 30% dos pacientes serão atendidos por fornecedores internacionais.

Duas empresas, a partir das suas instalações em Portugal, já enviaram mais de 3 toneladas de cannabis para Israel. O que foi um ponto crucial para estabelecer Portugal como líder no comércio internacional de cannabis, atrás apenas do Canadá que continua em alta. As instalações da Espanha também viram suas primeiras vendas no mês de maio.

Várias empresas canadenses também estão fornecendo a vários importadores israelenses.

Alguns projetos de propriedades israelenses ou canadenses em países africanos como Lesoto também estão passando por suas primeiras vendas comerciais graças aos seus embarques para Israel, com 600 kg sendo importados de Uganda há duas semanas.

Com os mercados internacionais se tornando mais cheios, Israel pode concentrar seus esforços onde sua experiência reside, como um centro de P&D e inovação. Particularmente à medida que os mercados globais mudam para novos dispositivos e sistemas de entrega de medicamentos à base de cannabis, o que alguns analistas preveem que será a próxima fase de desenvolvimento da indústria europeia.

Referências

  • Prohibition Partners

Bruno Oliveira

Tradutor e produtor de conteúdo do site Cannalize, apaixonado por música, fotografia, esportes radicais e culturas.

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